-->

Páginas

12 março 2015

O peso de falhar

No ano passado, cansada de não gostar do que via ao espelho quando olhava para mim, achei que bastava e fiz-me à vida. Parei de comer tudo o que me fazia mal, aprendi a gostar de coisas que achava impensável comer e passei a treinar como deve ser no ginásio - sem andar a brincar às aulas de grupo, que são super divertidas mas não chegavam para me levar onde eu queria. No espaço de dois meses, give or take, perdi cinco quilos. Faltava perder três. Deixei-me estar. Retraí-me. Continuei a comer bem e a treinar bem, mas houve ali um travão que, na altura, eu não consegui reconhecer.

Entretanto, a Páscoa. Fui para o Alentejo, para casa de uma tia, e perdi por completo o controlo da minha alimentação. Estava numa casa que não era minha e onde simplesmente não tinha opções saudáveis. Estive lá três dias a almoçar e a jantar coisas fritas acompanhadas de batatas fritas e de arroz. "Ah, não comias, ou comias salada". Se não comesse, não comia de todo porque não havia mesmo mais nada para comer. Portanto, comi. Cheguei a casa inchadíssima, com mais três quilos e rendi-me. Andei por ali até ao Verão.

Em Agosto, a doença da minha mãe. Menos quatro quilos novamente, só à conta dos nervos. Andava com as calças a cair e nem consegui comemorar isso ou usar isso a meu favor porque o foco estava na minha mãe e queria lá eu bem saber se emagrecia ou se engordava - queria era que ela se curasse e voltasse a casa, para ao pé de nós. Voltou.

E com a recuperação da minha mãe, eu também recuperei. O apetite e o que que-se-lixe. A minha mãe voltou para casa em Outubro, quando já havia decorações (e doces) de Natal espalhadas por aí. E eu, que sempre tive esta malapata com o Natal, vacilei. E o que-se-lixe ganhou o jogo. Engordei cinco quilos. Voltei ao ponto de partida do dia 1 de Janeiro de 2014. E aproveitei que estava a chegar a 1 de Janeiro de 2015 e tentei repetir a história. Só que esqueci-me que, por muito que a minha vontade seja a mesma, as circunstâncias mudaram e a minha vida não está igual. No ano passado, tinha dois bolos por fim-de-semana para fazer, três mais raramente, quatro era coisa mesmo só muito de vez em quando. Este ano, quatro é o normal, seis é comum, sete foi o máximo que fiz. E começo a trabalhar à quinta-feira, directamente até domingo. Chego a segunda-feira com a casa de pernas para o ar, com uma montanha de roupa para tratar, cansadíssima e sem vontade de nada. Portanto, desde o início do ano, tenho conseguido treinar apenas uma a duas vezes por semana. Entretanto fiz anos, apareceu o curso de escrita de romance e às quartas não treino. Quintas e sextas já ando de volta dos bolos, e recomeça a dança. Portanto, numa semana boa, treino segunda e terça. E tem sido assim.

Claro que a história de Janeiro de 2014 não se repetiu. Peso menos um quilo do que pesava no início do ano passado. As calças que me caíam pelas pernas abaixo na altura da doença da minha mãe agora ficam justas nas pernas e nas ancas e na barriga. As camisolas não assentam e, bem, resumindo, pareço uma texuga. E tenho noção disso. Continuo a ter cuidado com a comida, mas o ginásio dá-me aquela motivação extra para cumprir planos alimentares sem desvios e chateia-me muito não conseguir treinar mais.

Eu sei que a vontade está cá. Mas parece que deixei de saber como. E é estúpido, porque há um ano soube exactamente como e funcionou. E agora não tem funcionado. E eu, a eterna idiota amedrontada, continuo tolhida de medo. Tenho medo de não conseguir, tenho medo de falhar, tenho medo de não me cumprir. E ando aqui, a ver se passo entre os pingos da chuva (que não passo que estou demasiado gorda para isso, obviamente).

Falhei. Não é fácil falar sobre isso. Não é fácil assumir isso. Mas é a minha verdade e isso sempre foi o fio condutor do que se passa aqui no blog, por isso achei que mereciam saber a razão do meu silêncio acerca disto. Na verdade, tenho medo de continuar a tentar e de continuar a não conseguir. E tenho vergonha - tanta - de ter estado quase onde eu queria e de ter deitado tudo a perder. A culpa é minha, apenas, e isso não é fácil de assumir, muito menos de verbalizar e menos ainda de expor. Mas aqui está. Porque sou de carne e de osso e de sangue e falho. Sem problemas.

Sei para onde quero ir. Sei que, se tentar, consigo. E sei que, dadas as minhas actuais condicionantes, estou a fazer o melhor que posso e que sei. E a Páscoa está quase aí e vou de novo passar uns dias a casa da tia dos bifes fritos com batatas fritas e não sei muito bem como gerir a coisa. Na volta levo um panelão de sopa comigo. Só não quero mesmo voltar a sentir que não tive opções, que não tive como dar a volta e que, por isso, desisti. Não quero mais o que-se-lixe, não quero mais o perdido-por-cem-perdido-por-mil. Quero o meu caminho de volta. Um passinho de cada vez.

4 comentários:

  1. em vez de pensar q falhaste, pensa q ja conseguiste. q houve uma altura q fizeste o mais certo e q resultou... é so voltar a faze-lo..e do falhar tiram-se ensinamentos, não é tempo perdido: é tempo investido. e leva a panela de sopa se achas q vai resultar. na casa da tia, ate pode haver fritos e doces, mas de certeza q ha hortalicas e provavelmente das melhores... bjo!

    ResponderEliminar
  2. Body by Mimo é o que te posso dizer. Estou a ser acompanhada pelo João e foi a melhoor atitude que tomei em 2015. É espetacular, como fazer parte de uma família. Procura no facebook :) (e sim, comecei à pouco tempo e estou a ter resultados... sem dramas, sem deixar de comer, sem sofrimento). Vale o investimento!

    ResponderEliminar
  3. Não te pressiones demasiado. Vais ver que, naturalmente, aos poucos, vais voltar a ser quem eras, a estar onde estavas. O que te deve mover é a necessidade de te sentires bem e de ser saudável. O resto - a definição muscular, os kgs a menos - vem nos resultados :) (tu já sabes isso tudo, portanto go girl) :)

    ResponderEliminar
  4. Não dúvides que consegue! Leva a mala de pique-nique contigo, é o que faço sempre que vou para fora. Faço uma alimentação diferente, mas o essencial levo comigo! Segue tudo, bimby incluida, sem desculpas. Olha para a tua agenda diária, e vais ver que aos poucos consegues encaixar horas de treino, aqui ou ali. Estava exactamente como tu até há 4 dias atrás, agora ginásio todos os dias na hora de almoço, não treino 2 horas treino 1, mas mexo o rabo!
    Esquece o que os outros pensam ou dizem, tu é que contas!
    Força e beijocas e continua o excelente trabalho em todas as frentes <3

    ResponderEliminar

Obrigada!