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28 novembro 2013

Frente & Verso - Presentes de Natal

Verso (Margarida)


 


Eu nunca gastei rios de dinheiro em presentes de Natal. Lá em casa o Natal sempre foi comedido, com a minha mãe a salientar que o mais importante era estarmos todos juntos. Mas claro que havia presentes, escondidos, cheiinhos de carinho. Até porque não havia muito dinheiro, portanto…


Eu, não adorando o Natal enquanto quadra, vivo-o intensamente em termos religiosos. E adoro dar presentes.


 


Mas não dou presentes por dar – que não há pior do que comprar algo só para dizer que comprámos. Tenho que encontrar coisas que façam sentido para as pessoas a quem os vou oferecer. Durante vários anos apenas comprava presentes para a minha família nuclear – que mesmo assim são dois pais, duas avós, dois sobrinhos, duas irmãs e dois cunhados. No entanto, fechava-me na cozinha durante um dia inteiro para fazer os presentes para as pessoas mais importantes da minha vida: brisas do liz, bombons de chocolate, bolachinhas…dependia do ano e da vontade, mas nunca fugia muito a isto.


 


Aquilo que mais felicidade me dá é chegar a casa de alguma amiga minha e ela já ter um espaço reservado na mesa da ceia de Natal para o meu prato. Porque o Natal é isso mesmo: fazermo-nos presentes, mesmo que em doces que se comem num instante.


 


Quando podia, comprava mais uma lembrança ou outra para as minhas amigas mais próximas: adoro fazê-lo. Dá-me mesmo gosto! Mais gosto do que o que me custa ficar sem o dinheiro.


Este ano, por exemplo, comecei a pensar com tanto tempo de antecedência que já tenho os presentes quase todos comprados. Faltam-me dois ou três, sendo que nesse bolo estão os das crianças, que ainda nem sabemos o que vão ser.


 


De resto, os que não estão comprados já estão pensados, pelo menos. Não são presentes. São lembranças. Porque, tal como a Lénia, também acho que não devemos propriamente endividar-nos para comprar presentes. Claro que geralmente me esmero mais no João ou nos meus pais, mas também porque é de quem, geralmente, recebo os presentes mais a sério.


 


E já me aconteceu decidir que não vou dar nada mas de repente olhar para coisas e ter que comprar. Porque ficaria tristíssima se não desse aquilo à pessoa em quem penso…é uma maçada. E no Natal, realmente o que me interessa é dar. Nada me faz mais feliz do que ver as pessoas de quem gosto abrirem os meus presentes e gostarem deles. Nada.


 


[O meu texto, aqui.]

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