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06 janeiro 2016

Contra-sensos

Adoro correr. Adoro dormir. Como porcarias. Sou capaz de não tocar em nada que não seja altamente saudável, se quiser. Sou extrovertida. Só me conhece quem eu quero que conheça. Faço amigos com facilidade. Não dou confiança a alguém que não me conquiste imediatamente. Tenho medos. Sou corajosa. Perco a paciência com facilidade. Sou capaz de fazer as maiores palhaçadas com os meus filhos. Gosto de bebés. Não quero ter mais filhos. Não sou fã de cães mas há dois ou três que era capaz de adoptar. Mudo de opinião muitas vezes. Há opiniões que defendo até à morte. Dou várias oportunidades às pessoas. Mas se me desiludem tocando em coisas que me são queridas, então acabou. Não tenho amigos de infância. A melhor altura da minha vida foram os anos em que vivi sozinha - não por ter vivido sozinha, mas por tudo o que construí e fiz nessa altura, pelo muito que aprendi e pelas surpresas boas que fui tendo. Nada me faz mais feliz do que escrever. O karate é um amor para a vida - apesar dos anos de afastamento, bastaram uns treinos para voltar tudo com muita, muita força. Querem ver-me feliz? É deixarem-me treinar sem pressões de horas. Continuo a adorar sair à noite. Sou saudosista - às vezes, apetecia-me ter uma máquina do tempo e voltar uns anos atrás, para poder repetir uma série de coisas que me fizeram verdadeiramente feliz. Não guardo mágoas dos abortos que sofri. Não gosto de estar grávida. Quero correr uma Meia Maratona mas não quero correr uma Maratona. Adoro cozinhar. Ouço mais do que falo - apesar de falar muito. Não deixo coisas por dizer. Se gosto, digo. Se não gosto, também. Luto. Reinvento-me. Já tive uma depressão, que curei com tempo, com calma e com pequenas mudanças que fui fazendo. Sou viciada em adrenalina. Amo aprender coisas novas. Não nego à partida ciências que desconheço. Nunca digo nunca. Amo desafios. Amo que me desafiem - se o fazem, é porque acreditam em mim e sabem do que eu sou capaz. Apesar de tudo o que podia estar melhor, não me lembro de ter sido tão feliz como sou hoje. Gosto de mimar as pessoas que amo. Odeio surpresas - a não ser que... bom, se eu disser, deixam de ser surpresas. Às vezes, sou a pessoa mais insatisfeita do mundo. E vou à procura do que possa inverter essa insatisfação. Acredito em mim. E quando duvido, trato de ir atrás do que preciso de fazer para me provar que sou capaz. Há dez anos que não comemoro o meu aniversário. Está na altura de voltar a comemorá-lo. Porque sim. Porque este ano, mais do que nunca, sinto que a vida é mesmo para ser saboreada ao máximo e quero mais é ser feliz. E sou. Sou mesmo feliz. E tenho uma gratidão enorme por tudo o que tenho na minha vida, pelas pessoas que me rodeiam, por tudo o que tenho de bom. A seguir? O que vier, virá. O que tiver de ser que seja. Estou cá para lidar com o bom, para resolver o mau, para aprender com os erros, para ensinar o que sei. Para ser feliz. E sou. Muito.

1 comentário:

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