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16 dezembro 2015

Os melhores livros deste ano

Este ano, em princípio, não vou conseguir cumprir a minha meta de leitura: queria ler 30 livros, mas só ainda li 25 (e não me parece que duas semanas sejam suficientes para chegar ao objectivo, mas também não é importante).

As minhas leituras de 2015 foram brilhantes, na verdade. Ok, li uma ou outra xaropada ali pelo meio mas, no geral, foi um ano excelente. A saber:


Comecei a ler esta trilogia no ano passado e não descansei enquanto não a terminei. É, provavelmente, o policial mais dark and twisted que já li. E só peca por ser uma trilogia, em vez de ser uma tetralogia - acho mesmo que isto precisava de um quarto livro para atar as pontas que foram ficando soltas e para explicar algumas coisas que ficaram apenas subentendidas. Para quem gosta de thrillers, para quem se interessa pelos recantos obscuros da mente humana, é uma série a não perder. Se não foram contaminados este ano, pensem nisso para 2016.


Eu tenho esta coisa com policiais. É assumido, não tenho problema nenhum com isso. Se tivesse de escolher apenas um género para ler até ao fim da vida - e desde que me garantissem que só ia ler bons livros - seria este o género que lia. Porque há tanto por detrás de um bom policial, que gosto mesmo de explorar a coisa. Senão, reparem: é preciso que as coisas façam sentido - o crime tem de ser plausível, a investigação tem de ser bem orquestrada. E para se construir uma coisa destas como deve ser, é preciso ser-se capaz de fazer o caminho de trás para a frente, indo das explicações aos motivos, passando por toda a mecânica dos eventos. É preciso uma mente muito capaz para construir um bom policial. E é por isto que gosto tanto do género, porque é sempre um desafio caminhar pelos livros e tentar entender as motivações das personagens e dos autores.

Bom, este livro, não sendo o portento que é a trilogia anterior, é, ainda assim, muito bom. É o quarto livro da série e, para mim, de longe o melhor. Os três anteriores não me convenceram - por isso demorei tanto a pegar neste - mas este arrebatou-me. Não é preciso ler os anteriores para se perceber este - esta é daquelas séries em que o fio comum é a equipa de investigação, mas onde os crimes de cada livros não estão ligados com nada do que aconteceu nos livros anteriores. À confiança, portanto.


A viragem na carreira do João chegou pela mão de Elias Gro. Neste livro, tudo se altera. A estrutura afina-se, a linguagem aprimora-se, a mecânica ganha outro fôlego. O João é o meu escritor português preferido e estes dois livros só serviram para me afiançar que escolhi bem a minha preferência. Estes livros são os primeiros de uma trilogia que será terminada em 2016 (aposto em Março/Abril...) e, embora o segundo não seja a continuação explícita do primeiro, pega em personagens do anterior e mostra-nos a vida delas de outra perspectiva. O terceiro livro, segundo consta, continuará esta teoria e apresentará o mundo de alguém que estava lá, na ilha onde viveu Elias Gro. 

Aquilo que me apaixona nos livros do João - não apenas nestes, mas em toda a sua obra - é a escrita cinematográfica, simples e ao mesmo tempo tão rica. Não é uma escrita desnecessariamente densa (há autores que, por alinharem por esta bitola, rapidamente caem numa espécie de arrogância que não aprecio), mas é uma escrita que se entranha e que nos vai conquistando. Depois, toda a sua construção de personagem é avassaladora. Temos sempre gente com conflitos internos brutais, pessoas cheias de dúvidas e de contradições. Gente como nós. A maneira como o João nos guia através destas tempestades é qualquer coisa deliciosa de se ver. Imperdível.


Para mim, a grande revelação deste ano foi este livro. É um romance que se passa entre os EUA e a Polónia, entre o final dos anos 60 e a II Guerra Mundial. A magia deste livro é que vamos sendo sugados para dentro de uma narrativa tão potente, tão forte, tão triste... que nada mais importa além do que estamos a ler. 

Eu não sou de ir às lágrimas com muita coisa. Mas chorei muito a ler este livro. Muito mesmo. 

Deixo-vos a review que escrevi no Goodreads, quando acabei de ler esta preciosidade:

Eu achava que já se tinha escrito tudo sobre Auschwitz. Bom, escreveu-se quase tudo. Faltava este livro. Comecei a ler sem investigar a fundo sobre ele. Sabia que valeria a pena mas não estava preparada para o que aconteceu a seguir. 

A escrita é simples, cinematográfica, nada rebuscada, nada desnecessariamente complexa. Começamos a ler e damos connosco em Shelton e damos connosco em Oshpitzin e damos connosco sentados ao lado daquelas personagens todas. Aquelas pessoas existem, são reais, feitas de carne, osso e passado e conseguimos vê-las e senti-las como se as tivéssemos à nossa frente.
A história constrói-se devagar. Vamos mergulhando e, quando damos por nós, estamos a muitos metros de profundidade, mergulhados sem botija. E falta-nos o ar. E falta-nos o chão. 


Há muitos anos, quando li o "Ensaio Sobre a Cegueira", dei por mim sufocada, sem conseguir respirar, tal era a densidade da trama e a mestria com que estava escrita. Ontem, a ler os capítulos finais de "Perguntem a Sarah Gross", voltei a sentir o mesmo. Ou mais ainda: chorei. Dei por mim de lágrimas a escorrer pela cara. Uma angústia sem fim. E foi muito difícil regressar à superfície.


Este livro foi finalista do Prémio Leya - devia ter sido vencedor, sem dúvida nenhuma (não que o vencedor não tenha mérito, mas isso é pano para outra conversa).


Este livro, insuspeito e ainda sem passado (editado há pouco tempo, a fazer o seu caminho devagar, como é normal na obra de um escritor em início de carreira), tornou-se num dos meus livros preferidos. Hei-de sempre lembrar-me de Sarah, de Esther, de Daniel (principalmente de Daniel).
Acredito que aos escritores, mais do que contar histórias, interessa fazer com que os leitores sintam coisas. Nem sempre acontece - quantos livros já lemos que não nos fizeram sentir nada, não por serem maus ou por estarem mal escritos, mas apenas porque lhes falta aquele ingrediente secreto que só os grandes escritores conseguem utilizar? Este livro tem este mérito maior: faz-nos sentir. Mexe-nos com as entranhas, revolta-nos a alma, desassossega-nos.


Leiam. Explorem. Descubram o que esteve para lá de Auschwitz. Este livro é absolutamente imperdível e acredito que ficará certamente mais pobre quem passar pela vida sem o ler.

2 comentários:

  1. belas dicas :) tb sou fã de Kepler por ser viciada em policiais...

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  2. Vou pegar em algumas destas dicas e vou levá-las para 2016... no meio dos 10 livros que tenho por ler nas estantes... ;)

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Obrigada!