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17 dezembro 2014

Letras & Magnólias | Natal

Natal é tempo de dar. Para o último Letras&Magnólias do ano, decidimos que poderíamos dar-vos mais um pouco de nós. Combinámos que enviaríamos uma à outra, sem combinar coisa alguma, cerca de dez perguntas. O envio teria que ser feito ao mesmo tempo para não nos influenciarmos. O resultado são perguntas muitos diferentes e respostas à medida. Aqui podem conhecer melhor a Margarida. As minhas Magnólias estão no blogue do costume.

1. Inteligente, bonita, generosa, simpática. Não te conheço defeitos. Porque os disfarças ou porque não te conheço assim tão bem?
Conheces-me melhor do que muita gente, mas acho que os tento disfarçar :) Sou irritantemente teimosa, muitas vezes extremista, e muitas (demasiadas) vezes insensível. Tenho muita dificuldade em pedir desculpa – comecei a trabalhar nisso há um tempo – e nunca estou calada. E acho que às vezes a minha mania de dizer sempre a verdade, de qualquer forma, também não é lá grande qualidade...


2. Se não fosses jornalista, serias o quê?
Aí está uma pergunta tramada! :) Como sabes, voltei ao jornalismo por não conseguir viver longe dele (pelo menos para já). Cheguei a pensar em ser actriz, mas acho que já não faz muito sentido. Se não fosse jornalista queria ser uma “solucionadora de problemas”. Uma espécie de ‘resolve tudo’ misturada com ‘assistente pessoal’ a larga escala. Imagina: uma pessoa precisa de casa, eu arranjo. Precisa de uma viagem, eu arranjo. Precisa de um pintor, ou de um carpinteiro, ou de roupa, ou de uma empregada, ou de uma baby-sitter, ou de uma reserva na Turquia, e eu arranjo. Acho qe era por aí. Algo que me deixasse ser livre, na mesma :)

3. O que é preciso para te tirar do sério a sério?
Muito pouco, na verdade. A incompetência tira-me do sério; mas acho que é a deslealdade que mais me transtorna. Fico doente com a deslealdade.

4. Ainda há coisas que te chocam ou já viste tudo?

Ainda há coisas que me chocam. Muito. E muitas.
 
5. Como é viver longe da "asa" da mãe? É possível fazer a cumplicidade sobreviver à distância?
Absolutamente. Eu e a minha mãe somo super cúmplices – somos também muito parecidas. A distância significa pouco mais do que isso mesmo: lonjura física que se vai colmatando e que nem chega a doer no coração. Há dias em que custa muito – quando estás muito triste ou muito feliz. Não ter colo custa. Mas, como também já sabes, estamos habituados a isto. À distância. Ao fim de um tempo a distância só aumenta o tanto que temos em comum. E há telefones. E emails. E Skype. As coisas mais importantes continuam a ser partilhadas com ela. A distância muda zero nisso!:)

6. Qual é o teu "sky is the limit" profissional?
Aí está uma pergunta tramada...Gostava de ser algo como ‘Grande Repórter’. Uma pessoa que não tem uma área definida, mas que tem a liberdade – e o conhecimento – suficientes para escrever sobre qualquer coisa, em qualquer lugar. E claro, gostava muito de conseguir juntar o Brasil à minha área de actuação. Continuar a escrever para os jornais de lá, mas cada vez mais, cada vez melhor, cada vez com mais destaque.

7. Se pudesses ter nascido noutra época, noutro lugar... conta-me a história da tua vida.
Nunca pensei muito sobre isso, mas se precisasse de escolher, gostava imenso de ter nascido nos EUA, nos anos 1920. Numa altura em que as mulheres começam a fazer uso dos seus direitos, em que não estão condenadas à submissão, mas onde a vida é mais tranquila. Gostava de conhecer os costumes e as lutas da época. E claro, os modelitos matam-me! :) Já agora, nascer nos EUA dos anos 1920 numa família com algum dinheiro.  Já que posso escolher...

8. Imagina que, num acesso de loucura, concorrias à Casa dos Segredos. Qual seria o teu segredo?
AHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH!!

Que grande acesso de loucura, caramba. A minha vida não é assim tão interessante. Posso não responder a isto? Eu nem sei que tipo de segredos as pessoas têm lá dentro. E são verdadeiros ou falsos?..

9. A pessoa que mais te custou entrevistar ou sobre quem mais te custou escrever foi...?
Custou-me entrevistar o José Gomes Ferreira. Aprendi na minha primeira redacção, no Brasil, que “jornalista não é fonte”. Entrevistar alguém que faz o mesmo que nós mas tem mais 20 anos de carreira não é justo! Ainda assim, uma das entrevistas que exigiu mais de mim foi ao presidente da Petrobras. Entrevistei-o há três anos, era uma miúda, e ele era um dinossauro. Mas no final acho que correu bem... :)

10. Um ódio de estimação: tens?
Not really. Os meus sentimentos vão do  ‘adoro’ ao ‘ignoro’. Acho que foi das melhores coisas que a minha mãe me ensinou: não odiar nada nem alguém. Quer dizer, odeio favas. E açorda. Conta?


11. Timelapse. 2024. Quem é a Margarida?
Uff. No mundo ideal, a Margarida teria quatro filhos (ahah!), e trabalharia para jornais portugueses e brasileiros. Talvez vivesse no Brasil uns meses por ano – era para sonhar, correcto?
Sinceramente, acho que daqui a dez anos vou continuar a ser jornalista, vou ter filhos se tudo correr bem (ou dois ou quatro), e vou viver numa casa pequena e confusa, em Lisboa. Vou continuar a lutar contra a falta de tempo e a querer ter a casa cheia de gente. Vou continuar apaixonada por boas malas e bons sapatos, mas dificilmente terei dinheiro para os comprar. Espero já ter feito mais algumas viagens e ter conhecido pessoas maravilhosas. Espero também não ter perdido a capacidade de aprender todos os dias. Vou continuar a tentar intercalar a Economist com a Vogue, e vou continuar a ver novelas da Globo. E se tudo correr bem, vou continuar a rir-me de mim própria nas alturas mais difíceis.
E vou, sem dúvida, continuar a escrever contigo, embora não saibamos em que formato! 

1 comentário:

Obrigada!