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08 novembro 2013

Ainda sobre a greve...

... escreveu o meu marido no Facebook dele:


 


"Vamos lá ver se entendo bem a situação: Um Estado é mergulhado numa crise financeira pela mão de sucessivos Governos irresponsáveis. Fica falido por força, entre outros, de maus negócios, corrupção e acima de tudo por ter atingido uma dimensão administrativa insustentável. Para tentar compor a coisa, outro Governo impõe uma austeridade que faz cair a actividade económica lançando no desemprego uma enxurrada de gente vinda das pequenas empresas privadas que se viram asfixiadas com a falta de receitas, excesso de impostos e difícil acesso ao crédito. Neste cenário, os funcionários públicos (ou os sindicatos?) decidem fazer greve. Perdoem-me a crueza, mas vejo a imagem do rei gordo deitado na "padiola" que é carregada aos ombros pelos escravos mas que já quase não anda. Em vez de fazer dieta ou deitar fora o excesso de peso, o gordo continua a bater nos poucos escravos que sobram de modo a que façam mais força e ele se desloque. É certo que não vão aguentar todos e o desastre é eminente.
Mas como é que eu explico isto aos meus filhos sem eles pensarem que estou bêbado ou maluco?!
Este escravo que assina agradece a vossa explicação."




O meu homem não é de falar muito, mas quando fala... ui!! (E o debate de ideias, nos comentários do seu post, é uma coisa fabulosa: gente de cabeça arejada, com ideias e com uma visão muito certeira daquilo que verdadeiramente se passa neste nosso paraíso (not!) à beira-mal plantado (ou deverei dizer... enterrado?).




NOTA: não estou a ser irónica. 


 

4 comentários:

  1. Sim, sou funcionária pública e hoje estou de greve. Pela 1ª vez! (e nunca mas nunca pensei chegar ao ponto de sequer ponderar fazer greve)

    Entendo quem está do outro lado e se sente injustiçado mas também acho que é necessário perceberem quem está deste lado.
    Sim, o Estado engordou e atira a austeridade para os mais fracos. Mas é necessários perceber que entre os mais fracos também se encontram os funcionários públicos. O sector privado não é o único a sofrer com cortes de regalias, aumento de impostos e fragilidade no emprego!
    Sou funcionária pública há cerca de 4 anos e desde que entrei... o meu salário baixou de ano para ano, limitam o meu trabalho porque não há dinheiro para reparar carros ou para combustível e, sinceramente, todos os dias temo chegar a casa e ter uma carta a anunciar que vou ser despedida.

    Só ainda para ser a cereja no topo do bolo.... eu trabalho num local dimensionado para 5/6 pessoas e onde trabalham efectivamente 11. No meu posto de trabalho chove! No Verão não podemos abrir a única janela desse espaço porque há uma fossa a passar por baixo dela.
    No mesmo concelho onde trabalhamos a mesma entidade usufrui de umas instalações que denonima de "escola" que tem perfeitas condições (o edificio é novo) e que se encontra encerrado!
    Já fizemos pressão para mudarmos para lá, já fizemos abaixo-assinados e a resposta de Lisboa é sempre a mesma... NÃO!
    Ou seja, o estado prefere manter um edificio fechado e a deteriorar-se do que melhorar as condições de trabalho dos seus trabalhadores.

    Por isso, hoje faço greve! Porque estou farta de todas estas situações! E estou farta de "estar calada".

    Não sou mais nem menos do que qualquer outro trabalhador... e só tenho pena que os trabalhadores do privado não se sintam "à vontade" para demonstrar o seu descontentamento.

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  2. Concordo tanto com o comentário...

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  3. Eu nestas discussões Privado/Público nunca posso escolher um lado, sou das poucas que conhece os dois mundos... nos dois há excessos e despesismo... Mas também há pessoas muito boas funcionárias/patrões e empregados/patrões muuuuito maus e "o justo" paga sempre pelo "pecador"...
    Basicamente, percebo o teu Maridão e percebo os comentários anteriores... e há sempre quem entre em extremismos sem tentar perceber a outra parte... nos dois lados ;)

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Obrigada!