4º Kyu

janeiro 14, 2016

Um dia a correr não me deixou muito tempo para pensar no que ia acontecer à noite. Os nervos não tiveram grande espaço para se instalarem. Estava tranquila. Com borboletas na barriga e um nervoso miudinho, mas tranquila. Havia de ser o que tivesse de ser. Sabia que estava preparada (porque levei tareias de meia-noite nas semanas que antecederam o exame e fui levada ao limite e fui corrigida e fui treinada como deve ser). E sabia que, no fundo, aquilo só dependia de mim.

Para aquecimento, uma espécie de treino normal a varrer o programa do meu exame. Eu a aperceber-me do que tinha de corrigir dali a meia hora ou coisa do género. Hora do exame. A minha criança e outra rapariga foram as primeiras: ela a fazer exame para cinto branco/amarelo e a rapariga a fazer exame para laranja. Muito orgulho na minha pequena karateka que, apesar da idade e do que ainda faz menos bem, aprendeu imenso e quer mesmo continuar a evoluir. Conquistou o seu cinto e está toda vaidosa do que fez!

A seguir, dois gaiatos e eu. Eles respectivamente cinto verde (a fazer exame para verde/azul) e vermelho (a fazer exame para vermelho/castanho) e eu, cinto azul a fazer exame para vermelho. Tentei abstrair-me do que estava a acontecer no outro lado do dojo, apesar dos olhos pousados em nós. Tentei esquecer tudo - e esqueci. Não me lembrei da constipação, nem das cãimbras, nem do cansaço, nem da vida, nem de nada que não estivesse ali. Não vi nada além do que tinha ali à minha frente. Dei tudo de mim. Claro que houve falhas (e eu, hiper-perfeccionista, sei exactamente onde elas aconteceram), mas foi bom. Foi mesmo muito bom.

No final, ouvir o Kyoshi dizer que é muito bom treinar gente com a minha garra foi mel. Ouvir a avaliação que ele fez do meu exame fez-me sentir que valeu tudo a pena. As dores, o cansaço, os nervos, as dúvidas - tudo valeu muito a pena. E saber que deixei orgulhosas as pessoas que treinam comigo, que puxam por mim, que me ensinam, que me desafiam... é impagável e faz-me querer dar ainda mais de mim.

Agora...? Agora é treinar muito porque o que vem aí a seguir é ainda mais puxado, mais difícil... mas tão mais fixe, tão mais desafiador, tão mais brutal...!! Estou pronta. Let's get this party started!!

[E obrigada, de coração, a quem investiu tempo em mim e me preparou para isto tudo: Senseis Pedro e Ricardo, you guys rock!!]

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3 comentários

  1. Muitos parabéns!!! Porque é que não voltaste ao Karaté mais cedo? Essa garra "nova" que trazes do lado esquerdo do peito nota-se do lado de cá do monitor :) beijinho e keep going, keep pushing :):)

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    1. Sabes, acredito muito que há alturas certas para as coisas...

      Já depois de a minha filha ter nascido, ainda treinei durante uns 2 meses. Mas era uma logística muito complicada e acabei por me render às evidências: não dava.

      Agora, com os miúdos já maiores, é mais fácil. Mesmo assim, é complicado e é preciso olear bem a máquina porque o miúdo não treina (ainda) e, portanto, tem de ser o pai a ir buscá-lo e a dar-lhe o jantar e tal.

      Mas, no fundo, voltei agora porque foi a altura em que achei que estavam reunidas as condições para voltar. E porque, na verdade, sabia que isto me fazia uma falta do caraças e que seria uma espécie de tábua de salvação. É ali que eu me esqueço do mundo, que me reequilibro, que apago tudo o que de menos bom vou vivendo.

      Tinha de ser agora... e tenho a certeza de que voltei na altura certa!

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