-->

Páginas

17 setembro 2014

Aranha

Isto não está fácil. Sinto-me uma aranha: oito braços e cada um a fazer uma coisa diferente. Ontem foi um dia do caraças.

Acordar mais tarde do que era suposto. Preparar miúdos e levar a miúda à escola. Deixar o miúdo no avô. Voltar. Treino de uma hora, mais banho. Regressar a casa. Pôr roupa a lavar. Ir ao hospital, para a visita da hora de almoço. Regressar. Apanhar o miúdo, já almoçado. Vir a casa. Passar para Word um texto que estava escrito à mão desde domingo e enviá-lo. Pegar no miúdo e na roupa acabada de lavar e ir buscar a miúda à escola. Ir a casa do meu pai estender a roupa. Vir a casa adiantar outro texto para mandar. Sair com os dois para ir com ela à natação. Regressar a casa. Pôr arroz a cozer. Dar banho ao miúdo. Limpar a casa de banho. Grelhar costeletas para eles comerem com o arroz. Preparar o pequeno-almoço do marido e o da filha. Rapar os ossos das costeletas dos putos encostada à bancada da cozinha. Atender dois telefonemas e aproveitar cinco minutos de sofá. Vestir-me e ir à rua buscar coisas de que a miúda se esqueceu no carro. Vir para o computador acabar o texto começado à tarde e tratar de outro. Digitalizar papéis do meu pai e mandar para quem de direito.

Não tive tempo para almoçar. "Não fosses ao ginásio", diz-me o marido, como se eu pudesse almoçar das 10h às 11h30, que foi o tempo que lá estive. Andei a iogurtes líquidos e bolachas de aveia, sempre enquanto conduzi. Eu sei: não chega. Mas não tem dado para mais. O mais importante agora é a minha mãe (e eu, quando a vou ver, aproveito e mimo-me: não vou lá só por ela; vou também por mim, porque a amo mais do que tudo e porque preciso de a ver bem para sossegar o coração de filha - porque, como já lhe disse várias vezes, ela só tem uma filha, mas eu também só tenho uma mãe!) e os miúdos. E as rotinas. E tudo o que há para fazer. E, parecendo que não, tenho duas casas semi-dependentes de mim e tenho que chegar a todo o lado. Não é fácil mas consegue-se. Não sei bem como, mas consegue-se.

Os meus momentos - de que preciso, a bem da minha sanidade - são o ginásio e a leitura à noite, antes de dormir. É ali que me reencontro e que espaireço, que descanso um bocadinho a cabeça e o corpo (bom, isto só na parte da leitura, mas as endorfinas do ginásio são poderosas para a boa disposição). Quando isto tudo acalmar logo trato de mim. Enfio-me num SPA durante um mês e saio de lá como nova. Bom, e daí talvez não...

[Mas a minha mãe está a melhorar e isso vale mais, muito mais do que ouro!]

4 comentários:

Obrigada!