-->

Páginas

31 março 2014

Amigos

Tenho saudades de ter amigos. Eu explico. Nunca fui aquele tipo de pessoa que tem um grupo de amigos para a vida. Os meus amigos foram chegando com as fases por que passei e foram indo na mesma medida. Do secundário, guardo uma amiga com quem é raríssimo estar. Da faculdade, guardo um casal de amigos com quem é raríssimo estar. Dos empregos, guardo um amigo com quem é ainda mais raro estar. As minhas melhores amigas: uma desertou para Beja, a outra está aqui ao lado e no que toca a ela, mea culpa, eu é que ando sossegada a deixá-la curtir a maternidade recente.

Tenho muitas amigas com quem há um almoço ocasional, mas não mais do que que isso. Não há um grupo coeso que se junte para sair, para jantar em casa de A ou de B, nada. Acho que já perceberam: sinto-me sozinha. Sinto que não pertenço a lado nenhum. Que não faço falta a nenhuma daquelas pessoas que referi. Tudo bem, é a vida. Nós, enquanto casal, não ganhamos de certeza a medalha da sociabilização. O meu marido é pouco dado a convívios fora do âmbito familiar. Eu sou mais. Mas, oh well, não tenho com quem sociabilizar. Não fora a net e passaria dias a fio sem falar com ninguém. 

Assumo que o problema seja meu. Não sei em que medida mas visto que, de entre todas as minhas amigas, sou a única que se queixa disto, o problema deve ser meu. Devo ser uma espécie de amiga-reles. Sirvo para a conversa ocasional, mas não mais do que isso. Não sirvo para uma saída. Não sirvo para um jantar. Não sirvo para uma festa de anos. E sim, isto dói. Perceber que sou "conhecida" para pessoas que considero amigas dói. É isto. Há dias em que o desprendimento dói. Depois passa. Continuo sozinha a conversar pela net e passa. Só que não.

20 comentários:

  1. Também sou assim. Será uma síndrome de filhas únicas?!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Junto-me a vocês... Também sou filha única. Se calhar é mesmo isso :s

      Eliminar
    2. E eu. Sim ao sentir assim e sim ao ser filha única. Será que dá para fazer um clube.

      Eliminar
  2. Oh que caraças se tu não vais começar a ter jantares e almoços a toda a hora... como sabes, eu estou precisamente no lado oposto. Não é em quantidade que não é, sabes disso, mas é estar sempre e muitas vezes com os amigos (com todas as letras grandes). E, para mim, és bem mais que uma conhecida. Espero mesmo que saibas isso.

    ResponderEliminar
  3. Compreendo perfeitamente e sinto muitas vezes isso mesmo... E agradeço-te por teres conseguido pôr em palavras aquilo que tantas vezes sinto.

    ResponderEliminar
  4. Basicamente esse teu texto podia ter sido escrito por mim. E até o teu marido é igual ao meu.
    E sim, também sou filha única.

    ResponderEliminar
  5. Bom... eu a maior parte dos dias sinto-me com zero amigos. Acho que a maioria das pessoas se perde na sua própria rotina e da mesma forma que eu fico muitas vezes cansada de convidar e nunca receber um sim aposto que do outro lado provavelmente sentem o mesmo.

    ResponderEliminar
  6. Bem, antes de qualquer coisa: eu percebo-te. Não vou dizer que sou igual, não sou. Mas, por exemplo, tive amigos na faculdade, circunstancialmente. Mantenho poucos. Os meus melhores amigos vêm de antes da faculdade. E só recentemente tenho um grupo. De resto, tinha dois, três amigos, em 'grupos' dispersos.
    Agora o resto: nós só tomámos café uma vez, mas eu admiro-te muito e não me importava nada de ser tua amiga ;)

    ResponderEliminar
  7. podia ter sido escrito por mim...palavra a palavra.,,,sim, também sou filha única...a mim a maternidade parece ter afastado os poucos que me rodeavam...não tenho ninguém para ir tomar um café, bom, tenho a miúda mas porta-se mal e o cafe quase que é tomado de pé

    ResponderEliminar
  8. Também sou assim. Revi-me tanto nas tuas palavras.
    Ando a tentar mudar, porque há dias que sinto tanto falta de um amigo a sério, sinto tanto essa solidão que descreveste. Por aqui ajuda o sr. namorado ser um melhor tratador de amizades do que eu sou e lembrar-se de organizar jantares, copos e afins.
    Obrigada pelas palavras, por nos fazeres ver que há mais pessoas como nós e ficarmos a sentir-nos menos sós.

