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17 dezembro 2013

Sobre a minha vizinha

Fez ontem dez anos que comprei a minha casa. Esta, que entretanto sofreu uma actualização de software e passou a ser a nossa casa. Quando para cá vim, no final de 2003, estava sozinha no patamar. O viznho da frente nunca tinha sequer habitado a casa, havia uma guerra em tribunal por causa dela e, anos depois, a dita foi vendida (em leilão público, suponho).


Vieram então para cá os nossos vizinhos da frente: mãe e três filhos adolescentes. Tinha tudo para correr mal, só por esta descrição. Eu sei, não é simpático da minha parte - e não sei o que me espera daqui a 8-10 anos, quando os meus filhos forem também adolescentes - mas o que é facto é que temi o pior: barulho e confusão a toda a hora. Não podia ter-me enganado mais. São super sossegados, super educados, super simpáticos. E prestáveis - acho que vos contei que foi a mãe-vizinha que recebeu os meus óculos quando eles chegaram e que, se ela não o tem feito, acho que ainda hoje não os tinha comigo.


Bom, acontece também que a senhora é uma excelente cozinheira. Já provei a comida dela? Não, nunca. Mas o patamar cheira sempre tão bem que é impossível a comida ser má. Agora, por exemplo, saí do elevador e cheirou-me a caril (em bom, atenção!). Faço este exercício muitas vezes: tento adivinhar o que ela cozinha pelo cheiro que se sente no patamar.


E eu, que adorava o sossego que era um patamar só para mim, gosto muito desta ideia de não estar aqui sozinha, de ter aqui gente mesmo ^`a porta. No fundo, uma companhia. Com cheiros bons, ainda por cima!


 

1 comentário:

  1. Um dia fazes umas das coisas boas que tu cozinhas (porque também és boa nisso) e tocas-lhe à camapínha e partilhas! Já me fizeram isso!!! Não fui capaz de resistir... passado uns dias fui lá eu, de cesta cheia de scones fumegantes...

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