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14 janeiro 2016

Mentores

Tenho a sorte de me ir cruzando com gente que tem muito para me ensinar. Bem sei que o ponto de partida disto é eu ter disponibilidade para aprender, mas, se não houver quem ensine, a coisa não funciona.

No dojo, é isto que acontece. Fui levada para lá pelo Sensei Ricardo, que continua a treinar lá. Entretanto, reencontrei o Sensei Pedro, com quem também treinava na fase inicial e que continua por lá também. Há ainda o Sensei João, que também já vem de trás. São estes três (além do Mestre, óbvio) que me dão na cabeça, que me massacram, que me mandam fazer e repetir e repetir outra vez. E que me dizem que tenho de me baixar mais e que tenho de alinhar as posições e que tenho de rodar as ancas sem mexer os joelhos e que me mandam aprimorar técnicas até à exaustão. São eles que, quando digo que estou morta e que já não dá mais, me dizem que sim, que dá, que tenho de fazer mais uma vez e outra e outra (e, até ver, ainda não morri... pelo que depreendo que têm razão). São eles que ficam felizes por mim quando sou capaz de qualquer coisa. Quando consigo. Quando correspondo às expectativas. Quando provo que eles tinham razão e que sou capaz. São eles que ficam orgulhosos de mim e isso não tem preço.

Na corrida, também três ou quatro pessoas a quem dou ouvidos. O senhor marido, que se vai picando comigo e que fica contente quando consigo correr mais do que planeava - mas que duvida das apps e acha sempre que eu corri menos do que dizem as máquinas. O Zé, maratonista tardio, com quem corri pela primeira vez (desde as aulas de educação física), que me viu fazer a ridícula marca de 333m numa corrida e morrer a seguir. O Pedro, outro maratonista tardio, que me manda lixar para os tempos e as velocidades e que me diz para montar uma playlist de uma hora e ir correr até a música acabar, independentemente de quantos quilómetros isso perfaça e da velocidade a que os corra, que me diz que o percurso A é uma merda porque não tem pontos de água e que o B é mais fixe porque tem não sei quantos bebedouros. O Ricardo que, depois de correr também não sei quantas maratonas, me desafiou para uma Meia Maratona em Dezembro deste ano e ao qual eu disse que sim. O outro Ricardo que me diz que sou capaz, que me manda ir correr, que me diz que estou a fazer uns tempos bons, que me diz que, quando começar a correr em trilhos, nunca mais vou correr em estrada (e eu ainda duvido mas estou a dias de descobrir se há hipótese de lhe dar razão ou nem por isso - mas conhecendo-me como conheço e conhecendo-o a ele... leva lá a bicicleta...!).

Sozinha, não faria metade do que faço. As pernas são minhas, a vontade também, a energia idem. Mas o facto de ter gente que acredita em mim, que me mostra que sou sempre capaz de mais, que não desiste de mim... bom, isso dá uma pica acrescida e faz com que eu queira fazer cada vez mais e melhor. Até chegar ao meu limite. Ou até descobrir que o meu limite era só uma barreira mental que estava ali posta por mim e que, na verdade, era possível ir ainda mais além. Muito mais além.

A vocês, obrigada por acreditarem. E por nunca me deixarem atirar a toalha e desistir. Sem vocês, isto não tinha metade da piada e não daria metade do gozo.

1 comentário:

  1. Isso dos trilhos é capaz de ser verdade. Desde que o meu namorado experimentou ficou louco, não fala de mais nada, é vê-lo a fazer provas e mais não sei o quê, que nos trilhos é que é bom.. Não sei, ainda não tive coragem de experimentar.

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