Ficar para trás

março 18, 2015

Nisto da blogosfera, fui ficando para trás. Não me rendi à prática - que me parece ser cada vez mais comum - de pedir batatinhas a marcas, seja parcerias, produtos, o que for. Não mudei a minha política de nunca expor fotografias dos meus filhos seja em que rede social for (não há fotos dos meus filhos na net, ponto). Não me associei a A, nem a B, nem a C para ir à boleia de protagonismos alheios - as pessoas com quem "apareço" são pessoas de quem gosto fora dos blogs, com quem convivo mesmo que não haja câmeras à vista, de quem sou amiga e não "colega".

Nisto da blogosfera, continuo a ser a mesma pessoa que era há doze anos, quando criei o meu primeiro blog. Eu e um teclado. Eu e palavras, imagens, sons. Claro que as coisas vão acontecendo e não recuso coisas que respeitem as minhas regras (que são muito básicas, na verdade: não mostro os meus filhos, não engano os meus leitores, não faço publicidade encapotada, não peço nada a ninguém, não trabalho de graça).

Dos press releases que me chegam às mãos, mais de metade não vê a luz do dia: tudo o que não tenha nada que ver comigo nem com a minha maneira de estar é barrado à entrada - e isto bate ali naquele ponto de não enganar leitores. Um exemplo: sou incapaz de fazer publicidade a marcas de roupa-de-ir-à-missa que acho horrível e que nunca vestiria aos meus filhos.

Claro que isto tem consequências: não tenho um blog famoso, não sou convidada para programas de TV, não sou opinion-maker. É o preço a pagar pela consciência tranquila. Não me vendo. Nem hoje, nem há doze anos, quando comecei.

Aquilo que me interessa hoje, nisto da blogosfera, é o mesmo que me fez abrir o meu primeiro blog: a escrita. Interessa-me escrever, partilhar, contar histórias. Não me interessa vender-me. Se pudesse lucrar sem me vender, fá-lo-ia. Mas acredito que é impossível, portanto deixo-me estar sossegada no meu canto, com muito menos leitores do que já tive, mas com a certeza de que está aqui a minha verdade. Tudo o que aqui está sou eu. Eu sou muito mais do que o que aqui está - porque há uma coisa a que chamo privacidade e da qual não abdico por valor nenhum.

Continuarei por aqui, mesmo que ninguém me leia. Não faz mal. Ficarão sempre as palavras, as memórias, as histórias. E isso foi sempre o que me motivou.

[E isto é o que acontece quando me ponho a pensar na vida diante de um teclado, já bem depois da uma da manhã...]

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13 comentários

  1. Pronto. E é por isto tudo que te continuo a ler. Agradeço-te por manteres essa integridade. Beijinho

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  2. Não costumo comentar, mas neste post que é tão certo tão verdadeiro não podia de o deixar de fazer! Parabéns por ser honesta e verdadeira. Por isso mesmo, mesmo apesar de não comentar porque nem sempre tenho tempo que isto de ser mãe a tempo inteiro tem muito que se lhe diga, vou continuar por cá deste lado ;)

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  3. claro que há quem te leia, eu por exemplo. eu gosto da autenticidade.
    Bjos

    Maggie

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  4. I'm here! E gosto. Sem publicidade!

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  5. eu mantenho-me leitora dos que são genuínos.... e este é um deles!

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  6. Eu leio. E escrevo contigo. E bebo cafés. E estou a espera de jantar um dia destes quando conseguirmos. A blogosfera é boa por isto: pela verdade que traz, e não pelas ilusão de uma realidade que não existe. Love you girl!!

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  7. É mesmo por isso que continuo aqui desde o primeiro dia que conheci o blogue.

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  8. E eu tb continuo aqui. Afastei-me quando me cheirou a proximidade com as bloggers profissionais. Mas foi uma mau julgamento meu, admito. Continue sempre assim.

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  9. Não sei bem quem tem paciência para as blogger supé-fashion, supé-hip.
    Eu certamente não tenho, com excepção de uma ou duas, mas porque "simpatizo", apesar de passar à frente das marcas & programinhas.
    Também não me batem à porta a oferecer-me coisas, mas também é verdade que já recusei bastantes.
    É como dizes, dormir a saber que não somos vendidas.

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  10. Eu continuo por aqui :) E já há algum tempo é o 1º blog que leio. E também te acompanho no goodreads!
    Não mudes porque gosto/gostamos assim!

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  11. Admiro isso, tanto! Nunca comentei, mas resolvi fazê-lo nesta publicação exatamente por admirar esta postura. Existem certos blogues dos quais gostava, pela qualidade de escrita, conteúdo, que foram "esvaziando" ao longo do tempo devido à máquina (fortíssima) do marketing. Uma pena! Existirem blogues como o seu, que não se vendem, é sinal que não anda tudo apenas atrás da fama e dos cliques, e que ainda há genuinidade neste mundo digital. Que hoje em dia já tenho alguma dificuldade em perceber se as publicações refletem opiniões verdadeiras e isentas, ou foram simplesmente pagos.

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  12. Já leio o seu blogue há muito tempo e gosto dele exatamente pela sua autenticidade, simplicidade e conteúdo inteligente. Além disso, sabe escrever, o que, salvo raras e excelentes exceções, é uma raridade na blogosfera, onde tropeçamos constantemente em erros gramaticais, frases mal construídas e lugares-comuns. Quando leio os chamados blogues "opinion makers", só encontro banalidades e "chavões". Não acrescentam nada de novo. E depois, para cúmulo da paciência, papagueiam todos os mesmos conteúdos. O facto de terem muitas visualizações não significa que sejam bons. No fundo, é como os livros. Os bestsellers nem sempre primam pela qualidade. Portanto, mantenha-se fiel ao que é, porque há muita gente a gostar de lê-la :)

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  13. Descobri o seu blog tem pouco tempo mas fiquei fã pela autenticidade, pelo simples prazer, que se denota, que tem ao escrever.

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Obrigada!

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