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22 novembro 2013

Frente & Verso - A cozinha

Verso (da Margarida)


 


Eu cozinho. Não cozinho todos os dias, mas tento cozinhar frequência. Cresci numa casa onde éramos cinco e onde todos os dias a minha mãe se esforçava por inventar receitas novas para cada uma das refeições. Adoro comer em casa e só tenho pena de não ter herdado da mãe o gosto pelo fogão e pelos novos sabores. Aliás, na verdade eu adoro comer. Ponto final. Cozinhar é que me custa mais.


Não é que não goste, quando estou a cozinhar, mas de alguma forma, sabe-me sempre um pouco a obrigação: ter comida feita para haver o que comer. De qualquer forma, não me safo mal: cozinho relativamente bem, até experimento receitas novas, não tenho dificuldades de maior em apurar sabores com bons temperos e pouco sal… não sei fazer sopa (assumo!) e também não tenho o jeito maior do mundo para doces.


Mas o meu arroz branco é impecável – e juro-vos que é difícil fazer um bom arroz branco – e até já fui capaz de cozinhar quatro receitas novas para amigos num dia em que estava particularmente inspirada: saíram todas bem à primeira.


Mas o que eu queria mesmo era poder ter uma Bimby – estamos no caminho para isso – que me fizesse a comida toda sem eu ter que me ralar muito. Adoro a Bimby e as vantagens que aquilo dá: ora carrega no botão e enfia para lá esta quantidade de isto e daquilo, a velocidade é esta e durante este tempo. Sou muito feliz quando uso a dos meus pais e percebo que até sou capaz de fazer leite creme perfeito – sem ter que me esforçar coisa alguma.


Eu sou a cliente ideal de uma Bimby: não tenho gosto em cozinhar mas gosto de comer comida feita em casa. É o bicho perfeito para mim. E não me levem a mal as cozinheiras de mão cheia que adoram ir para a cozinha: dou todo o valor a quem gosta e consegue fazer comida maravilhosa (a minha irmã do meio ficou com toda a nossa herança genética nesse quesito, creio), mas realmente não é a minha onda.


Para além do mais tive uma sorte dos diabos e arranjei um marido que até come Chocapic ao jantar se eu lhe disser que não me apetece cozinhar e não houver nada no frigorífico. Ou seja: nem por obrigação consigo apurar o gosto para a cozinha. Mas tenho pena. Muita pena!


Mas ainda tenho esperança de que um dia, quando for grande, tenha pela cozinha o mesmo gosto que a Lénia tem.


 


[A minha versão dos factos, aqui.]

1 comentário:

  1. A única coisa que realmente me chateia aqui é o tão continuado preconceito de que as mulheres ainda tem obrigação de cozinhar para os maridos.
    Nós mulheres já devíamos ter dado um passo em frentes ter rompido com estas ideias tacanhas!
    Espero que fosse apenas um exemplo e não a mentalidade enraizada de discriminação com base no gênero.

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