-->

Páginas

18 janeiro 2016

10 quilómetros depois...

Foi a quinta vez que corri, desde que voltei a calçar os ténis para pôr quilómetros nas pernas. Foi a segunda vez que corri 10km. Foi a segunda vez que corri durante mais de uma hora. E soube-me bem... tão bem!

A preparação foi uma porcaria: na véspera, jantei uma sopa e um crepe. Depois houve café e um copo e acabei por dormir pessimamente e muito menos tempo do que era suposto (só gente doida é que se põe a fazer corridas com duas horas e meia de sono em cima, mas enfim...!). O pequeno-almoço, a correr, não foi melhor: um café e uma fatia de pão - comida no carro, já a caminho da prova. Fui ter com uma amiga, para irmos juntas. Chegámos à zona da partida com uma hora de antecedência, o que foi bom porque deu para estar nas calmas (e para congelar!). Aí vinte minutos antes do arranque comi uma barrita e siga.

Já sabia o que me esperava: dois/três quilómetros em "sofrimento" (é a adaptação e custa-me sempre, independentemente da altimetria do percurso, das condições climatéricas e do meu estado geral), depois algumas dificuldades nos túneis, depois, talvez, um final mais suave. Não me enganei.

À saída da reitoria, fui nas calmas, sem forçar e sem me esgotar logo ali. Apanhámos logo uma subida ligeira que me fez abrandar - e deixar a minha amiga seguir caminho. Fiquei sozinha e foi assim que fiz a corrida toda: eu, a minha playlist de uma hora e doze minutos e os meus pensamentos. Até aquecer, foi duro. Não estava a respirar bem, estava a ter dificuldades em gerir o oxigénio e apeteceu-me desistir logo ali, ao fim de um quilómetro e meio. Mas já sabia que aquilo ia passar. Quando comecei a subir para o Campo Grande, a coisa começou a melhorar. A seguir o percurso ia pela Av. República, em direcção aos túneis, com a volta a ser dada no Saldanha. Olhei para o fim da estrada e pensei que nunca na vida conseguiria fazer aquilo (eu e o meu pessimismo...). Fiz os túneis sempre, sempre a correr. Aliás, não andei um metro sequer, durante esta prova. O meu truque para as subidas é simples: olhar para o chão e não para a frente. Assim, vou a ver alcatrão, em vez de ir a ver o que ainda me falta subir. Correu bem, consegui manter um ritmo constante e não foi tão difícil como eu esperava. A volta era mais ou menos aos 6,5km, pelo que o pensamento foi "mais de metade já está!". O resto da corrida passou num instante. Nunca senti dores nas pernas, nunca tive a famosa "dor de burro", nunca me faltou pulmão (a não ser mesmo no início, antes de regularizar a temperatura corporal). A uns 300m da meta, a minha amiga (que já tinha acabado a corrida, já tinha alongado e estava pronta para outra) juntou-se a mim para me ajudar a terminar a prova. Terminei com 1h10m59s. Na semana passada, tinha feito os 10km em 1h18, pelo que retirar 8 minutos ao meu tempo foi assim qualquer coisa de muito bom.

Durante a corrida, fui pensando várias vezes naquilo que digo sempre: ninguém corre com as pernas; corremos com a cabeça e com o coração. Eu não estava nas melhores condições e podia ter parado por causa disso. Mas queria tanto, tanto fazer esta prova que a única saída foi... ir.

Hoje estou... impecável. Não me dói nada, não tenho cãimbras, não tenho as pernas cheias de ácido.

Então e a seguir? A seguir temos duas coisas no programa das festas: dia 31, um treino de iniciação ao trail, no Monsanto - nunca fiz trail a sério: corri duas ou três vezes em percursos que incluíam um bocado de terra batida e uns terrenos mais acidentados, mas isto não conta; e dia 14 de Fevereiro, mais uma prova de 10km, também no Monsanto (mas em estrada). Portanto, a ideia é voltar ao alcatrão já amanhã, para um treininho curto (uns 5 ou 6km) e depois ir experimentar mato (no domingo, se der), mas sem abusar. Mais para a frente, vou começar a alargar a coisa: em Abril, tenho uma prova de 15km, que tenciono fazer sem acabar esbaforida. 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada!