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10 outubro 2014

Full time mom

Por força das circunstâncias (da minha mãe), e como já expliquei, assumi de vez o estatuto de mãe a tempo inteiro de cinquenta porcento da minha descendência (os restantes cinquenta porcento andam na escola, como é do conhecimento geral, pelo que não estão comigo o dia todo).

Tem sido tão bom! Ele é mesmo um companheirão. Não gosta muito de estar uma hora e pouco enfiado comigo no ginásio, mas porta-se bem (leva brinquedos, faz olhinhos a uma velhota qualquer e garante babysitter para o tempo que lá estamos). Bebemos café à porta de casa, com ele a deixar-me estar, entre um livro e um jornal, enquanto ele anda entre o dono do café e o ocasional cão que espera o dono lá fora, à porta. Fazemos desenhos, colorimos desenhos, fazemos legos. Ele desarruma, eu arrumo (nem sempre as mesmas coisas, bem entendido). Faço o nosso almoço, quase sempre coisas muito simples ou sobras do dia anterior (hoje, por exemplo, ele comeu massa que sobrou de ontem - juntei salsichas e foi um sucesso - e eu comi arroz que sobrou de ontem - juntei uma lata de atum em água e foi um sucesso). Já não o convenço a dormir a sesta. Deixo-o ver televisão - farta-se depressa e acaba por ir brincar para outro sítio qualquer. Lanchamos. Vamos buscar a irmã à escola. Vamos às compras se for preciso. Levamos a irmã à natação e passamos os quarenta minutos de aula sentados no bar, a beber um chá e uma água.

Colabora com tudo o que lhe peço. Quando me pede que brinque com ele, largo o que estiver a fazer e vou. Rimos muito. Damos beijinhos e abraços apertados. Cantamos canções. Fazemos guerras de cócegas. Ele ajuda-me sempre que peço. Quer fazer as tarefas dele - pôr a mesa, arrumar os brinquedos - e é cada vez mais recorrente ele fazer tudo sem eu ter que pedir sequer.

Eu, que vivi muito tempo com a angústia de não querer assumir esta situação - por achar que precisava de mais para me sentir realizada, por achar que não seria capaz de me dar por inteiro aqui em casa -, ando feliz. Há tudo o resto à volta que me inquieta, mas esta parte, isto de estar com ele a tempo inteiro, tem sido tão bom... (E continuo a ter tempo para as minhas coisas: continuo a escrever, a ler, a fazer bolos, a tratar da casa e da comida...)

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