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14 julho 2014

Carta à minha afilhada acabada de nascer

13 de Julho, 1:53. O meu telemóvel toca. Do outro lado, o teu pai, meu irmão-como-se-fosse, diz-me num sussurro que já nasceste. Era 1:36. Abri um sorriso, explodiu-me o peito. Foi o momento mais parecido com os instantes a seguir a ter tido os meus filhos (e tão diferente... porque ali, onde se tem os filhos, há a dor, a ansiedade, há o tempo vivido por dentro). Explodi. Fiquei ali, à beira das lágrimas, feliz, imensamente feliz. Tu chegaste. Tu, Madalena.

Desliguei o telefone e abri as comportas. Chorei. Chorei com os cantos da boca a doer, tamanho o sorriso que acompanhou as lágrimas. Tu chegaste. E apeteceu-me correr para ti, ir dizer-te olá, abraçar-te e dizer que vou estar sempre aqui. Sempre.

Fomos ver-te à tarde. Eu numa ânsia imensa por te ver. Nisto de bebés no hospital, eu sou pela ausência. Prefiro não ir, prefiro dar espaço e tempo e deixar mães e bebés na calma possível (já aconteceu querer ir e não poder, mas isso é outra conversa). Excepto contigo. Excepto com sobrinhos que estão por vir. Fui. E assim que te vi as lágrimas assomaram novamente. És tão bonita, Madalena. Igual à tua irmã Maria, mas mais morena. Como o teu pai. Tens aquele toque dos bebés acabados de chegar, aquele toque que é um perigo para mulheres em idade fértil. Mais tarde perceberás: eu não me encanto com todos os bebés. Há uns que não me dizem nada. Há outros que, de tão beras que são, fazem com que uma pessoa perca a vontade de fazer amor, só para não correr o risco de engravidar. E depois existes tu, Madalena: o exacto oposto disso. Ontem, contigo a dormir no meu colo, questionei por momentos a minha decisão de não querer ter mais filhos. Acho que mais ninguém poderia ter operado esse milagre em mim. Tu, sim, Madalena.

Fiquei ali tanto tempo quanto pude (que a tua avó paterna queria abraçar-te novamente e nós teremos muito tempo para ser madrinha e afilhada), embevecida, apaixonada. Sossegaste-me. Trouxeste-me paz. E aquela certeza muito visceral de que o mundo gira exactamente como tem que ser. A vida trouxe-te, Madalena, e eu sou tão grata por isso.

Aos teus pais, a promessa que não era preciso verbalizar: estou cá para o que precisarem, por ti e pela tua irmã (que amo como a uma sobrinha de sangue que nunca terei). A ti, a promessa que um dia vais sentir na pela: sou tua. Sempre. Ter-me-ás para sempre onde quiseres, como quiseres, como precisares. Espero ser um porto seguro onde saibas que podes sempre largar a âncora. O mimo não se esgota. A vontade de caminhar ao teu lado também não. O amor de madrinha cresce. Contigo.

Ontem dia 13, chegaste. Tu, Madalena. E eu já gosto tanto, tanto de ti.  

3 comentários:

  1. Parabéns, pela chegada da Madalena e pelo nascimento dessa ligação maravilhosa :)

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  2. É a primeira vez que estou no teu blog e gostei muito. Parabéns :)

    http://fromportugaltonyc.blogspot.pt/

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