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20 fevereiro 2013

Isto não é um baby blog

Os mais atentos que me lêem sabem que tenho blog há quase 10 anos. Isso, uma década. Fui mudando de poiso, mas a "linha editorial" nunca variou muito. A minha vida, sim.


 


Quando comecei o meu primeiro blog era uma miúda de 24 anos que tinha uma vida de miúda de 24 anos. Ainda vivia com os meus pais, trabalhava, ia tendo uns namorados e umas coisas parecidas, saía muito, andava sempre em jantares e sessões de copos. O normal, portanto. Era disto tudo que falava no blog, porque era esta a minha vida.


O tempo passou. Engravidei e achei que não ia deixar de ter o blog que sempre tive e que não ia deixar de falar dos assuntos de sempre, para passar a falar só da gravidez e do bebé e afins. Enganei-me redondamente. Por força das circunstâncias abandonei o meu blog público, abri um privado e continuei a escrever... mas passei a ter um baby blog em vez de ter um "lady blog". Normal, diria eu. Pois se a minha vida tinha mudado... se tudo girava em torno daquela bebé, era natural que a minha escrita andasse quase toda à volta do mesmo. Não me chateei muito com isso. Claro que fui sempre metendo outros assuntos pelo meio, porque, apesar de ser mãe, eu não era apenas mãe e continuava a ter interesses para além da maternidade, mas assumi o rótulo do blog e não quis desviar-me muito dele.


 


Em 2009, quando comecei este blog, a ideia era distanciar-me dos assuntos da órbita da maternidade. Queria sentir-me outra vez eu - não que eu fosse menos "eu" por ser mãe, mas sentia que estava a escrever num espaço que tinha um propósito mais reduzido do que aquilo que eu queria na altura. Senti que era a altura certa: a minha filha já tinha um ano e tal, já não era um absorvente ultrapotente de atenção e eu já tinha regressado ao mundo, depois de ter andado durante algum tempo naquela bolha.


Não tenho um baby blog. Tenho um my-life-blog. E a minha vida inclui duas crianças, por isso é natural que fale delas de vez em quando. Não falo só delas, mas falo muito delas porque a minha vida é assim mesmo - e o que vocês vão lendo aqui não é mais do que isto: a minha vida.


 


Não estranho nada quando um blog, até então mundano e "normal", passa a ser uma espécie de baby blog por força da parentalidade de quem o escreve. Faz parte, são coisas da vida. E, a menos que o/a autor/a se torne um/a chato/a obcecado/a com o assunto, que a escrita vire dicionário cutchi-cuthci, não é por causa disso que deixo de ler. Não tenho um radar anti baby blog nem nada que se pareça. Há baby blogs muito mais giros e divertidos do que muitos blogs ditos normais. E há, parece-me, uma nova corrente de mummy-blogs (alguns dos quais muito chatos, porque passam a vida a "evangelizar" em tom paternalista e isto, sim, é coisa que me faz deixar de ler um blog) que conseguem um bom equilíbrio entre assuntos de filhos e assuntos de mães.


 


Aqui há dias, quando a Pipoca anunciou a gravidez, deixou bem claro que o blog dela não vai ser um baby blog. Talvez não. Mas há-de ser um life-blog e mesmo que o pipoco não vire eixo em torno do qual tudo gire, há-de aparecer. É normal, é natural e o blog não perderá a essência por causa disso. Porque um blog é sempre de quem o escreve e, a menos que seja um blog ficcionado, falará sempre da realidade do autor. E nesta realidade cabem filhos, cães, gatos, canários, patos e cavalos, roupa e sapatos, viagens e refeições. É normal. Nós evoluímos, a nossa vida evolui e os blogs também. E ainda bem!

13 comentários:

  1. "Não estranho nada quando um blog, até então mundano e "normal", passa a ser uma espécie de baby blog por força da parentalidade de quem o escreve. Faz parte, são coisas da vida. E, a menos que o/a autor/a se torne um/a chato/a obcecado/a com o assunto, que a escrita vire dicionário cutchi-cuthci, não é por causa disso que deixo de ler. Não tenho um radar anti baby blog nem nada que se pareça. Há baby blogs muito mais giros e divertidos do que muitos blogs ditos normais.(...) Aqui há dias, quando a Pipoca anunciou a gravidez, deixou bem claro que o blog dela não vai ser um baby blog. Talvez não. Mas há-de ser um life-blog e mesmo que o pipoco não vire eixo em torno do qual tudo gire, há-de aparecer. É normal, é natural e o blog não perderá a essência por causa disso. Porque um blog é sempre de quem o escreve e, a menos que seja um blog ficcionado, falará sempre da realidade do autor. E nesta realidade cabem filhos, cães, gatos, canários, patos e cavalos, roupa e sapatos, viagens e refeições. É normal. Nós evoluímos, a nossa vida evolui e os blogs também. E ainda bem!"

