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10 dezembro 2014

A minha filha desceu uma nota e a culpa é minha

A minha filha desceu a nota a Matemática e a culpa é minha. No meio das dezenas de bolos para fazer, não tenho tido tempo para a acompanhar como ela merece e precisa. Se me pede ajuda nos trabalhos de casa vejo do que precisa e ajudo. Mas se não me pede, não estou ali ao lado dela, enquanto ela faz os TPC ou enquanto estuda. Porque não tenho tempo.

Isto não é discurso de culpa do tipo "todos os males do mundo são por culpa das mães". Mas isto é efectivamente culpa minha que não a acompanhei.

Ontem, quando vi a nota dela (no ano passado teve sempre Muito Bom, este ano, no primeiro teste, teve Bom e agora teve Suficiente), percebi: eu não posso não estar lá. A minha função, enquanto mãe, é acompanhá-la nas etapas que ela vai vivendo. Não quero ser negligente. Não quero ser a mãe que só está para ralhar, mas que não ajuda a estudar, que não dá ferramentas para ela ter sucesso na escola. Se ela fosse uma miúda com cabeça para Suficiente, não havia nada a fazer, era assim e pronto. Mas não é. Ela tem cabeça de Muito Bom - e isto não é conversa de mãe orgulhosa, que eu sou hiper realista com eles como sou com o resto. Poderá ter estado mais distraída no dia do teste. Pode não ter compreendido o que lhe era pedido. Mas eu nem sequer sei o que saiu no teste. Porque tenho passado os olhos de raspão pelos TPC e só quando ela me pede ajuda com as dúvidas.

Isto tem que mudar. E para que isto mude eu tenho que mudar algumas coisas. Esta, por exemplo: salvo raríssimas excepções, durante a semana não farei bolos. Entregar um bolo a um dia de semana implica chegar a casa ao fim do dia, pôr o bolo no forno e decorá-lo pelo serão fora. E, pelo meio, fazer o jantar, dar banhos, arrumar coisas, tratar de roupas, etc.. Esta nota da minha filha foi o "toque" que me fazia falta para eu perceber que não pode ser. Trabalhar em casa tem desvantagens poderosas: a ausência de um horário de trabalho definido é claramente uma delas. Haverá outros trabalhos-em-casa que permitem fazer melhor esta separação de vida laboral e vida familiar. Os bolos, que acontecem na cozinha - que é o centro nevrálgico da casa - não são um desses trabalhos.

Portanto, avançando. No segundo período, a minha filha terá a mãe de volta. E com força redobrada no campo da Matemática, que a miúda é capaz de bem mais do que Suficiente!

[E porque nem tudo é mau: subiu a nota de Português de Bom para Muito Bom e manteve o Muito Bom de Estudo do Meio.]

5 comentários:

  1. Não acho que se deva estudar com as crianças, deve-se sim ensinar a estudar sozinho e a detectar onde estão as dificuldades para esclarecer! Mais importante é dar-lhe ferramentas para ela ser capaz de manter as notas sozinha. Adoro os teus bolos (visualmente falando) mas na vida há prioridades, e os filhos são uma delas! Beijinhos

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  2. Nunca estudei com ajuda dos pais, mas sempre fui tao severa comigo mesma que nao precisava. Acho, de novo, muito bom este teu post cheio de honestidade, sem banhar tudo em ouro. Mas olha, as boas notas que a tua filha teve, que mereciam mais que um parentesis no fim tb mostram a sua capacidade enquanto pessoa sozinha. Vai ser optimo estares ali, no starting block a apoiar, mas ja tens ai uma miuda que se vai virar bem sozinha. You borned that child. YOU! beijos.

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  3. Sou mais uma das que nunca estudou com os pais e sempre teve boas notas. Pedia ajuda para me perguntarem coisas para os testes, mas, regra geral, estudava sozinha. Também gostei, mais uma vez, tal como a Elitis, muito deste teu texto. A tua honestidade é uma coisas muito boa, a tua não necessidade de pintar as coisas de cor-de-rosa fascina-me. Mas, estava eu a dizer,apesar de nunca ter estudado com os meus pais, acho que o vou fazer com os meus filhos, quando os tiver. Por trabalhar com crianças e jovens em risco percebo, cada dia mais,o bem e a falta que lhes faz serem mais acompanhados. No entanto, um suficiente pode ser só isso - um suficiente numa matéria que ela não captou tão bem ou não gosta tanto. É tentar perceber,ajudar e, de alguma forma minimizar. Algumas vezes não vamos estar no nosso melhor -e não há problema, faz parte da vida. Faz parte sabermos que não somos perfeitos,que temos direito a falhar. E esta aprendizagem é tão essencial como a da escola. No meu caso sei que grande parte do quão exigente hoje sou comigo, e que muitas vezes me leva a um extremo de cansaço desnecessário, foi originada pelos comentários 'não fizeste mais do que a tua obrigação' quando eu tinha um excelente ou 'então, só isso?' quando tinha um muito bom. Ou seja, tal como tu sabes, sim, acompanha, estuda com ela, dá apoio, mas não faças deste suficiente mais do que o que ele é - apenas um suficiente.
    E, já agora, uma coisa que não tem nada a ver: queres abrir uma casa de chá? Queres? É que esse é um sonho meu de há anos e falta-me parceira.

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  4. Revi-me no post...também aconteceu com a minha... mas como dou aulas à noite, nem sempre é fácil, mas, também acho que devem estudar sozinhas e serem apoiadas se necessário. A minha sente-se culpada, por não se ter esforçado o suficiente... mas o 2º período vai ser melhor ;)

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  5. Olá! Percebo o que dizes porque com uma filha no 7.º ano e um no 3.º ano já passei por fases assim. Normalmente acompanho o estudo deles, para tirar dúvidas e ajudar na organização, actualmente ela já faz quase tudo sozinha e eu apenas ajudo nas dúvidas e nas perguntas no final do estudo (e acho que tem de ser assim!).
    De qualquer maneira posso-te adiantar que a matéria de Matemática no 2.º ano dá um grande salto na dificuldade o que se pode reflectir nos resultados, por isso é necessário reforçar um bocadinho o apoio (tanto na escola como em casa). Mas com a tua ajuda ela vai recuperar! ;)

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Obrigada!