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06 novembro 2013

Pecados capitais

Preguiça. Gula. Luxúria. Ira. Vaidade. Inveja. Avareza. É esta a "minha" ordem dos pecados capitais, agora (há uns anos havia ali uns quantos trocados de sítio, mas adiante).


 


A este textos importam os dois primeiros. A preguiça é a minha pior característica, como diz o meu marido (que, como é muito querido, usa a palavra "característica" em vez de usar a palavra "defeito"). É um facto: se eu pudesse viver deitada, vivia. Não podendo, combate-se a coisa. Parece-me que esta parte vai estando mais ou menos controlada (com recaídas, é certo - principalmente ao domingo à tarde, em que só me apetece não fazer rigorosamente nada).


Agora... a gula é do caraças! Oh, pecadinho mais chato, pá! Porque é que uma pessoa não pode simplesmente comer como quem mete gasolina no carro?? Dava-me tanto jeito não ter prazer nenhum em comer e alimentar-me só para evitar cair para o lado... Mas não! Tinha que ser alarve, adorar comer, gostar de cozinhar e, pior, andar a refinar estes dois gostos de ano para ano! Nisto de perder peso é precisamente esta a parte que me custa: controlar o que como, não ceder a compulsões e não passar os dias movida a "é só isto, amanhã já me porto bem". É discurso de drogado, bem sei. E é o que eu sou, só que a minha adição não são pozinhos mágicos e sim... açúcar (que não deixa de ser um pozinho mágico, vá). Eu bem tento, mas passo a vida a fazer como dizia o Oscar Wilde: "a melhor maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedendo-lhe".


 


Bom, mas este processo - loooooooooooongo - vai tendo melhorias de dia para dia. Ultimamente, a minha grande inspiração tem sido a Catarina. E se, por um lado, não consigo fazer exactamente o que ela faz, em termos de alimentação (porque treino mais dias e mais horas do que ela e não quero mesmo ter um fanico), por outro tenho conseguido domesticar-me e, aos poucos, ir tentando encarreirar.


Nos entretantos, parece-me que tenho aqui um problemita de intolerância ao glúten. Estou há dois dias sem ingerir glúten e sinto diferenças. Acho, contudo, que é um efeito placebo-ish qualquer porque, ao que parece, é preciso estar cerca de 3 semanas sem glúten para realmente ver efeitos da coisa. Isto é um mega-desafio. O glúten é uma ceninha "macabra" que está por todó lado! A nossa alimentação é muito baseada em coisas com glúten: pão e massas à base de trigo, principalmente. Eliminar o glúten significa, portanto, ver-me livre de uma data de coisas que não fazem bem nenhum (e não é só pelo glúten): pão (posso sempre virar-me para o pão de milho, mas coisas de trigo e centeio, por exemplo, já eram), massas (nem as integrais se safam), massas folhadas, bolos ditos normais (yay!), etc. Vai ser duro, mas quero mesmo ver se consigo estar os tais 21 dias sem glúten. Depois disso, logo se vê o que acontece. Eliminando o glúten consigo reduzir drasticamente o consumo de hidratos de carbono, coisa que é capaz de se notar nas ancas. Mantenho alguns hidratos, nomeadamente os da fruta, da quinoa e do amaranto, coisas de que sou fã. Ando muito amiga das oleaginosas mas, se antes me dedicava a devorar um pacote de frutos secos num serão, agora um pacote dá-me para mais de uma semana. A minha preguiça não me permite comer tantos vegetais como era suposto: fazer saladas dá uma trabalheira, mas sou fã de esparregado e como muitas, muitas vezes. Ando apaixonada por um lanche que tenho feito todos os dias: um iogurte magro sólido, um bocado de puré de maçã (só maçã cozida em água com canela, depois escorro a água, tiro os paus de canela e trituro a maçã - comida de bebé, sim!), sementes de chia, sultanas ou goji, sementes de girassol, canela em pó e cinco unidades de frutos secos. Delicio-me com isto e tem sido o suficiente para matar a minha vontade de comer doces.


 


Estou cansada desta luta, muito honestamente. Estou cansada de ter uma percentagem de massa gorda que não lembra. Estou cansada de querer controlar-me e de não conseguir. Quase seis anos disto é dose. Pior: seis anos sem conseguir e sem sair do mesmo peso (tirando as gravidezes que houve pelo meio: numa aumentei 12kg, na outra perdi 9kg). Já deixei de prometer que agora é que é e já deixei de acreditar. Vai sendo um dia de cada vez. Como em tudo.


 

4 comentários:

  1. olá Lénia,
    viva a preguiça, por aqui também somos assim,

    uma coisinha, no 2º paragrafo aparece combate-se a coisa em vez de combate-se a coisa,
    beijinho

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  2. Ter uma alimentação sem glúten não é nada fácil. Eu tive que o tirar da minha vida obrigada, sou intolerante, tenho a doença celíaca. Se o ingerir tenho sérios problemas de saúde não é por dieta... mas digo-te que sim se tirares o gluten da alimentação emagreces mas se fores comprares alimentos sem gluten (tipo massas e pão) é pior a emenda que o soneto.. as comidas sem gluten têm o triplo das calorias, hidratos e coisas afins.

    Mas boa sorte para os 21 dias, eu cá ano há 23 anos sem glúten :)

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  3. Olá Lénia,

    Tu sabes que eu gosto de ti, e, mais que isso, admiro-te por muita coisa.
    Mas confesso que não entendo esta tua opção. Não acho que seja por isso que vás emagrecer mais.
    Mas, como também sou muito curiosa nestas coisas de dietas, pergunto-te: quais são as principais vantagens de tirar o glutén da alimentação?

    Beijinhos

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  4. Ás vezes a vida desilude-nos e/ou as pessoas.

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Obrigada!