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10 setembro 2013

"A Gaiola Dourada"


É o melhor filme português de todos os tempos? Não. Não é sequer um filme português, é francês, sobre Portugal. Então é o melhor filme francês de todos os tempos? Não. Nem era suposto. Mas é uma belíssima homenagem do realizador aos seus pais, emigrantes em Paris. Retrata TODA a emigração? Não. Retrata a vaga de emigração dos anos 60/70. Certamente que quem emigra agora não se reconhece naqueles traços, mas quem emigrou há 30 ou 40 anos acredito que sim, que se reveja. 

Já li por aí que isto continua a fazer com que sejamos vistos como provincianos, bacocos, poucochinhos que não dão para mais do que porteiras ou pedreiros (confesso que fiquei a espumar quando li isto!). Acho que quem pensa assim não esteve com atenção ao filme. Aquilo não pretende denegrir ninguém, bem pelo contrário. Aquilo fala de alma, de saudade, de esforço, de trabalho, de humildade. É ternurento, está bem escrito, tem piadas inteligentes, é comovente... dá para tudo, para rir e para chorar.

Não tenho emigrantes na família, mas reconheço muito dos meus pais e dos meus tios naquelas personagens. A dedicação ao trabalho, o esforço para que nada falte aos filhos, a simplicidade.

Depois tem ali a Rita Blanco, que é uma excelente actriz e que dá coração ao filme. O Joaquim de Almeida menos (confesso: acho-o um canastrão) - enquanto fala francês tudo lhe sai naturalmente; começa a falar português e parece que está a declamar poesia. A Maria Vieira não consegue descolar daquele registo "Herman José" e acaba por parecer que está a fazer uma rábula e não a representar um papel. O próprio do Ruben Alves faz um personagem e, apesar do pouco tempo de actuação, a coisa corre bem.

Para mim, foi uma hora e meia muito bem passada. Não dou o tempo por mal empregue e é daqueles filmes que se instalam facilmente nos nossos corações. Gostei muito!

12 comentários:

  1. Eu também fiquei a espumar e escrevi duas mensagens em que referia que poucochinha era quem pensava assim e ...surpresa... não publicou nenhuma!! É de longe a pior das afirmações daquela merda de texto mas nos comentários não há um único que refira essa parte. Porquê? Porque até a própria percebeu que tinha ido longe de mais e simplesmente não publica os comentários.

    O filem é muito bom. E quem é ela (ou o orelhitas) para dar opinião sobre o que quer que seja? Ela que passa a vida a comentar os execráveis programas da TVI, ao vivo e a cores.

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  2. (Confesso que adorei a parte em que diz que o filme é falado em Português... mas pronto, dá-se o devido desconto das hormonas baralhadas. Been there e sei o que é que custa...)

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  3. É de uma arrogância e pedantismo tal que qté chega a dar pena.

    Ainda bem que não sou assim, credo, fechada num mundo irreal sem ver para além do meu prórpio umbigo.

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  4. Eu também gostei bastante do filme. Não o achei uma obra prima do cinema, mas também penso que não era esse o objectivo.
    Retrata na perfeição a classe emigrante daquela época, e mostra um povo humilde e trabalhador, o que, na minha opinião, deveria ser motivo de orgulho.
    Bjs

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  5. E o Rúben que é táo giro!! Giro, e talentoso, fiquei fá deste novo realizador. Eu já vi o filme aqui em Bruxelas há uns 4 meses, quando estreou aqui, onde foi tambem um sucesso, seja entre emigrantes portugueses, seja entre amigos estrangeiros e franceses que se reviram também eles nos estereótipos do filme.
    ( desculpa a falta de acentuacao correcta mas estou num teclado sem tils e c's de cedilha):)

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  6. Eu ainda não vi o filme, mas vivo fora há 5 anos e trabalho na minha área. A verdade é em todo este tempo não conheci nenhum português com profissões semelhantes, todos os que se têm cruzado no meu caminho trabalham nas limpezas, nas obras ou em trabalhos não especializados. Os portugueses são vistos como mão-de-obra, são as mulheres a dias e os porteiros, são normalmente pouco instruídos embora trabalhadores e não se inserem nas comunidades locais, os outros, os "cérebros" são a minoria. Isto não é uma opinião, é a realidade, é o que se vê todos os dias. Os portugueses até podem ter mais capacidades, mas cá fora esta é a ideia geral e não vale a pena arreliar-se por se dizerem que os emigrantes são provincianos, porque efectivamente são. Sabe o que se consegue comprar de imprensa portuguesa no estrangeiro? A revista Maria. Sabe porque? Porque é o que vende. Isso e chouriços.

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  7. Não sei onde vive, mas sei que não se pode avaliar o todo pela parte. Um caso não serve de norma. Há muita gente lá fora (e agora estou apenas a falar da emigração recente e não da tal vaga de 60/70) que é qualificada, que tem estudos, etc. e tal. E mesmo que não tem estes estudos e quem trabalha em limpezas e em hotéis e afins, não me parece que mereça o epíteto de "poucochinhos que só dão para porteiras e pedreiros" (que foi o que me arreliou, não foi o provincianismo que me fez gritar as campainhas).
    Basta fazermos o exercício ao contrário: quantos imigrantes de leste que temos por cá são médicos, enfermeiros, arquitectos, engenheiros... e trabalham em limpezas e em obras? Muitos. Com certeza não dão só para porteiras e pedreiros, mas são estes os trabalhos que fazem quando emigram, porque são esses os trabalhos que conseguem arranjar com mais facilidade.
    (Já andei umas vezes "lá por fora" e fui vendo, aqui e ali, um bocadinho mais do que a revista Maria... mas, lá está, sou só uma, não sirvo para estabelecer a norma.)

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  8. Devo ver entre hoje e amanhã. Já li tanto sobre o filme, que estive cheia de vontade de o ver, depois perdia-a todinha e agora com o teu texto, que me parece bem sensato, vou ver, definitivamente.

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  9. Vai de espírito aberto. Aquilo não é nenhuma obra de arte. É um filme simples, sobre pessoas simples. Não é sobre elites nem para "elites". É, acima de tudo, uma hora e meia de boa disposição, um tempo bem passado, com muita ternura pelo meio.

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  10. Apesar da emigração de hoje ser algo diferente, ( mas não assim tanto ), os novos emigrantes também não o são - os de agora embasbacam perante os shoppings de Bogotá ou a animação noturna de S. Paulo. Vai dar ao mesmo. É preciso que alguma coisa mude para que o provincianismo se continue a manifestar.

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  11. Vivo em Londres há quase 10 anos. Conheço ambas as realidades, os portugueses não qualificados e que trabalham em limpezas, restauração etc, e tenho amigos que - tal como eu - têm formação académica e trabalham na área. A grande maioria dos 'tugas' que tenho conhecido são a tal vaga de massas sem qualificações, muitos são trabalhadores e honestos, têm interesses diferentes dos meus mas a razão que os trouxe para cá é a mesma, trabalho, melhores oportunidades, melhores salários. O problema é que esta faixa maioritária não se integra, vive no gueto da comunidade, não fala inglês e não gosta de cá viver. O que é uma pena. Mas tenho vários amigos qualificados e que têm empregos que reflectem a formação que têm, e muitos estão muito bem a nível profissional!

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  12. Mas afinal lês ou não os blogues da moda?

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Obrigada!