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24 abril 2014

Frente & Verso - Beleza vs Competência

Verso - a opinião da Margarida

Eu acho, sinceramente, que se pode usar o facto de sermos bonitas em nosso favor. Não me parece que daí venha mal ao mundo, desde que, obviamente, com os limites bem vincados. Toda a gente sabe que há quem utilize, efectivamente, os seus atributos para subir na carreira. E não é por competência profissional. Mas não é isso que defendo. Aquilo que me não choca é o facto de utilizar, por exemplo, um sorriso, para conseguir algo que de outra forma não conseguiria, ou me seria mais difícil. Não é ser oportunista, é apenas usar todas as armas que tenho ao alcance. Se olhar para  o meu interlocutor 20 segundos ao invés de 10 o fizer ter mais atenção no que estou a dizer, faço-o. Se três sorrisos numa reunião deixaram o meu interlocutor mais confortável, sorrio três vezes. Ou quatro. E não tenho problema nenhum em admitir que sim, isto acontece. Se a imagem e a beleza não tivessem implicação nenhuma na vida profissional das pessoas, as regras não mandavam as pessoas ir bem arranjadas para uma entrevista de emprego.  Algumas empresas não teria dress-code – que pode ir de proibir de usar calças de  ganga até proibir de pintar as unhas de cores que não o vermelho – e não teríamos uma atitude diferente, inevitavelmente, com pessoas que cuidam da sua imagem e com pessoas que não cuidam.

É obvio que isto geralmente funciona quando estamos a falar de interlocutores do sexo oposto –ou lésbicas. Se for uma mulher, todas as nossas armas de ‘sedução’ têm inevitavelmente de transformar-se em armas de ataque. Não há pior do que uma mulher que nos tenta seduzir e fazer-se de bonitinha com outras mulheres – o mulherio é do pior sobretudo em contexto profissional.

E sinceramente, custa-me muito acreditar que uma mulher nunca tenha usado, nem que seja por uma vez, a sua beleza em contexto profissional para conseguir acalmar uma discussão, fazer um negócio mais rápido, chegar a consensos ou levar um projecto a bom porto.  E isto não tem nada de ‘prostituição’ nem nada de mal, na verdade. Ser bonita não implica que a pessoa não possa ser profissional e competente. Aliás, há sempre um reverso da medalha: eu não me considero uma pessoa excepcionalmente bonita. Acho que sou normal. Mas sou alourada, e vocês sabem que os homens e as louras têm uma cena… Quando estava no jornal, numa área maioritariamente dominada por homens, aconteceu-me, mais do que uma vez, receber aqueles olhares de ‘deves estar aqui por seres esperta, deves…’. Aí, temos também que fechar a cara, o sorriso e transformar as armas em objectos de arremesso. As palavras são os melhores. Uma, duas perguntas assertivas e um comentário acutilante que estava guardado mais para o fim da entrevista geralmente resolviam o problema. E faziam a pessoa perceber que a beleza não retira neurónios. Mas se a seguir o meu sorriso fizesse a pessoa responder à minha pergunta, eu fazia um sorriso. Sou uma vendida? Uma ordinária? Não me parece. Chama-se aproveitar tudo aquilo que temos ao nosso dispor para fazer melhor o nosso trabalho. E isso não tem que passar, obrigatoriamente, por seduzir pessoas e ter um caso com elas. Pode ficar, efectivamente, por um sorriso, um olhar, ou um gesto de ajeitar o cabelo que resulte. Acho eu. :-)

[E a minha opinião...]

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