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02 dezembro 2015

Leonor

Já é o teu dia. Fazes oito anos. Oito. O tempo galopou por nós, não foi, meu amor? É um cliché, mas ainda ontem te tinha aninhada nos meus braços, pequena e acabada de chegar aqui, a este sítio nem sempre pacífico, nem sempre confuso a que chamamos casa. Ainda ontem eras uma almofada doce que adormecia no meu colo, embalada pelo bater do meu coração, pelo calor do meu corpo, pelo cheiro que reconhecias como teu. Éramos as duas, tu e eu, uma só. Depois vieram os dias e o mundo foi-nos afastando - nada de inesperado, porém!, é assim que funciona: conforme vais crescendo vais caminhando para longe, sabendo que tens aqui o colo onde vais caber para sempre, mesmo que tenhas 30 anos e sejas muito maior do que eu.

Às vezes, ver-te crescer entristece-me. Não me entendas mal - não há nada que me deixe mais feliz do que ver as pessoas em que tu e o teu irmão se estão a tornar. Mas reconheço em ti tanto de mim que chega a doer. Herdaste o bom. E um bocadinho do mau - não dava para teres um feitio um bocadinho menos difícil, não? Olho para ti e revejo-me em tanta coisa... Eu também tive oito anos e lembro-me bem. Foram as primeiras dúvidas, a sede de afirmação, a procura pelo meu lugar. Fui-me instalando devagarinho naquilo que sou hoje, tal como tu estás a fazer.

Às vezes, és um pequeno diabinho. Esticas a corda e ela, invariavelmente, acaba por partir. Mas pegamos nas pontas e damos outro nó e a corda volta a poder ser esticada. Sei que te ralho mais do que queria. Sei que sou exigente contigo. Porque sei do que és capaz e acho que não deves contentar-te com nada menos do que aquilo que mereces.

Às vezes, és a maior doçura do mundo. Como ontem à noite, quando te perguntei que decoração querias no teu bolo e me respondeste que querias só um mocho e que não querias que eu tivesse muito trabalho. Quando me dizes que adoras fazer programas comigo. Quando brincas com o teu irmão e lhe ensinas coisas que acabaste de aprender. Quando agarras o pai com força e dizes que não o trocavas por nenhum outro.

Sabes, sou muito mais feliz porque te tenho. Tu desafias-me, levas-me tantas vezes ao limite, mas ensinas-me tanto, tanto. Ensinaste-me a tolerância e a paciência. Ainda não sou a pessoa mais tolerante nem a pessoa mais paciente do mundo, mas já fiz um bom bocado desta estrada. E vou continuar a fazer.

Ontem à noite, quando o teu dia chegou, fui à tua cama e aninhei-me em ti, no gesto inverso ao que fizemos quando nasceste e dormiste, pela primeira vez, na curva do meu peito. Ontem à noite, ao teu lado na tua cama, agradeci por te ter e pelo tanto que temos juntas.

Não sou a melhor mãe do mundo. Mas tu és a melhor filha. E eu não te trocava por nenhuma outra, nem queria outra além de ti.

E tudo o que eu quero é que sejas feliz. Sempre feliz. Tão feliz. Que aprendas que terás tudo aquilo por que lutares. Que só não consegues se desistires. Que és capaz de dobrar o mundo. Que o teu sorriso vale ouro. Que podes mudar vidas para melhor. Que haverá sempre quem queria estar ao pé de ti e aprender contigo e ter-te na sua vida. Que és uma doçura rebelde, que precisa de rédea solta, mas que tem de aprender a geri-la. Que o teu irmão te ama muito para lá do que imaginas e que estará sempre contigo, mesmo quando nós já não estivermos. E quero que saibas que foi contigo que aprendi o que é o amor sem pausas, sem interrupções, sem hesitações - o amor mais forte e inquebrável do mundo. Quero que saibas que trouxeste à minha vida uma luz que não poderia ter tido de outra maneira. E que serei sempre feliz enquanto tu também fores.

Muitos parabéns, meu amor.

4 comentários:

  1. Parabéns à Leonor e que tenha um dia muito feliz. É nestas alturas que vemos como o tempo passa... lembro-me de quando anunciaste a gravidez, as dúvidas do nome e já passaram 8 anos. Beijinhos às 2

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  2. parabens a filhota e a mãe babada beijinhos, se quizeres espreita o eu blog aqui fica o link http://maeatempointeiroblogspot.blogspot.pt/

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  3. Parabéns à Leonor e à mãe da Leonor... Os filhos são mesmo o melhor de nós. Beijinho grande para as duas

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Obrigada!