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18 setembro 2013

Os velhotes do ginásio

Não ando num ginásio da moda. Ando num ginásio de bairro, gerido por uma empresa camarária. Tem vantagens e desvantagens, como tudo na vida. Por um lado, é sossegado, não me sinto na montra do talho e consigo estar na minha vidinha, sem ninguém à volta. Por outro lado, não há cá mordomias (tipo secadores de cabelo), não há mil e quinhentas aulas (bem que podia haver uma aulinha de kizomba... adorava aprender!), os horários são meio manhosos.


De manhã, hora a que tenho ido, aquilo está pejado de velhotes. Aplaudo a genica deles, a vontade de se mexerem, o não se conformarem com a idade e o estado e fazerem mais pela sua saúde. Só que... falam, falam, falam... de tal maneira que mal se ouve a música. E depois falam e falam mais e depois falam mais um bocadinho. Alto. Toda a gente fica a saber da vida deles. Hoje, uma das senhoras resolveu, vá-se lá saber porquê, fazer uma saudação nazi (o "heil, Hitler") quando entrou um senhor na sala. Não percebi, juro. Mas não fiquei lá com muito boa impressão.


Depois há um velhote, karateka há uns 300 anos, que passa metade do tempo a dar pontapés para o ar. E a fazer flexões de punho fechado... só que faz flexões de rabo (em vez de usar os braços usa as ancas). E depois vai lá o instrutor e, na maior das calmas, explica-lhe que aquilo pode magoá-lo e ele dá uma ripada no instrutor, que não percebe nada daquilo porque só tem 30 anos, se tanto (who cares se o rapaz tem cursos e especializações e formações? O velhote do Karate é que sabe!).


Hoje, quase no fim do meu treino, era suposto ir para uma máquina. Só que a dita estava ocupada por um senhor que tinha estado a utilizá-la (notem o tempo verbal que usei: tinha estado - pretérito mais que perfeito), mas que estava... à conversa com outro senhor. E ali estiveram MUITO tempo. E eu parada à espera. De tal modo que o instrutor veio ter comigo para me perguntar porque é que eu estava a olhar para ontem. Não foi preciso ir dar o toque ao senhor porque a conversa entretanto acabou, mas foi por um triz.


Olhando de longe, aquilo, para os velhotes, cumpre a mesma função que para os novos: convívio e confraternização. Vão lá mais para a conversa do que para o exercício (mas nem por isso deixam de estar na passadeira a fazer os seus 60 minutos a 3km/h). Os novos fazem o mesmo, com outra intensidade e noutro horário. Mas sobre isso falo noutro dia.

1 comentário:

  1. No meu,ginasio da moda,também há velhotes de manha. Mas só vão à aula de tai chi.

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