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24 agosto 2015

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

Demorei nove anos e meio a decidir o que seria a minha segunda tatuagem. Queria uma referência ao meu escritor preferido, mas não sabia mais nada. Até que uma ideia começou a ganhar forma e força e eu soube que era aquilo.

Queria linhas finas. Não queria sombras nem cores nem preenchimentos. Só traços. Finos. Depois foi a busca pelo tatuador certo. Não me apetecia nada enfiar-me num estúdio daqueles que são retratos fiéis dos anos 50 e 60. Não me apetecia pôr-me nas mãos de tatuadores que fazem aquelas tatuagens normais, que são fabulosas, mas que não são nada do que queria. Vi muitos tatuadores que fazem o tipo de trabalho que eu queria no Instagram. Mas por cá... nada. Pedi ajuda no facebook do blog. E uma leitora (obrigada, Marta!!) apresentou-me a Susboom Tattoo. Vi o portfolio. Apaixonei-me dezenas de vezes. Era aquilo! Contactei-os, disse o que queria, como queria. Combinei dia e hora. Foi sábado, dia 22. Fui lá, o Vesna mostrou-me o desenho que tinha feito para mim e... não me convenceu. Havia ali dois elementos que não eram o que eu idealizei. Falámos, ele adaptou ao que eu queria. Preparou tudo com o maior cuidado, preparou-me a mim. Deitei-me na maca, numa posição estranhíssima e muito pouco confortável. Estava quase. Os primeiros traços foram bisturis a rasgar-me a pele. A frio. Depois passou. Houve partes em que não senti nada. Ao fim de algum tempo, o nosso corpo entra em auto-anestesia e deixa de se sentir dor. Só uma impressão. Foram duas horas e meia. O que me doía mais nem era a pele. Era o ombro, por causa da tal posição esquisita. Não podia falar, mal podia respirar como deve ser porque qualquer coisa que eu fizesse podia significar um traço ao lado. Levei companhia. Parei a meio para deixar a pele desinchar um bocadinho e para ver se estava a ir pelo caminho certo. Estava. Voltei à maca para os acabamentos, já pensar na próxima tatuagem que vou fazer. Esta não está a nove anos de ser executada. Já sei exactamente o que quero, onde quero e quem quero que ma faça. Voltarei às mãos do Vesna. E espero que seja em breve. Por enquanto, esta era exactamente o que sonhei. O que quis. O que me faz sentido gravar na pele. A história que quero contada em mim.

2 comentários:

  1. É muito gira! Também gosto dessas assim, só com os traços, sem cores, sem sombras, sem coisas complicadas.

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  2. O problema dessas tatuagens assim fininhas, é que com o tempo a tinta esbate e ficam manchas. Por isso não as vês com frequência.

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Obrigada!