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11 julho 2014

Estes dias*



Têm sido dias felizes. Dias de calor são quase sempre assim, entrada directa para o pódio da felicidade (para mim que adoro o Verão, e para os meus miúdos que saem muito à mãe neste aspecto). Ansiámos muito por este tempo. O tempo de acordar cedo e sem birras, de vestir sem empatar, de beber o leite e de agarrar nas coisas rumo à praia. Adoptámos uma praia nova no ano passado e parece-me que tão depressa não a deixaremos. Está-se tão bem ali. Nada de confusões, uma sensação de estar em casa, sabem?

Eles cresceram. No ano passado exigiam mil olhos em cima, precisavam de muito mais apoio. Este ano exigem mil olhos em cima, não por eles, mas por nós (eu e a minha mãe). Brincam sozinhos, já se orientam sozinhos com as águas e as sanduíches, com as uvas e os iogurtes. Adoram brincar à beira-mar, a construir castelos (e a mostrar que não têm grande queda para a arquitectura). Ela adora nadar comigo. Tem medo. Respeita o mar. Não se aventura nas ondas (quase não há ondas, aliás). Pede-me a mão e lança-se, sabendo que eu estou ali para a agarrar caso se atrapalhe. Não atrapalha. A natação está a dar frutos, ela já se safa lindamente. Mas o respeito que tem impede-a de se aventurar e ainda bem. Ele tem medo do mar. Sobe por mim como um koala, agarra-se, abraça-me e tenho que ir conversando com ele enquanto o molho (recuso-me a trazer croquetes para casa!). Digo-lhe que vamos mergulhar e molho-o até aos ombros, quase me ajoelho para que ele se possa molhar, os dois ali abraçados, ele a vencer o medo agarrado à mãe, eu a saborear aquele abraço tão apertado. Depois pego-lhe por debaixo dos braços, de costas para mim, e peço-lhe que bata os pés como a mana faz na natação. Ele bate e diz que está a nadar e aquele momento em que esteve ali entre o riso e o choro (de medo) torna-se numa gargalhada com guinchinhos, Estou a nadar, mãe, olha! Saímos, levo-o ao colo para a toalha, peço-lhe que se deite a secar. Põe-se de barriga para baixo e fica quieto. A irmã pede mil coisas, mil vezes, o tempo todo, non stop, grafonola mode: on. Às vezes diz que vai descansar, estende a toalha e fica deitada - já se nota bem a marca do bikini que a transforma numa menina já sem nada de bebé. Eu consigo ler. É o primeiro ano desde que eles nasceram que consigo ler na praia (mais do que meia página, isto é). Só consigo ler porque a minha mãe também vai e entre uma e outra tomamos conta deles. Eles adoram ir para a beira-mar com a avó, adoram os castelos da avó, os mergulhos com a avó (que tem medo do mar e que só avança até ter água pela anca). Enquanto eles brincam lá em baixo com ela eu leio. A minha mãe aproveita para fazer caminhadas na areia enquanto estamos os três nas toalhas, eles a brincar à sombra do chapéu. Duas horas depois regressamos. Pedem fruta e iogurtes na viagem. Não adormecem de cansaço. Dizem que gostaram muito da praia e perguntam se amanhã vamos outra vez. Vai ser um mês maravilhoso, aposto. O meu tempo preferido, o Verão do calor, do burburinho do mar, do sal no corpo, das marcas do sol na pele, do cansaço que fica depois do banho e depois do almoço, a pedir sestas que ainda não dormi. Se eu pudesse escolher, seria sempre Verão. Eternamente Verão.

*Título descaradamente roubado à Vera.

1 comentário:

Obrigada!