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04 maio 2015

Sobre o Dia da Mãe

Ontem senti-me mais filha do que mãe. Eu explico: desde que a minha mãe adoeceu que, à boa maneira da humanidade, passei a dar-lhe muito mais valor. Temos sempre aquela ideia longínqua de que, um dia, os nossos pais hão-de morrer e ficaremos sem eles. Quando a ideia deixa de ser longínqua e passa a estar ali presa e não sabemos muito bem com o que contar, o caso muda de figura.

Eu já amava a minha mãe antes de ela adoecer - óbvio. Mas depois da doença dela os abraços passaram a demorar mais, os beijinhos multiplicaram-se e de vez em quando já se verbaliza qualquer coisa - e já volto a esta parte da verbalização.

Bom, ontem, dia da Mãe, andei na minha vida: acabar um bolo de aniversário, ir com os miúdos levar o bolo e ficar um bocadinho na respectiva festa, voltar a casa. De caminho, comprei um ramo de flores (que andou a passear connosco) e, no regresso, fui levá-lo à minha mãe. Impensável não ir lá dar-lhe um abraço e um beijinho extra por ser dia da Mãe.

Dos meus filhos: pequeno-almoço na cama (mas fizeram o favor de me acordar... pfff...!) e uma geribéria branca que está a fazer companhia a umas margaridas selvagens que apanhei num terreno baldio aqui ao pé e ao molho de margaridas que comprei para mim.

[De volta ali àquela coisa da verbalização: desde que os meus filhos nasceram que passo a vida a dizer-lhes que os amo. Isto é novidade geracional, não é? Não me lembro de ter ouvido um "amo-te" vindo da minha mãe e, talvez por isso, não lhos consigo dizer também. Parece que há ali uma barreira qualquer que não consigo derrubar. Convosco é igual ou já eram "amo-tes" à fartazana lá por casa, quando vocês eram miúdos?] 

5 comentários:

  1. Eu acredito que seja mais geracional, vejo pessoas da nossa idade muito mais confortáveis com o termo e a usá-lo com frequência. Em minha casa, apesar de termos sido sempre carinhosos o termo "amo-te" não era o mais usual, era até bastante raro, proliferavam os "gosto muito de ti", "fazia tudo por ti", "és a/o melhor do mundo" "tenho tanta sorte em vos ter". No entanto passei a ter "amo-tes" com frequência por parte do meu pai quando a minha mãe morreu. Ficou muito mais carinhoso e verbaliza com muito mais frequência do que alguma vez o fez.
    Talvez seja esta coisa de precisar de perder para dar valor. Durante todo o processo da doença também o ouvi a dizê-lo à minha mãe e nunca o tinha ouvido antes.
    Eu dou valor a este carinho todo, mas confesso que ainda estranho muito, nunca foi um hábito e eu já era adulta quando passou a ser. Não tenho dúvidas que o amo, mas responder parece-me sempre que soa a falso. À minha irmã consigo dizer por vezes, mas na maioria das vezes parece-me um pouco estranho. No entanto sou apologista que devemos dizer o quanto gostamos dos nossos todos os dias.

    Um beijinho para ti e para a tua mãe, e que tudo continue a correr pelo melhor, que ela cá continue por muitos anos.**

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  2. Same here. Os meus pais sempre foram carinhosos comigo (mais do que eu com eles), mas essa verbalização não existe. Mas sem dúvida que iriei dizê-lo muito aos meus filhos quando for altura disso :)

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  3. Sou como tu... não verbalizo os amo-te cá por casa - e acho que nunca o fiz mesmo em miúda. O que não significa, obviamente, que não o sinta. Mas, lá está, não sei se é por não ser comum - não me lembro de os meus pais o terem dito alguma vez apesar de também não duvidar nem por um segundo do amor que têm por mim - ou se pelo peso da palavra (parece que em português tem um peso tão maior, não é?), nunca passo do pensamento/sentimento à verbalização da coisa.

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  4. Também não... Não verbalizamos esse amor. Com os meus filhos sim, muito! Com a minha mãe, não. Nem com o meu pai quando ele era vivo. O amor está lá, claro, sempre, mas é vivido e verbalizado de forma bem diferente do que faço com os meus filhos. E prefiro como faço agora, com muito amo-tem muitas verbalizações e abraços.

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  5. Verbalizo-o todos os dias com o meu marido e filhas, mas nunca foi assim verbalizado com a restante família (pais e irmãos)....ainda de bem que estamos a mudar :)

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Obrigada!