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30 setembro 2014

Um mês

Há um mês, o meu coração era um novelo esfrangalhado. Tanta incerteza. Tantas dúvidas. Tantos "ses". De repente, o meu mundo colapsou e fugiu-me de debaixo dos pés. Não soube com o que contar. Não soube o que ia vir a seguir. Não consegui ver nada além do minuto que estava a viver. A angústia engolia-me por dentro. E o medo, sempre o medo. Fui tão pequenina naquelas horas. Não no momento de agir, de levar a minha mãe ao hospital, de cuidar dela. Depois. Durante a operação. Enquanto tudo estava na corda bamba e podia pender para qualquer um dos lados. Podia voltar a tê-la. Podia perdê-la para sempre. Chorei muito. Eu, que sou um iceberg, derreti durante a manhã da operação. Vislumbrei o alívio quando soube que tinha corrido tudo bem. Mas ainda não tinha acabado.

Havia o perigo de complicações no pós-operatório. A desafiar as estatísticas, teve-as quase no fim do tempo crítico. Regrediu. Tomaram-se as medidas que havia a tomar e a coisa melhorou. E piorou a seguir. Líquido a mais onde não era suposto estar, e uma nova operação no dia em que passavam três semanas da primeira. Aí, sim, a coisa estabilizou. Saiu dos Cuidados Intensivos. Está na Enfermaria. Já falta pouco para vir para casa.

Mudou muita coisa neste mês. Eu, que duvidei deste Setembro que não me parecia um Ano Novo para mim, hoje percebo que este foi, na verdade, o grande Ano Novo da minha vida. Setembro abriu-me as portas de uma realidade que julguei longínqua. Saí de debaixo das asas da minha mãe. Deixei de ser protegida para ser quem protege. Deixei de ser quem é cuidada para ser quem cuida. Cresci. Levei um banho tal que mudei por dentro. E ainda bem.

Daqui para a frente, a minha mãe precisa de mim. Tanto ou mais do que eu preciso dela. Chegou o meu tempo de mimar, de cuidar de ajudar. Chegou a minha altura de apoiar, de acompanhar, de fazer. E da mesma maneira que a minha mãe nunca me falhou, eu não quero nunca falhar com ela. O amor é o mesmo. O nó é que apertou mais.

[E obrigada, um gigantesco obrigada, a quem tem estado aí, desse lado, a torcer para que tudo corra bem.]

2 comentários:

  1. Primeiro falta-nos o chão, depois não há outra opção que não seja estar à altura.
    Não é fácil ser sempre a "mulher forte", todos precisamos de ajuda e, talvez o mais difícil, seja pedi-la ou aceitá-la antes de ser realmente vital.
    É perseguir esse acreditar de que vai tudo ficar bem, não temos o luxo de pensar diferente ;)

    Beijinhos e força para todos aí em casa.

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  2. Um beijinho muito especial e acredita, em ti que és uma mulher de garra!
    VAI tudo correr bem!

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Obrigada!