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02 maio 2014

Carta aberta à minha afilhada, meses antes de nascer

Madalena,

Começo por dizer-te que és uma miúda de pouca sorte. Não me entendas mal: nascerás na melhor família do mundo (a seguir à minha, por razões óbvias), tens um pai que é uma das melhores pessoas que conheço, tens uma mãe que é um doce, meiga, linda e divertida - paródia garantida para os teus lados, asseguro-te.

Mas calhou-te esta madrinha. Que vai ser chata. Não aquele tipo de chata de andar a perguntar-te pelas notas (também hei-de perguntar), mas o outro tipo... o que mima, que estrafega com beijos, que mima ainda mais. Esse tipo de madrinha vou ser eu. Não que eu saiba disto: és a minha primeira afilhada, muito provavelmente serás a única. Mas já gosto tanto de ti que não há como não te estragar com mimos...

Ontem foi um dia mágico para mim. Assim, do nada, o teu pai pergunta-me se já fui apresentada. A quem?, pergunto. À tua afilhada, responde ele. Tau. Agora sou tia emprestada, no segundo a seguir sou madrinha. Só não chorei porque tinha público: o teu tio Rodrigo e a tua tia Lígia. Mas as lágrimas andaram ali a pairar, acredita...

Confesso: sempre quis ter um afilhado. Porque, para mim, isto de ser-se padrinho de alguém tem muito que se lhe diga. Repara: as relações familiares não se escolhem; tens os tios e os irmãos e os avós que te calham em sorte, terás que os gramar quer queiras quer não (os teus, por acaso, é tudo gente cinco estrelas!). Mas um padrinho é uma coisa diferente. É outro campeonato. Para mim, escolher um padrinho é uma coisa dificílima. Porque significa escolher uma pessoa em quem confiemos a vida dos nossos filhos - tenho dois, conhecê-los-ás mais à frente, sei do que falo, que já lhes escolhi quatro padrinhos (o teu pai, inclusive). Sempre quis ter um afilhado porque sempre quis ser merecedora desta honra. Não tenho irmãos, que são os passaportes mais ou menos garantidos para haver afilhados a cair-nos no prato. Os meus eventuais afilhados só poderiam, portanto, vir pela mão dos amigos. Tu vens pela mão do melhor amigo do mundo. Na verdade, o teu pai é o irmão que eu não tenho - se pudesse escolher um, escolhia-o a ele, de caras.

Já disse: para mim, isto de ser tua madrinha é uma honra gigantesca. É uma prova de confiança, de amizade, de carinho. Tudo o que eu sinto pelos teus pais e que sei que é recíproco. Quero estar sempre à altura deste papel. Mimar-te muito (desculpem lá, Mário e Joana, eduquem-na vocês, que eu tratarei de só a mimar, sim?). Brincar contigo. Fazer guerras de cócegas. Levar-te a passear. Oferecer-te gelados às escondidas dos teus pais. Ouvir-te os desabafos sobre namorados. Ou namoradas. Dar-te colo sempre que precisares. Mudar-te fraldas, comprar-te roupa pirosona, tudo para te fazer sorrir.

Ontem, com este mimo gigantesco de me fazerem tua madrinha, os teus pais deram-me, sem saber, um dos dias mais felizes da minha vida. Falta nasceres. Não tenhas pressa, tens tempo. Mas quando chegares, vem certa de que terás à tua espera a madrinha mais orgulhosa do mundo. E mimo, muito!

4 comentários:

  1. Penso exatamente o mesmo que tu, tenho o mesmo conceito de afilhado. ;)
    E a Madalena não sabe mas tem uma sorte dos diabos!

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  2. Também quero muito ser madrinha!!! Deve ser por adorar tanto os meus padrinhos :) Ainda tenho esperança de que um dia este sonho se concretize!

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  3. Posso dizer que este ano serei novamente madrinha da minha 3ª afilhada. E de todas as vezes que me convidaram (que para mim foi sempre uma surpresa) as lágrimas dificilmente se aguentaram :). Tal como escreves, cofiarem em mim este papel encheu-me de alegria e orgulho. Adoro os meus afilhados (as)

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  4. Que carta linda! Foi a inspiração para carta ao meu afilhado.

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Obrigada!