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26 agosto 2015

"Perguntem a Sarah Gross"

Eu achava que já se tinha escrito tudo sobre Auschwitz. Bom, escreveu-se quase tudo. Faltava este livro. Comecei a ler sem investigar a fundo sobre ele. Sabia que valeria a pena mas não estava preparada para o que aconteceu a seguir. 

A escrita é simples, cinematográfica, nada rebuscada, nada desnecessariamente complexa. Começamos a ler e damos connosco em Shelton e damos connosco em Oshpitzin e damos connosco sentados ao lado daquelas personagens todas. Aquelas pessoas existem, são reais, feitas de carne, osso e passado e conseguimos vê-las e senti-las como se as tivéssemos à nossa frente.

A história constrói-se devagar. Vamos mergulhando e, quando damos por nós, estamos a muitos metros de profundidade, mergulhados sem botija. E falta-nos o ar. E falta-nos o chão. 


Há muitos anos, quando li o "Ensaio Sobre a Cegueira", dei por mim sufocada, sem conseguir respirar, tal era a densidade da trama e a mestria com que estava escrita. Ontem, a ler os capítulos finais de "Perguntem a Sarah Gross", voltei a sentir o mesmo. Ou mais ainda: chorei. Dei por mim de lágrimas a escorrer pela cara. Uma angústia sem fim. E foi muito difícil regressar à superfície.

Este livro foi finalista do Prémio Leya - devia ter sido vencedor, sem dúvida nenhuma (não que o vencedor não tenha mérito, mas isso é pano para outra conversa).


Este livro, insuspeito e ainda sem passado (editado há pouco tempo, a fazer o seu caminho devagar, como é normal na obra de um escritor em início de carreira), tornou-se num dos meus livros preferidos. Hei-de sempre lembrar-me de Sarah, de Esther, de Daniel (principalmente de Daniel).


Acredito que aos escritores, mais do que contar histórias, interessa fazer com que os leitores sintam coisas. Nem sempre acontece - quantos livros já lemos que não nos fizeram sentir nada, não por serem maus ou por estarem mal escritos, mas apenas porque lhes falta aquele ingrediente secreto que só os grandes escritores conseguem utilizar? Este livro tem este mérito maior: faz-nos sentir. Mexe-nos com as entranhas, revolta-nos a alma, desassossega-nos.


Leiam. Explorem. Descubram o que esteve para lá de Auschwitz. Este livro é absolutamente imperdível e acredito que ficará certamente mais pobre quem passar pela vida sem o ler.

3 comentários:

  1. Estou convencida. Vou tratar de o ler brevemente. ;)

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  2. bolas, que avaliação tão emocionada. comprei este livro na Feira do Livro por duas razões: pela sinopse e por ter sido finalistas do prémio Leya (já li alguns e nunca me desiludiram). mesmo sem ainda ter lido, já percebi que fiz a aposta certa e que vou adorar. :)

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  3. Já está na minha lista de must read. Obrigada pela tua apreciação. Embora eu já tivesse passado os olhos pela sinopse ajudaste bastante a avançar para comprar o livro. :)

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Obrigada!