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13 fevereiro 2013

Conto-te #9_O jogo do mundo

Não faças nada. Fica onde estás. Abre os olhos apenas para que vejas se é de dia ou se o sol já se pôs no horizonte. Fica inerte. Não penses. Não divagues. Não questiones. Sente os minutos que te passam pelo corpo como se fossem apenas um sopro. Não lutes. Não faças das tripas coração. Não conquistes. Não ambiciones. Não te afirmes. Sê amorfo. Sê pequeno. Sê ridiculamente pequeno. Sê invisível. Sê apenas peso sobre a Terra. Sê gigante. Vai à guerra de peito aberto e de mãos vazias. Usa cada palavra que digas como uma arma, como uma adaga, como uma seta. Atira ao alvo. Acerta. Se não acertares, atira de novo. Não quebres. Não te rendas. Não sucumbas. Grita até que te saiam pulmões pela boca. Grita até que o coração te caia ao chão. Persiste. Insiste. Vai até ao fim do mapa e, quando ele acabar, desenha um mapa novo. Inventa. Cria. Faz-te pegada sobre a Terra. Faz-te imortal. Sê razão. Sê lembrança. Sê exemplo. Sê forte mesmo quando fores fraco. Sê maior do que és. Cresce. Avança. Evolui. Encontra respostas novas para questões antigas. Dá novo significado ao mundo. Acrescenta. Transforma. Materializa. Aposta tudo o que tens. Arrisca. Arrisca de novo se perdeste anteriormente. Arrisca a vida. Arrisca a alma. Arrisca tudo. All in. Se não arriscares, arriscas muito mais. Vais ao sabor do vento. Não deixas nada de ti para trás. Não sabes com o que contar. Não sabes para que lado segues. Deixas que te arrastem. Caminhas com pés que não são teus. Falas com uma voz que não é tua. Sujeitas-te ao mundo. Submetes-te. Deixas que o mundo faça de ti um mero peão. Murro na mesa. Vira o jogo. Comanda. Guia. Decide. Vive.

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