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25 maio 2015

Correr

Continuo meio perdida. Recuso-me a pesar o que como e a contar calorias. A imaginação já viu melhores dias. São mais os dias em que não treino do que os dias em que treino. Tenho abusado (consciente de que estou a abusar) com mais frequência do que era suposto. Ando a ignorar a intolerância ao glúten (e depois a arcar com as consequências disso). Esqueço-me de beber água e, mesmo quando estou cheia de sede, o mais normal é não beber o que preciso.

E apetece-me correr. Tenho muitas saudades de correr muito. E depressa. Apetece-me calçar os ténis e largar a correr sem regras, sem querer saber, até aguentar, até as pernas, o coração ou a cabeça cederem. Não é vontade de me mexer, de fazer mais, de voltar a cumprir planos de treino. É vontade de correr só por correr. Porque me apetece. Porque gosto muito - tanto! - de correr. Não gosto (só) da sensação de dever cumprido, meta cortada, chegar ao fim. Gosto do percurso, do entretanto, da corrida em si. Gosto de ouvir os passos no chão, tum tum tum tum tum, ritmados, gosto do suor a escorrer pelas têmporas, gosto da respiração pesada, gosto de achar que já não consigo e depois afinal ainda corro mais dois quilómetros. Gosto do desafio. Gosto de saber que ali sou sempre capaz. Pode demorar uma, duas, dez corridas, mas chego sempre onde quero. Na corrida nunca me desiludo. Nunca fico aquém do que espero de mim. Na corrida ganho sempre. Mesmo que só corra um quilómetro e demore 10 minutos a corrê-lo (não acontece, mas podia acontecer). Na corrida, enquanto corro, acredito sempre que sou capaz de tudo. E esta é capaz de ser a sensação mais poderosa de todas. Só me falta replicá-la no resto. Na vida.

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