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11 novembro 2013

Os novos milionários

Na sexta-feira fiquei estupefacta com uma notícia que vinha na contracapa do Correio da Manhã. Segundo dados de um estudo qualquer (não memorizei que entidade fez o estudo), há em Portugal mais 85 milionários do que havia em 2012 (e o ano ainda não acabou). É só de mim ou isto não faz sentido nenhum?? Quer dizer, se o país estivesse em expansão, se não estivéssemos enfiados nesta catástrofe dantesca que é esta crise, talvez eu encolhesse os ombros e não pensasse sobre o assunto. Mas olhando à minha volta, confesso que me revolta um bocadinho saber que há 85 novos milionários "nascidos" em plena crise.


 


E o que é que eu deduzo daqui? O óbvio: há muita gente a sair-se bem à custa do mal dos outros. Os ricos estão cada vez mais ricos e... vocês sabem o resto do raciocínio. Choca-me profundamente ver o país na merda em que está e olhar para o lado e ficar a saber que há 85 novos milonários e que os que já o era aumentaram em não sei quantos porcento a sua riqueza. Que merda de país é este que deixa gente a morrer à fome enquanto há gente a enriquecer à grande? (Eu sei que pode ter sido por mérito próprio e sei que dinheiro atrai dinheiro. Sei isso tudo. Não invalida que me sinta chocada com o assunto.)

7 comentários:

  1. O problema não é uns terem muito o problema é os outros não terem o suficiente.

    Acho que quem conseguiu construir fortuna à custa do seu trabalho tem muito muito mérito.. eu gostava de ter essa inteligência e capacidade...

    Paralelamente, gostava de viver num país que punisse quem enriquece à custa da corrupção e de trocas de influência e poder.

    Todos aqueles que sejam ricos sejam-no pelo seu esforço... não há custa dos outros. Assim, acho que o problema não é haver ricos, mas é não haver uma justiça que funcione.

    TR

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  2. Com coisas como: Cristina Ferreira ganha 30.000euros para fazer uma mudança de cor no cabelo! Já nada me espanta, é mesmo uma vergonha.

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  3. A questão é exactamente essa: enriquecimento ilícito, compadrios e corrupção. Custa-me acreditar que, nos tempos que correm, seja fácil produzir riqueza com base em trabalho. Quer dizer, como diz a Isabel no comentário abaixo, temos o caso da Cristina Ferreira, que soma e segue e que multiplicou por muito o seu valor no mercado - e se as marcas lhe pagam 30000 euros para mudar a cor do cabelo, seja - é o trabalho dela e ela fá-lo bem (e não entala ninguém pelo caminho, portanto é tranquilo e merecido!). Agora o que me custa é ter a sensação de que estes milionários de que se fala enriqueceram à custa de negociatas que, no limite, nos prejudicam a todos, na medida em que vão aos bolsos do Estado (veja-se o caso das PPP), o que acaba por se reflectir em todos nós.

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  4. No fundo acho que todos temos a mesma opinião... tudo o que venha do trabalho e mérito próprio é merecido e louvável. O problema é quando isso não acontece (o que parece ser muitas vezes).

    Se a Cristina recebe esse dinheiro, é porque a marca ganhará muito mais com ela... visto não "haver almoços grátis".

    O caso das PPs é um bom exemplo de como a justiça não funciona. Se funcionasse problemas desses não aconteciam.

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  5. Não funciona nem irá funcionar, porque não interessa que funcione. Protegem-se os amigos, finge-se que não se vê, não se condena o que é condenável. E nós, o povinho, que nos aguentemos. (Lembro-me tanta vez da Islândia e do que aconteceu no seguimento da crise deles, aqui há um par de anos...)

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  6. É a tal coisa...em tempo de guerra uns choram e outros vendem lenços!

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  7. Terceiro mundo. Chegámos lá.

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Obrigada!