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03 abril 2014

Frente & Verso - Entrada proibida a...

Verso - a Margarida é a favor...

[Eu sei que não tenho filhos e estou à espera que me atirem isso à cara por ter esta opinião. Não acredito que vá mudar de ideias quando os tiver, mas é possível. Nessa altura, falamos, e se eu tiver mudado de ideias, serei a primeira e admiti-lo.]

Eu acho lindamente que haja restaurantes, hotéis, turismos de habitação que não recebam crianças. Verdadeiramente. Não porque odeie crianças – que seria! – mas precisamente porque acho que elas devem ser crianças sempre, e não devem ter que estar quietas e caladas para ‘não incomodar’. Ora, eu gosto de não ser incomodada. Verdadeiramente. Se estou de férias, ou num final de semana a descansar, eu não quero ter crianças à volta aos berros, e os pais, por mais queridos e bem educados que sejam, nem sempre o conseguem evitar. E depois também há sempre os pais a quem falta bom senso. E educação.
Por isso, agradeço realmente que haja lugares que não recebam crianças. Não é por mal, mas sim porque acho que há espaço(s) para tudo. Dou um exemplo: num dos nossos últimos finais de semana fora, fomos para um hotel assumidamente familiar. Que no entanto, tem tanto espaço, tantas salas, tanto espaço exterior que as crianças brincam à vontade, os adultos descansam à vontade e ninguém se incomoda mutuamente. O problema foi quando decidimos ir relaxar para o SPA. Começámos pela piscina: bombas e berros. Decidimos passar para a sauna: berros e berros que entravam pelas paredes. Respirei fundo. Fui até ao jacuzzi: quatro crianças enfiadas lá dentro, a chapinhar…
Ora, creio que era aqui que devia ter entrado o bom senso dos pais, correcto? Errado. Os pais também queria estar no SPA, e portanto, eu saí de lá pouco tempo depois de ter entrado, porque estava a ficar mais nervosa do que relaxada. E não é isso que se quer, verdade?

No fundo, pode considerar-se isto uma regra tipo Casino: entrada interdita a menores de 13 – em vez de ser menores de 18. Não é discriminação, não é idiota, não é querer deixar ninguém de fora. É dar opções de escolha a quem não quer viver com o desassossego próprio da infância. Se eu vou para um hotel para descansar, não é suposto ter que viver com isso. E se os pais com as crianças querem ir para um hotel para se divertirem, não é suposto terem que levar com a minha má cara e as minhas queixas quase certas. E não é suposto terem que manter as crianças quietas quando elas são…crianças. E pergunto: quem tem filhos, se decidir ir passar um final de semana fora, não quererá também não ter que ouvir as crianças dos outros?
Ora, para todos ficarem felizes, por que não se pode optar por esta solução? Há milhares de hotéis, milhares de restaurantes, milhares de lugares que podem ser opção. Cada um escolhe o que quer, e ninguém se aborrece. Sinceramente, acho uma das melhores ideias de sempre. Posso estar a ser naïf, pode mudar tudo quando for eu a ter filhos e algum hotel não aceitar o meu. Mas sinceramente?  Para já acho óptimo ter esta opção. 

[E eu era contra...]

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