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27 janeiro 2015

Dia de meninas

Desde que lhe prometi que teríamos um dia de meninas, só eu e ela, que andou numa excitação. Perguntou dezenas de vezes quantos dias faltavam para o dia de meninas. Nas vésperas, andou numa de "só já faltam dois dias...", "é já amanhã"...

O nosso dia de meninas foi este domingo. O pai e o pequeno saíram de casa logo de manhã, para... um dia de meninos (que ele não exige, mas que agradece!). Eu e ela ficámos no mimo. Levei-a à missa. Depois, a madame quis ir ao Fórum Sintra e eu alinhei. Estávamos no estacionamento e ela mostra-me uma das botas que tinha calçadas completamente descolada na sola. Primeira paragem: Primark. Não havia nada de jeito. Modalfa: umas botas giras, que lhe serviam mas... achei que apanhava idêntico e mais barato. Não me enganei: Zara, umas botas de pele pretas, a rirem-se para nós. Ela amou. Assim que saímos da loja, pediu para as calçar. Sentei-a e calcei-lhe as botas novas. Passámos numa exposição de Barbies (que está lá há uma vida mas que nunca me tinha chamado a atenção), vimos e conversámos sobre o que vimos. Depois, almoçar. McDonald's para ela, Vitaminas para mim (conselho de amiga: esqueçam a massa sem glúten do Vitaminas. Já comi muita passa sem glúten, de muitas marcas diferentes, mas nunca tinha comido nada tão mau como aquilo. Intragável).

Depois levei-a à Bertrand. Ando numa guerra silenciosa com ela para a encaminhar nisto da leitura. Ela gosta de ler, mas ainda se prende muito com livros muito infantis. Está na altura de começar a fazer a transição e eu vou puxando por ela. Pois que a madame queria comprar um livro/caderno da Violetta. Não deixei. Mas dei-lhe uma alternativa: escolheu um de dois livros indicados para a idade dela (onde os bonecos começam a ser menos do que as palavras) e combinámos que, quando acabar de o ler, lhe compro um livro à escolha dela (com sorte, quando voltarmos à livraria o livro da Violetta já era e ela passa à frente!) e um do mesmo género desde que "escolhi" para ela ler. E quando ela terminar esse, compro outro à escolha dela e mais um à minha escolha... e por aí em diante. A ideia não é obrigá-la a ler coisas de que ela não gosta, mas sim plantar-lhe a sementinha da leitura (e a prova de que ela não anda obrigada é que, sem eu dizer nada, ela tem chegado a casa e tem-se posto a ler o livro; já perguntei se está a gostar e ela diz que sim, muito).

Eu tinha que ir ao Pingo Doce comprar umas coisas. Quando estávamos a caminho, passámos num cabeleireiro. E diz ela: ó mãe, e se cortássemos o cabelo agora? (Já lhe tinha dito que o cabelo dela precisava de um desbaste valente, estava pelo meio das costas e demorava uma vida a secar). Fomos. Passou de cabelo pelo meio das costas para cabelo ligeiramente abaixo dos ombros. Gira, gira, gira.

A seguir, e porque passámos o almoço em contacto com a tia-que-tem-um-bebé-prematuro-que-já-pode-receber-visitas, rumámos a Lisboa, para ir conhecer o primo/sobrinho. E quem é que lá estava? O senhor marido e o mai novo, que foram fazer o mesmo!! Sem problema! Coabitámos ali um bocadinho e depois eles foram-se embora e nós ainda ficámos.

No regresso, adormeceu no carro. Cansada, mas feliz. Ainda queria ter ido ao parque, mas já não deu. Fica para o próximo dia de meninas - tratou logo de negociar que passamos a fazer isto mais vezes.

Durante o dia, portou-se lindamente. Conversámos, rimos, trocámos muitos, muitos mimos. Não teve que competir com ninguém pela minha atenção, não se sentiu ameaçada, não sentiu que não era ela o centro das atenções. Serviu para nos (re)aproximar e para a relembrar do quanto a mãe gosta dela - digo-lhe milhares de vezes que a amo, mas há alturas em que a mensagem simplesmente não chega lá.

Teremos mais dias destes, com mais frequência. É bom para ela, que recebe o mimo todo, e é bom para mim, que não me disperso em mais nada e estou só ali, embora continue preocupada com o resto da vida (o jantar por fazer, etc.). E para nós, nesta dinâmica de mãe e filha, é muito, muito bom, porque nos carrega as baterias do coração e nos dá aquele mimo que faz tanta falta e que às vezes parece estar fora do caminho.

2 comentários:

  1. que maravilha! e que bom que o primo-sobrinho já pode receber visitas!!! yuppiii

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  2. Dia bom! Já agora, que livros compraste para a idade dela? Para a minha Mafalda, que tem a mesma idade, tenho-me inspirado na lista do Plano Nac. de Leitura mas gostava de conhecer outras ideias.
    Beijinho.

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Obrigada!