    ResponderEliminar
  9. Eu também te compreendo muito bem. Embora julgue que esteja do outro lado da barricada, vejo perfeitamente bem o teu ponto de vista, e reconheço-o em algumas das minhas pessoas.
    Eu tenho muitos amigos, ou pelo menos assim eu acho. De infância, da faculdade 1, da faculdade 2, do mundo do trabalho, do mundo das danças, herdados do marido, até da net as tenho. Crio frequentemente afinidades e empatias, e não poucas vezes aconteceu-me transformarem-se em amizades, porque felizmente sou uma razoável juiz de carácter. Sou de amores fáceis e de desamores raros (mas definitivos). Além dos amigos(as), tenho muitas pessoas que não poderei se calhar categorizar na prateleira dos amigos face à definição de muita gente, mas que são pessoas de quem gosto muito, muito, e que faço questão de incluir na minha vida.
    No entanto, com todas estas pessoas estou poucas vezes, o que é fruto das distâncias físicas, das rotinas que criamos e que nos amputam a mobilidade, da dificuldade em conciliar agendas cheias, da falta de disponibilidade económica e de tempo, porque se vive absorvido pelo trabalho e pelo resto da vida (e das ditas rotinas). E eu, que até sou uma pessoa mega-sociável, dou por mim muitas vezes a declinar algumas coisas porque são à semana e estou cansada, ou são na hora da sesta do puto, ou porque eu própria preciso de algum resguardo para restaurar energias, de tempo de namoro com o meu filho, ou de tempo a sós com o marido, de tempo a três... Por outro lado, sou extremamente preguiçosa para escrever e-mails e mesmo para telefonar. Defeito? Feitio.
    Eu acho francamente que as pessoas (na maioria dos casos) se deixam levar e absorver pela falta de tempo. O cansaço do trabalho também dita muito o destino das convivências. Mas eu sou crente em que há que "walk the extra mile", porque uma coisa é certa: sempre que agendo um almoço com uma amiga ou com uma das pessoas de quem gosto muito, frequentemente isso me prejudica a agenda, mas em igual número de vezes saio dali um bocadinho mais feliz do que quando cheguei. Sempre que vou jantar com amigos/as, frequentemente antes de sair de casa me arrependo de ter marcado aquilo, porque estou tão estourada que nem consigo fazer o risco dos olhos direito, mas a verdade é que chego sempre a casa de coração cheio.
    Por isso é que te percebo. Posso estar com as pessoas poucas vezes (a verdade é que temos de estar a tempo inteiro em demasiadas frentes), mas de cada vez que estou, sinto um certo agridoce em pensar no quão bom seria estar com elas mais vezes.
    Para terminar (sempre a mesma tagarela), duas coisas importantes.
    1- Não acho que haja um problema em ti. Acho que muitas vezes as pessoas decidem coisas pelas outras, com base em pressupostos errados, porque lhes é mais confortável fazerem-no assim, e porque se acomodam a situações que se cristalizam no tempo, e que exigem um esforço extra para se sair delas. Um esforço ficcionado pela mente preguiçosa e acomodada. Mas que elas sentem.
    2- Podes até achar que sou tolinha por dizer isto, e eu sei que a minha falta de filtros faz com que muitas vezes mostre o meu lado menos agradável, mais depressivo, menos positivo e optimista. Mas digo-te com a maior sinceridade que és daquelas pessoas que a minha intuição filtrou, por quem sinto a maior empatia e afinidade, e como não consigo dissociar os sentimentos, de quem gosto - mesmo que nunca tenha estado contigo, e esta é a parte do tolinha. Se morasse mais perto, acho que muitas vezes te chagava essa cabeça para almoçar, a dizer mal da minha vida para dentro, porque provavelmente ia haver conversa até às quinhentas. E fazias-me bolos para as minhas festas. E certamente que comia o teu pó beira-rio fora :) Não, o problema definitivamente não está em ti.

    ResponderEliminar
  10. Ups, depois deste mega-testamento é que penso se irás identificar-me por esta persona que aqui aparece :)

    ResponderEliminar
  11. Ainda há dias falei sobre isso, não tão bem como tu, mas a ideia é a mesma..

    ResponderEliminar
  12. Sinto-me como tu. Parabéns pela coragem em assumires isto, ainda por cima publicamente. São raríssimas as pessoas com quem mantenho amizade, com que me sinto livre para ligar e tentar combinar coisas ou melhor, que me ligam e querem combinar coisas. Há alturas em que me convidam e penso que estou cansada ou não calha bem mas, tal como a Queen of Hearts, faço um esforço e vou porque venho quase sempre com um sorriso. Não falo muito aqui na net, leio mais mas muitas vezes penso que gostaria de ser amiga dessa pessoa. Gosto do que leio, identifico-me e penso que gostaria de ter essa pessoa como amiga. Tu és uma dessas pessoas ;)

    ResponderEliminar
  13. Não és mesmo a única. Tenho poucas, mas boas amigas, mas às vezes também tenho saudades dos tempos de adolescência em que éramos um grupo grande. Muitas confidências, muitos telefonemas, muita agitação que se foi perdendo. O meu marido tem o mesmo grupo de amigos da infância, muitos e bons, aos quais se foram juntado outros e mais outros, e eu tenho alguma inveja daquele núcleo de amigos que nunca se perdeu, que se manteve junto ao longo de décadas, que resistiu ao tempo e à falta dele no dia a dia. Que continua a jogar futebol ao fim de semana, que continua a marcar jogos de cartas e que estão sempre lá. Acho que as amizades nos homens não se desgastão tanto. Não sofrem birras nem desentendimentos que ficam por resolver. Um beijinho

    ResponderEliminar
  14. Sinto o mesmo, principalmente estando em Lisboa. Só estou com os amigos de sempre quando rumo ao norte. Fora isso, casa-trabalho-ginásio. Vidas. Beijinhos.

    ResponderEliminar
  15. Mais uma para o clube: filha única solitária. Sinto-me tal como tu dizes, principalmente depois que vim para Lisboa. Só estou com os amigos de sempre quando rumo ao Norte. Fora isso, casa-trabalho-ginásio. Vidas. Beijinhos.

    ResponderEliminar
  16. Nem acredito que só agora estou a ler este post... Sabes que no outro dia pensei nisto mesmo. Tenho-me sentido sozinha aqui em casa, só com a minha catraia, e quando me telefonaste a dizer que passavas cá fiquei tão contente! Eu também tenho alguma responsabilidade que já te podia ter ligado há mais tempo... Desculpa. Vemo-nos esta semana? Beijinho

    ResponderEliminar

Obrigada!