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01 outubro 2014

O meu filho e eu

O meu pequeno A. tem ficado comigo todos os dias. Vai para o avô quando eu vou ao hospital. A rotina ajusta-se de acordo com as necessidades da minha mãe. São as visitas ao hospital que ditam o com quem e o onde deste pequeno filho.

Tem sido muito bom. Entendemo-nos lindamente. Brincamos, fazemos jogos, fazemos actividades (ele não entrou para o Jardim de Infância, mas eu vou introduzindo alguns conceitos, para o ir preparando e para lhe ir mostrando mundo que ele ainda não viu). Passeamos, vamos às compras, ele ajuda-me, opina, escolhe. Colabora em tudo. Se lhe peço que fique sossegado, ele arranja com o que se entreter. Se me pede para ir ao parque, levo-o e fico ali, presa naquele sorriso pequenino de menino feliz. 

Sei que tem saudades da avó. Muitas. Ele verbaliza. Sabe que ela está doente, que foi operada à cabeça mas que qualquer dia vem para casa. Quando fez duas semanas de avó no hospital, senti. Ele estava a reagir à ausência dela. Mais mimalho, a querer-me para tudo. Percebi que sentia falta daquela companheira que é a avó. Não fizemos alarido. Contornámos a coisa. Fomos falando na avó. Houve um dia em que ele, do alto dos seus três anos e três quartos, me disse assim

Mãe, agora quando chegares ao hospital telefonas ao avô e dás o telefone à avó, que é para eu falar com ela.

Perguntei à enfermeira se podia fazer isso. Podia. Pu-los a falar. Alegria dos dois lados. A minha mãe feliz por ouvir o neto, ele feliz por matar um bocadinho daquela saudade.

Não lhe mostro as fotografias que vou tirando à minha mãe porque não é assim que ele a conhece e não quero ter que explicar suturas e cicatrizes. Mas vou dizendo que ela manda beijinhos, que pergunta por ele. E ele pergunta sempre se ela está quase a vir para casa.

Também nisto a doença da minha mãe alinhou as coisas. Eu e ele estreitámos a ligação. Ele sempre foi muito menino-da-mamã, mas agora está mais. E sempre foi um docinho - continua a ser. Tem sido bom este tempo com ele, para ele. A prova viva de que há mesmo um bright side em tudo o que é mau.

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