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10 abril 2013

Guest Post #2_Doce para o meu doce

[A Ana Luísa, para mim, significa... inspiração. Não me canso de lho dizer. Gosto muito dela, gosto da energia dela, acho-a uma das personalidades blogosféricas com mais sumo. E quis "espremê-la" aqui, na minha «casa». Felizmente ela aceitou! Obrigada, Lu!!]


 









Não sei qual é a receita para se ser um bom pai, ou uma boa mãe... Até me chateia por vezes, que realmente não existam manuais para estas coisas.

Tenho o grande desejo de ser mãe um dia, e ao mesmo tempo, sempre me assombrou o medo de falhar na educação do meu filho ou filha. Por várias vezes já pensei até que o melhor talvez seja nem correr o risco. Como é que se educa? Fazê-los é fácil... o mais difícil vem depois. Como proteger um filho adolescente daquelas coisas que sabemos que podem vir a acontecer, simplesmente por causa dos efeitos idade... e que mesmo assim sabemos que eles vão ter de acabar por passar por elas? Passamos por maus, por não lhes darmos a liberdade? Deixamos simplesmente que aconteçam? Proibimos? Qual a melhor solução?

No final, quando me deito a pensar no assunto, sinto que não os podemos realmente proteger de tudo. Que a vida acaba por se encarregar de dar as grandes lições, e que nos cabe a nós estar em casa, à espera, com uma caneca de chá, prontos para uma conversa e longos abraços.

Dar as bases, a nossa experiência, os conselhos, e esperar pelo melhor: Que os nossos ensinamentos lhes façam efeito, ou que depois de errarem por quererem na mesma experimentar, tenham a força de nos vir contar apesar de tudo, e que saibam que estamos lá para eles. É tão difícil imaginar que terei um filho ou filha a passar pelas dúvidas e confusões que já passei. O que fazer?

Sei que sou grata pela educação que tive, pelos pais que tenho... e especialmente, pela porta que me deixaram sempre aberta. Sempre soube que não importa o que fizesse, bom ou mau, podia desabafar com eles. E isso fez de mim quem hoje sou. Por vezes não gostaram do que lhes disse, por algumas vezes podem ter pensado que falharam, mas sei que a nossa relação de confiança cresceu, a cada conversa, a cada ataque de choro. Sou a filha mais velha, e sempre fui muito protegida enquanto cresci. O mesmo aconteceu com o meu irmão mais novo, de agora 22 anos. Na altura, quando nasci, os meus pais eram novos, inexperientes, como o são tantos pais de alunos meus da escola onde dou aulas. Não sei o que fiz neste mundo para merecer tanta sorte na educação que tive. 

Recorrentemente tenho alunos a vir falar comigo para desabafar. Alguns deles, sentem que não têm ninguém a quem contar as coisas que lhes acontecem fora da escola. Pais inacessíveis, que não se preocupam, ou que simplesmente não querem discutir sobre problemas absolutamente normais da adolescência, que para eles são passageiros, mas que para um adolescente são grandes causadores de sofrimentos, angústias e frustrações.

Faço o melhor que posso, mas de facto, não sou a mãe deles... nem sei como reagirei em muitos casos um dia quando tiver filhos. Mas quero ter este texto escrito para me lembrar sempre que não importa o que aconteça, quero que me confiem não só as coisas boas, como também aquelas que os fazem tristes, que os envergonham e que os deixam angustiados. 

Quero lembrar-me que por mais terrível que possa ser qualquer situação, é da minha responsabilidade ter sempre o abraço quente pronto a dar... manter a calma, e estar grata, porque tal como um dia eu pude contar com os meus pais, estas pessoas que serão parte de mim também poderão contar.

Deve ser tão difícil ser pai... ser mãe.

Estou grata pela confiança que os meus alunos têm em mim, e quero realmente que me vejam como uma amiga, para além da pessoa que lhes dá matéria.

Quero esforçar-me por me lembrar que só se vive uma vez, e que há tantos jovens a sofrerem sozinhos.

Estou grata pela estrelinha que me proporcionou o Marco e a Micá... que assim que souberam que o meu irmão de 22 anos ficou doente, nos cruzeiros onde trabalha, e que foi deixado em Miami, sozinho para recuperar, moveram mundos e fundos para ir ter com ele... para lhe dizerem que está tudo bem,  que partem fronteiras a murro se for preciso, só para o poderem abraçar e dar o carinho e amor que qualquer filho que é trazido a este mundo merece.

Prometo que quando chegar a minha vez, não tentar atingir o ser perfeita, porque isso é impossível, mas que vou fazer por estar sempre lá.

Obrigada.


Love, Lu*

Ana Luisa*




5 comentários:

  1. Gosto muito do blogue da Ana Luisa e gostava mesmo de a conhecer! Quando lanchamos, meninas? ;)

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  2. Olá, Lénia. Olá, Ana.

    A segunda tive já o prazer de conhecer. A primeira INfelizmente não, apesar de já ter servido de inspiração. Partilhamos um tema sensível, sobre o qual hoje -- e finalmente -- decidi falar no meu Umbilicalidades. Até porque tem tudo a ver com o filhos, ou com o facto de não os podermos ter.

    Ana, tu sabes a minha história, e todas as tuas inseguranças sensibilizaram-me. Também eu as tenho. Mas sei que, como eu, és viciada em aprender, e que empregas todo o "teu eu" naquilo que fazes. Por isso estou certa de que com o excelente exemplo do Marco e da Micá, serás uma mãe 500 estrelas. Eu sei que, para além de galinha, também vou estar a 200% com ele ou com ela, se algum dia tiver oportunidade de agarrar um filho no colo. Essa majestosa tarefa de ser pai, ser mãe, não tem realmente manual. Mas é isso que a torna tão apetecível. Podemos reinventar matéria, podemos reinventar-nos. Mas seremos sempre nós e eles, e tudo o resto deixará de ter importância.

    Beijinho para as duas. E Lénia, um dia também gostava de te conhecer pessoalmente. É sempre bom associarmos um rosto às palavras, às histórias que nos são familiares. :-)

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  3. também quero bastante! é acertarmos agendas***

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Obrigada!