-->

Páginas

29 agosto 2015

Estrada Velha Ten Year Reunion - A Prequela

Viajemos no tempo: 2003. Março. Um amigo de faculdade convida-me para jantar com ele em casa do irmão dele. Estaria presente o irmão e a namorada e nós os dois. Não me lembro do que jantámos. Lembro-me de que bebemos. Mais do que o autorizado por lei (mas não íamos a lado nenhum a seguir, portanto ninguém estava muito preocupado com isso). A noite acabou com os dois irmãos a chorarem nos braços um do outro - e esta noite mudou a vida daqueles dois de uma maneira incrível - e com a namorada do dono da casa a carpir as mágoas de um namoro que estava beliscado - ou talvez não estivesse, mas o álcool já era mesmo muito e portanto talvez isto não seja exactamente assim.

Não muitos dias depois houve ali uma dança de cadeiras e eu e o dono da casa começámos a namorar. Foi ele que me levou a assistir aos treinos de Karate dele, foi ele que fez com que me apaixonasse por aquilo e que começasse a treinar, foi ele que me ensinou uma data de coisas acerca de comida como deve ser, foi ele que me apresentou uma data de gente muito porreira, com quem passei a sair sempre. De caminho, obviamente, ganhei uma inimiga figadal: a ex-namorada que, compreensivelmente, não percebeu como é que de repente a coisa se deu desta maneira. O meu namoro com ele durou três meses e acabou no dia em que comecei a escrever o meu primeiro blog. Apesar disso, continuei a sair com eles todos os fins-de-semana. Toda a gente se dava lindamente - excepto a ex-namorada, que passou um ano e tal a rosnar cada vez que me via.

Depois houve um dia que, movidas a álcool, eu e ela conversámos e enterrámos os machados de guerra (o machado de guerra, singular, que eu sempre lidei bem com o facto de ela continuar presente naquele grupo - mesmo depois de eu e ele nos termos separado e de ela se ter aproximado dele novamente). Tornámo-nos amigas e, mesmo depois de deixarmos de ir tanto para o ex-sítio do costume, saíamos imensas vezes juntas (desconfio que isto de lidar bem com ex-namoradas de namorados meus e com namoradas de ex-namorados é um talento que eu tenho).

Entretanto a vida aconteceu e eu deixei de sair com eles. Fui mãe e essa parte da história vocês sabem.

Há coisa de um mês, ela e um dos rapazes do grupo lembraram-se de organizar uma saída do pessoal do costume, para o sítio do costume. Custou a acertar a data mas lá conseguimos. Foi ontem.

Fui buscar a tal amiga a casa ("quem vos viu e quem vos vê", ouviu-se por lá) e fomos para Sintra. Reunimos um grupo jeitoso, onde mesmo assim faltaram pessoas que não puderam mesmo aparecer. Para começo de conversa, tequillas para toda a gente. Ouch. Promete... A seguir, para mim, um café. Mais copos e... tequillas round 2. Ouch. Sai mais um café para a menina. À saída, depois de muito facilmente termos feito desistir quem estava nas mesas ao pé de nós, mais uma rodada de uma coisa qualquer (Ti Maria, seria?), rodada essa que não bebi porque tinha um carro à espera. Pelo meio, muitas gargalhadas, muitas fotos, muita conversa posta em dia, muito disparate à moda antiga - nada de grave, contudo. Ficámos até ao final da noite, altura em que tocou o icónico "My Way", do Sinatra, que nos pôs a todos a cantar (ou então foi o álcool, não consigo precisar).

Duas e meia da manhã. E agora? Siga para um bar que fica perto da minha casa e onde devo ter ido umas três vezes, já a contar com ontem. Cenário: senhora do negócio da carne (como diz a Kiki do Família de 3 e 1/2) encostada à porta a falar com um senhor (cliente?). Lá dentro, uma nuvem de fumo. Gente a compor a sala. E um karaoke com uma música estranhíssima. Cantámos, dançámos, bebemos. Mais fotos. Mais gargalhadas. Kizomba a animar a coisa (recordo-vos de que estamos no gueto, ok?). E fomos ficando. Uns quase de gatas, outros nem por isso. A coisa acabou às seis da manhã, quando o bar fechou. E nós todos genuinamente com pena das horas que passaram a correr. E com pena da ideia de deixarmos passar mais dez anos até repetirmos isto.

Foi mesmo, mesmo bom. Foi bom rever aquela gente toda, foi bom recordar histórias, foi bom matar saudades. Acho mesmo que devíamos fazer um jantar de Natal este ano, onde talvez fosse possível reunir ainda mais gente: os emigrados, os que estavam de férias agora e os que se baldaram ontem. Vamos tratar disso, maltinha?

[Obrigada a todos pela noite espectacular. Foi mesmo bom!! Rodas, aqui está o texto que pediste. Calculo que não te lembres de um décimo do que se passou, mas não faz mal: está tudo aqui! E há fotos no chat do Facebook.]

1 comentário:

Obrigada!