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23 julho 2014

O que fica para lá da meta

Temos um objectivo. Sabemos que vai dar luta, que vai ser difícil, mas temos a certeza absoluta de que chegaremos lá. Lutamos. Descabelamo-nos. Damos tudo o que temos. E um dia chegamos lá. Passamos a meta. Olhamos para trás e vemos o percurso (longo, sempre longo, mesmo que tenha sido curto) que fizemos. E agora? E depois da meta, o que há? Como é que se lida com isto de se alcançar o que se quer? Como é que se gere o "já está, consegui!"?

Não sei. Estou a ter um "hard time" (desculpem o anglicismo, mas não me surge expressão melhor) com isto. Estou a falar de quê? Do peso. Da dieta. Do meu corpo. Daquilo que, durante tanto tempo foi um lado negro da minha vida, mas que deixou de ser. Consegui. Cheguei ao peso que quero? Não, ainda não. Cheguei à forma que quero? Não, ainda não. Mas olho para o espelho e amo o que vejo. Mesmo. Claro que há muito para melhorar, muito a afinar, muito a corrigir, se quiserem. Mas se nada mais acontecer, assim está óptimo. Estou feliz.

E dou por mim a pensar nisto: que processo foi este? Eu era super crítica, super exigente comigo. Continuo a ser. Exijo o máximo de mim, sempre. Não me permito falhas. Ando muitas vezes de mãos dadas com a culpa, porque falho, mas não me autorizo a falhar. De repente, há uns dias, dei por mim a olhar para o espelho com aquele olho clínico que detecta falhas (imperceptíveis para o resto do mundo, gritantes para mim) e... percebi que estou a ficar sem ter o que criticar. E não é que as ditas coisas tenham desaparecido - não desapareceram. Eu é que aprendi a gostar do que vejo. Aceitei-me. Aceito-me. Não quero ser como ninguém. Não é por a A, B ou C ter perdido 15kg que eu também tenho que perder. Não é por A, B ou C serem fitness models que eu também tenho que ser. Deixei de viver por comparação e esse foi o passo de gigante para mim. Deixei de me exigir o que os outros - e só os outros - podem cumprir.

Esta sou eu: 62kg, 26% de massa gorda, anca larga, ombros largos, pouco peito, celulite. Esta sou eu. Sem problemas. Gosto do que vejo, gosto mesmo. Gosto da maneira como a roupa me assenta. Deixei de ter do que me queixar. Deixei de olhar para os defeitos e comecei a olhar para o resto. E fiquei sem ter o que criticar.

Significa isto que vou ficar por aqui? Não. Continuo a ter os mesmos objectivos: 58kg, 18% de massa gorda. Mas em vez de gastar energia a não gostar do que ainda não está como quero, vou aplicá-la a trabalhar para chegar lá. Com uma tranquilidade que não tinha até aqui, sem a angústia de querer tudo para ontem, sem me dar tempo para tentar, errar e tentar de novo.

Estou em paz. E não há peso que pague isso.

3 comentários:

  1. " Esta sou eu. Sem problemas. Gosto do que vejo, gosto mesmo. Gosto da maneira como a roupa me assenta. Deixei de ter do que me queixar. Deixei de olhar para os defeitos e comecei a olhar para o resto. (...) Mas em vez de gastar energia a não gostar do que ainda não está como quero, vou aplicá-la a trabalhar para chegar lá. Com uma tranquilidade que não tinha até aqui, sem a angústia de querer tudo para ontem, sem me dar tempo para tentar, errar e tentar de novo.
    Estou em paz. E não há peso que pague isso."

    Isto é que é a meta. É aqui que nem todos conseguimos chegar.
    Fico feliz por it. :)

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