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03 julho 2013

Num ano...

... arrumámos as cabeças, arrumámos as nossas vidas, confirmámos decisões, conformámo-nos com o que nos aconteceu, aceitámos e seguimos em frente. Um ano depois de perdermos aquele bebé que queríamos muito, continuamos certos da nossa decisão: não queremos ter mais filhos, estamos bem assim, somos felizes, temos a família que sempre quisemos ter. Estávamos preparados para o terceiro bebé, mas agora estamos bem assim. A logística vai-se descomplicando, as finanças não ajudam e já encerrámos o assunto.


Ontem, quando me lembrei de que era dia 2 e de que, há um ano àquela hora, estava no hospital já no recobro, chorei. Acontece-me de vez em quando. Acho que é normal. Mas não vivo a pensar nisto, não trago uma mágoa imensa no coração, não fiquei presa ao que de mau nos aconteceu. Chorei, como choro de vez em quando, se me lembro do meu avô. Saudade, acho. E, de vez em quando, olho para os bebés que tenho à minha volta e que têm agora mais ou menos a idade que aquele bebé teria, e penso nos "ses". Mas sei que foi assim porque teve que ser. E sei que, no fim, ficámos todos bem. "Podia ter sido pior" é um pensamento muito português, mas é verdade. Eu recuperei, nós não fomos afectados enquanto casal, a minha filha já ultrapassou o assunto e não pede mais irmãos nem fala nisto. Lembra-se de que foi visitar-me ao hospital, mas não fala no que eu estava lá a fazer. Para mim, isso é o mais importante. A natureza não foi nossa amiga. Ou talvez tenha sido...
Estamos bem. Estamos aqui, a quatro, sempre de mãos dadas, felizes neste nosso núcleo que alimentamos e ao qual pertencemos sem reservas. Um ano depois, estamos serenos e continuamos a aceitar o que a vida tem para nos dar. E somos gratos pelo bem que nos vai acontecendo, pelas coisas boas que temos, pelos momentos felizes. O resto faz parte mas não nos define.

11 comentários:

  1. Gosto de te ver assim. Durante muito tempo tive medo do que não dizias, hoje sinto-te. Com tudo o que tem de bom e mau. O caminho faz-se caminhando. beijinho

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  2. Nunca se esquece. É uma dor daquelas que moem por muito tempo. Antes da Leonor também eu tive sofri um aborto e ainda hoje já com quase três anos passados me dói o dia em que descobri que estava grávida. E em todos os meses de Maio me lembro que se tudo tivesse corrido bem ele faria anos. O meu primeiro filho. Claro que é como tu dizes, não vivo a pensar nisso nem agarrada ao que podia ter sido, mas às vezes tenho saudades dele. Do filho que nunca conheci, mas que era tão meu.

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  3. Como és esquisita com o português, também podes entender quem o seja e, por isso, uma contribuição:

    quisemos não tem acento

    Vejo muitas vezes o tivemos também com acento, mas não sei onde é que as pessoas o vão buscar...

    Podes não publicar, claro.

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  4. Revejo-me tanto nas tuas palavras. Acho que consegui seguir em frente, com a diferença que irei arriscar numa próxima gravidez, a minha princesa precisa mesmo de um(a) Mano(a)...
    Este início de Junho foi mais complicado, por ser o suposto mês de nascimento...
    Mas é mesmo como dizes podia ser pior.
    Beijinhos

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  5. Parece-me que têm as cabeças arrumadas de facto. E pelo que vos conheço, são uma família equilibrada e feliz. E fico muito contente por saber que superaram essa fase complicada juntos. Chorar deve fazer sempre parte, é sempre uma despedida, nem que fosse da ideia de terem mais um filho, da inocência que antes tinham. Mas continuam a ser uma família forte e unida e isso é o melhor de tudo. Beijo grande

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  6. Gostei muito deste teu texto. Ainda bem que te sentes assim. Beijinhos e tudo de bom para os 4

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  7. Eu sempre verbalizei tudo... o "problema" foi ter havido uma data de gente a achar que eu estaria em muito pior estado do que efectivamente estava. Mas já passou.

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  8. Eu também dou calinadas!! :D (Obrigada pelo reparo. Já corrigi.)

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  9. E se agora estão bem e felizes, então isso é o mais importante...

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  10. Descobri este blog há pouco tempo, também eu passei exactamente pelo mesmo faz 27 de Outubro 2 anos. O stress que foi cada raio-x, análises ao bhcg e ecografias, mas felizmente não houve células a passear pelo corpo.

    Por vezes ainda é complicado ver bebés da idade que o meu teria...14 meses... no meu caso no espaço de 20 meses passei por duas interrupções da gravidez, a 2 de Março de 2010 (Tinha trissomia 18 e acabou por falecer com 13 semanas) e depois a 27 de Outubro de 2011 (Mola hidatiforme) às 12 semanas.

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Obrigada!