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16 julho 2015

Sobre a vida nova

Estou a amar cada segundo. Acordo sempre bem disposta e não tenho pena de não poder ficar até mais tarde, não tenho pena de não poder ter o dia todo para mim, não tenho pena de não estar em casa. Despacho-me, despacho os miúdos e os desvios de tempo não ultrapassam os dez minutos. Apanho o comboio tranquilamente, vou a ler ou a brincar com as redes sociais. Chego a Lisboa e demoro sempre um segundo a mais a olhar para qualquer coisa nova para mim: um letreiro, umas águas-furtadas, um resquício da noite anterior, as pessoas que passeiam por ali, a maneira como o sol bate nas fontes do Rossio. Entro na Rua Augusta e vou por ali até ter de virar para a minha rua. Faço o resto do caminho sem percalços. Subo dois andares de escadas, entro, faço um chá, tiro um café, pego num iogurte e instalo-me na minha secretária. Quando dou por isso está alguém a perguntar onde vamos almoçar hoje. Nem sempre vou almoçar fora, mas quando vou tem sido em dias de irmos a sítios giros e que vale a pena conhecer. Voltamos, mais um café, trabalho, e a meio da tarde (ainda agora almoçámos, como é que já passou meia tarde??) alguém desafia para o lanche. Este departamento não é o meu preferido, que não alinho em bolos e evito gelados na base do abuso. Em menos de nada são sete da tarde (ou mais), o tempo voou e eu não dei por ele passar. Arrumo tudo, desligo cabos, guardo o que tenho a guardar e saio, nas calmas, em direcção ao Rossio. Volto à Rua Augusta, onde os turistas entretanto se multiplicaram. Apanho o comboio e demoro meia hora a chegar. Por norma vou sozinha, a não ser que a minha colega que mora perto de mim saia à mesma hora. Chego ao destino, apanho o carro (ou, caso tenha deixado o carro à porta dos meus pais, vai o meu pai com os miúdos buscar-me à estação), subo em direcção a casa. E esta é a parte menos boa do dia: pensar no jantar, tentar que consigamos comer antes das 22h (não é fácil!), tentar que nos deitemos antes da meia-noite (este post está a ser escrito à 1h44...). Preparo tudo o que vou levar no dia a seguir, trato de mim, deito-me, ligo o Kobo e duas páginas depois já adormeci.

No meio disto, o que é que caiu? O ginásio: raramente consigo ir. E o livro: mais raramente ainda consigo escrever. Mas uma coisa de cada vez. As rotinas diárias já estão implementadas, o resto vai com o tempo. E com calma. E com vontade.

Por enquanto, a certeza: era mesmo disto que eu precisava. Era aqui. É aqui. 

5 comentários:

  1. Fico tão contente por ti :) porque sei que mereces e estás a fazer o máximo por ser a melhor versão de ti que consigas!

    Eu também vou mudar agora em Agosto (ahhh novidades!! :D), mas estou bastante preocupada com as novas rotinas e a adaptação...mais pelo mais pequeno, que vai passar a estar mais tempo que o que eu gostaria na escola. A falta que o apoio da família faz!
    Mas é como te dizes: ir adaptando e esperar pelo melhor! Se estivermos bem, os nossos também vão estar :)

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  2. Também fico muito contente por ti, Lénia. Especialmente porque, não gostando do que estou a fazer, nem do horário que tenho, percebo ainda mais a importância de fazermos o que gostamos. Espero que continue tudo a correr o melhor possível.
    Um beijinho

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  3. O ginásio, umas semanas não se consegue vez nenhuma, outras 1 vez, outras 2 e na loucura 3 :) É a nossa ginástica diária do tempo, acho que o mais importante é aceitar que fazemos o que conseguimos e que é muitoooo. Boa continuação :*

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  4. Adorei este texto! Transmitiu-me paz!

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Obrigada!