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07 novembro 2014

E agora?

Filho pequeno na escola. Filha grande na escola.

E eu quero-preciso-tenho de trabalhar. E enquanto a coisa não se dá, venham a mim as palavras, que deixarei cair no papel-antes-documento-de-Word. E o tempo, que antes era curto, agora parece-me interminável e vazio e eu preciso mesmo de me pôr a mexer.

De vez em quando ouço uns "tu estás tão subaproveitada em casa... tu és capaz de tanto... tu tens força para fazer tanto e estás ali...". Regra geral, este é o tipo de comentário que me envergonha, que me faz sentir pequenina e que me faz sentir que talvez eu não esteja subaproveitada e não dê mesmo para mais do que isto: estar em casa, lavar chão, passar a ferro, ser a socker-mom de serviço e, de entremeio, escrever umas coisas. E depois penso: não, eu estou mesmo subaproveitada e quero mais e sou capaz de mais. E olho para o lado e a roupa por passar impõe-se e volto a ser a stay-at-home-mom que, no tempo das nossas mães, se chamava simplesmente doméstica. Lembro-me de me perguntarem "o que é que a tua mãe faz" e de, na altura em que a minha mãe não trabalhava, eu responder "é doméstica". Hoje, a doméstica sou eu. A modernice do termo americanizado é linda, mas não deixa de ser um paninho quente sobre isto que é um facto: eu, Lénia, 35 anos, licenciada em Publicidade e Marketing, mais de dez anos a trabalhar em agências de comunicação, hoje sou doméstica.

[E que bom que é levar um choque de realidade assim, a uma sexta-feira à tarde, mesmo à beirinha do fim-de-semana...]

2 comentários:

  1. Não estás sozinha: eu, Andreia, licenciada em engenharia quimica, ramo ambiente e qualidade, pós graduação em Técnico superior de segurança e higiene no trabalho, poucos anos a trabalhar em qualquer umas das duas areas, hoje sou doméstica! Com as mesmas lides domésticas, tirando o facto de ter só uma filha. Bjinho e bom fds! Continuação das melhoiras da Mãe!

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  2. Vem ser minha colega no ISPA, voltei a entrar na faculdade para seguir a área que sp foi a minha paixão, Psicologia, na altura estava grávida de 29 semanas do meu filho, já estou no 3o ano. A licenciatura anterior foi Engenharia Civil pelo IST, trabalhei 5 anos na área e não tenho saudades nenhumas do stress, não ter tempo para nada e sobretudo de ir buscar o filhote à creche pelas 19h000. O importante é sentir que estás confortável com as tuas escolhas, o nosso valor, a nossa essência não se altera por estarmos em casa a passar a ferro ou por estarmos a gerir uma equipa numa multinacional. Na altura em que fiquei sem emprego, o teu blog foi inspirador para me ligar ao que realmente é importante para mim e dar um valor ao maravilhoso que é poder ir buscar os meus filhotes 16h15 para os ir levar à piscina, por exemplo. E sim, existem dias em que coloco tudo em causa e me deixo afetar por aquilo que os outros pensam, em que choro por ninguém perceber porque me sinto tão cansada, e que os sacrifícios que nós família fazemos são enormes e que não é fácil gerir tudo. E no fim, estes momentos são tão importantes para novamente me ligar aquilo que EU quero para mim. Beijinhos enormes e obrigada por estares aí

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Obrigada!