    OMG, o quão eu me identifico com estes teus dois parágrafos. Concordo quanto à paternidade obsessiva, evangelizadora, absorvente e completamente absorvida, que torna qualquer blog, qualquer conversa e qualquer personalidade num big no-no. Mas a grande parte das vezes, na blogosfera, nem é isso que acontece (pelo menos não nos blogs que leio).

    Enerva-me a grande paranóia que quase todos(as) bloggers têm acerca de baby-blogs, que têm de exibir em grandes parangonas "ISTO NÃO É UM BABY-BLOG", enquanto que alguns leitores, igualmente enervantes, começam logo (ao primeiro post que tenha remotamente a ver com uma criança) "ui ui, que careta, estás uma Momzilla, isto está a tornar-se num baby blog" - como se a expressão baby blog fosse a própria transcrição blogosférica do Anti-Cristo. Geez. Get a life. Deal with it. Os namoros, os casamentos, os filhos, fazem parte das pessoas que escrevem os blogs. Quererem proteger, privatizar essas partes das suas vidas - tudo bem. Mas se escrevem sem pudores acerca das suas relações, dos seus gostos, das suas actividades, dos seus sentimentos, (e salvaguardadas as questões de privacidade básicas inerentes à segurança das crianças) porque não hão-de poder escrever sobre as suas gravidezes e a maternidade/paternidade, sem o jugo da censura a pender sobre as teclas do pc? Os leitores adooooooram ler sobre os relacionamentos das pessoas, coisas pessoais, mas detestam ler sobre a relação de uma pessoa com um filho? Por quê? Não percebo. Os blogs espelham a vida das pessoas, não devem ser o reflexo dos leitores.
    Um bom exemplo disto tudo é a Pólo Norte. Eu sempre adorei o blog dela, e continuo a adorar e a seguir com o mesmo entusiasmo. Quando ela engravidou, desde logo começaram as vozinhas "espero que não tornes isto num baby-blog", e a própria reforçou essa ideia, que não ia passar a ter um baby-blog. Eu SEI que a Pólo não é uma Momzilla. Nunca pensei que ela pudesse sê-lo, não cabe na personalidade dela. E sempre disse que ia adorar ler a maternidade na óptica dela. Eu sabia que ia ser uma maternidade quadripolar, que não se ia perder ali nada da personalidade que atrai as pessoas. Tanto se me dá, francamente, que seja no Quadripolaridades ou no MãeGyver, sigo os dois. Mas não gosto muito do facto de as pessoas se sentirem como se tivessem de separar uma vertente (super importante, btw) da sua vida do seu blog pessoal que - espante-se - fala da vida dos seus donos.
    E pronto. Se me ponho a falar disto, nunca mais me calo.

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  2. Fala à vontade, pá!!

    O caso da Pólo Norte é daqueles casos dúbios - mas entendo. Houve uma altura em que achei que tinha que separar águas e criar um blog para falar só dos filhos; foi quando criei o Mãe de Saltos Altos. Rapidamente percebi que eu sou eu porque sou mãe e ser mãe faz parte de mim, portanto não faz sentido separar o que não é separável. Poderia achar que a máxima "divide and conquer" funcionaria, mas não achei. Foi por isso que, não tendo assassinado o MDSA, também não o alimento. Aqui, no Not so fast, eu sou isto tudo que eu sou, incluindo mãe. É por isso que a separação Quadripolaridades/Mãegyver não me faz muito sentido, até porque acho que os leitores do segundo são os mesmos do primeiro (mas o nome do blog foi muitíssimo bem esgalhado!).

    Não tenho rigorosamente nada contra baby blogs, não me chateia que me possam considerar membro desse grupo mas, sinceramente, não acho que o seja, pela simples razão de que este blog não é, nunca foi nem nunca será só sobre os meus filhos. Eu não consigo ser só mãe (nem acho que isso fosse benéfico para alguém!), portanto quem me lê terá que gramar com o pacote completo. Se os leitores saltarem posts sobre as mini criatura, olha, é lá com eles!! ;)

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  3. Um blog com 10 anos, mesmo indo blogando de poiso em poiso é algo notavel, parabéns!
    Eu nem sei se este meu blog com pouco mais de 1 ano é um baby blog ou um mumy blog. Mas baby não pode ser pois o meu menino já tinha 6 anos quando o iniciei. Tam razão quando diz que o blog evolui/muda consoante a nossa vida. Mas há blogs que também refletem as nossas preocupações e os nosso desabafos, certo?
    Boa continuação
    Cumprimentos

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  4. Fará 10 anos a 26 de Junho... é muito tempo a escrever e a guardar memórias! Já não me imagino sem blog... E desde que comecei o primeiro, nunca consegui estar muito tempo sem escrever!

    Há blogs para tudo, mas estes, que falam das vidas dos donos, são necessariamente amplos. Por isso é que acho que este tipo de rótulos acaba por ser redutor...

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  5. Tenho a mesma opinião que tu. Também não criei nenhum baby blog, mas o meu baby é a minha vida, normal que comente, que fale, que seja a minha alegria e a minha tristeza expressa nas minhas palavras... E é muito bom!

