Depois da tempestade...

julho 31, 2014

Saldo do dia de ontem: que paz!
Acordámos tranquilamente, eles enfiados na minha cama, nos mimos. Tomaram o pequeno-almoço sem guerras, vestiram-se sem guerras. Ela queria um top que já não lhe serve. Ontem teria rebentado uma guerra nuclear; hoje eu expliquei por que não podia vestir aquilo, ela entendeu e acatou o que lhe dei como alternativa. Saímos de casa calmamente.

Fomos a Lisboa com os meus pais, ter com uma tia e uma prima. Em vez de nos metermos num carro (onde não caberíamos todos), fomos de comboio. Eles numa excitação, eu meio ansiosa. À partida, a hora a que íamos não seria complicada, mas com estes dois nunca fiando!

Subimos até ao Chiado, vimos montras, entrámos em lojas e nenhuma altercação de caminho. Pediram-me para almoçarmos no McDonald's; aceitei. Comeram tudo sem birras. Brincaram tranquilamente quando acabaram de comer. Entrámos na Nespresso, eles sentaram-se na escada sossegados enquanto eu e a minha mãe comprámos café. Saímos, descemos para o Rossio. Pediram gelados no caminho. Disse que sim, quando estivessemos a chegar ao comboio comiam. Acataram. Comprámos os gelados em frente à estação, subimos para a plataforma, esperámos pelos meus pais, entrámos no comboio, fizemos a viagem. Nada a apontar. Chegámos à nossa estação, entrámos no carro, voltámos a casa. Pediram para ir ao parque, eu disse que sim. Fomos. Brincaram, correram, divertiram-se, jogaram às escondidas com outros meninos. Enquanto isso, eu li algumas páginas do meu livro. Sem stress. Deixei-os brincar muito tempo e, quando disse que era hora de ir para casa, recebi duas mãos estendidas para mim, para voltarmos ao carro.

Já em casa, pediram iogurtes especiais (uns naturais com smarties) e comeram sem problema. Disse-lhes que era hora do banho. Perguntei se queriam duches ou um banho de espuma (fartinha de saber qual seria a resposta!). Preparei-lhes o banho, deixei-os brincar, pus a sopa a fazer e passei um bocadinho a ferro enquanto ouvia as gargalhadas deles. Lavei-os, tirei-os da banheira e sequei-os. Sequei o cabelo dela com ele por perto. Disse-lhes que podiam brincar até ser hora de ir para a mesa. O pai não demorou muito a chegar.

Jantámos sem guerras. Ela mais lenta, ele mais rápido - como de costume. Comeram tudo. Levantaram-se para ir lavar os dentes e não demoraram mais de cinco minutos a adormecer.

Pelo meio houve muitos abraços, muitos mimos, muitas conversas. Falei muito com ela. Perguntei o que estava a achar do nosso dia. Perguntei se não era melhor assim, sem brigas, sem zangas. Concordou que sim.

O que é que houve de diferente hoje? A televisão. Sempre desligada. Ela hipnotiza com a televisão e é aí que começa a maioria das nossas guerras, com ela congelada e eu a mandá-la fazer coisas simples umas vinte vezes até ela se mexer. Depois eu enervo-me, levanto a voz, ela enerva-se, chora, e acabamos as duas chateadas, angustiadas, a ferver por dentro. Ela diz que consegue estar cinco dias sem ver TV. Vamos ver...

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