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  6. Agreed. Eu gosto de ler posts sobre filhos. Agora que sou mãe gosto, mas já gostava dantes. Para mim é o mesmo que estar a ler um blog pessoal (não temático) e o/a blogger partilhar uma receita culinária, um look, falar do trabalho, falar de carros ou de política. É um tema como qualquer outro, é uma vertente da vida como há outras. Se toda a gente fosse reclamar quando se partilha uma receita "ai que isto agora vai ser um blog de culinária!!!", um look "ai que isto vai virar um fashion blog!!" ou se falasse de política "ai que isto vai-se tornar no 31 da Armada!!!", estávamos bem lixados, ninguém tinha liberdade de criar e de falar no seu próprio estaminé. Os leitores têm de perceber que não são eles que mandam nos blogs e que não podem coarctar (ainda que involuntariamente) a liberdade do blogger; e o blogger também não se pode deixar coarctar nem cair no erro de se deixar rotular.
    O meu blog está moribundo, mas isso é porque eu não tenho o que dizer, ou grande parte dos dias não me apetece dizer nada (nem de viva voz, nem no blog - ahaha). Mas enquanto ele existir, por lá fala-se de tudo aquilo que bem me apetecer. :P Com ou sem seguidores :)

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  7. Durante 5 meses integrei os assuntos da Ana no Quadripolaridades. Não contando com os 7 anteriores de gravidez. Achei que os assuntos de gravidez/maternidade teriam que caber no Quadri como reflexo do "todo" que eu sou. Enganei-me. Isto da maternidade é lixado! Tenho dias em que só me apetece falar nisto (nisto, incluam Ana mas não só, compras, desabafos, histórias, conselhos de especialistas, testemunhos, partilhas com outras mães e mamas e não amamentação e tuuuudo ) e, de repente, era todo um mundo de assuntos que merecia, per si, ter um blog. Sabe-me bem separar as águas, acreditem. Posso disparatar à vontade no Quadri e debitar porcaria por minuto quadrado e posso escrever noite e dia sobre bebés, maternidade no MãeGyver.
    E vai-se a ver e muito do público pode ser comum a ambos os blogs. Mas tenho leitores do Mãegyver que me escrevem a dizer que me achavam uma idiota no Quadripolaridades e que gostam mais de mim no novo blog. E outros que me escrevem a dizer que ainda bem que voltei a ser a idiota que não fala de assuntos de criaturas pequenas no Quadripolaridades.
    So far, so good.
    Gosto dos dois como se tivesse dois filhos. E toda a gente sabe que, quando se pensa em ter um segundo filho, nos questionamos se será possível dividir o amor. E que se chega à conclusão que afinal se multiplica.
    Gostam na mesma de mim com a escrita bifurcada? ;)

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  8. Gosto na mesma, obviamente. Mas leio mais o Quadri do que o Mãegyver (mas mando bitaites à mesma, quanto mais não seja via Facebook).

    Percebo o que te levou a criar o Mãegyver: foi o que me levou a mim a criar o Mãe de Saltos Altos. Durante um tempo fez sentido, depois deixou de fazer porque me sinto bem a poder falar de tudo num mesmo sítio. Se calhar isto acontece comigo porque não tenho um blog tão "extremista" como o teu (neste sentido: o teu Q está lá nos píncaros do bom humor, o meu tasco - este - é uma ceninha assim a meia-haste).

    Bom, whatever. A malta lê-te em qualquer lado, não está isso em causa sequer!

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  9. Eu gosto de ti de qualquer maneira pá :) Sigo os dois, leio os dois, e até percebi um bocadinho melhor a bifurcação com esta tua exposição de ponto de vista. Mas não há nada a fazer, vai continuar a irritar-me sempre que vir um leitor a reclamar com uma blogger-mãe/mom-to-be por estar a escrever sobre o puto. :) Este mau feitio!

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  10. "Há baby blogs muito mais giros e divertidos do que muitos blogs ditos normais." - isto soou-me tão mal, miúda :p o que são blogs normais? porque é que os babyblogs não são normais? porque é que toda a gente parece ter uma necessidade tremenda de se afastar dos ditos babyblogs? os babyblogs foram uma tendência numa determinada altura, neste momento quase não os há "puros" como outrora mas continuo sem perceber, nunca percebi, esta coisa de os tornar diferentes dos outros...dos ditos "normais" ;)

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  11. Usei o termo "normais" para distinguir dos baby blogs, apenas. Podia ter dito "há baby blogs muito mais giros do que muitos blogs que não são baby blogs", mas pareceu-me mais confuso.

    Também disse algures que não tenho nada contra os ditos. E acho que existe esta categoria, da mesma forma que existem blogs eróticos, de futebol, de política e de moda - que são "rotulados" de acordo com o tema que abordam.

    Também acho que nenhum baby blog sobrevive, enquanto baby blog, durante muito tempo, porque os putos são baby durante muito pouco tempo.

    Não há necessidade nenhuma de ostracizar, se quiseres, os baby blogs, nem é disso que se trata. Aliás, o meu post é o oposto disso...
    Tamb

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Obrigada!