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25 janeiro 2016

Sobre não votar

Não entendo. Não entendo o desinteresse. Não entendo o "são todos iguais, por isso não vou lá fazer nada". Não entendo o "tenho coisas combinadas". Não entendo o "não percebo nada de política". Não entendo o "o meu voto não muda nada". Vezes 53% da população.

Só não votei uma vez: nas legislativas em que o Sócrates foi eleito pela segunda vez - estava de lua-de-mel e, obviamente, não tinha como votar. Fora isto, votei sempre. Sempre. Presidenciais, legislativas, autárquicas, referendos. Sempre. O meu voto conta um. É um no meio de milhões. Mas é um. E conta. Como contariam os votos dos tais 53% de pessoas que se estiveram a marimbar para as eleições. 53% é mais do que os 47% de portugueses que votaram. Ou seja, estas pessoas, as tais que acham que o voto delas não muda nada, podiam, sei lá, ter feito do Vitorino Silva (aka, Tino de Rans) presidente. Podiam ter eleito a primeira mulher presidente da república - a Marisa Matias, que teve muito mais votos do que a tia Maria de Belém. Podiam ter levado isto a uma segunda volta. Podiam ter dado ao país a maior surpresa dos últimos tempos. Mas não. Preferiram ficar sabe Deus onde, a fazer sabe Deus o quê, em vez de usarem o direito que têm. Em vez de cumprirem aquilo que é um dever cívico. Em vez de serem cidadãos.

Assim, realmente não muda nada. E a culpa é vossa, que não quiseram saber e que se abstiveram. A culpa é somente vossa. Agora ide lá todos para o Facebook queixar-se de que este país não anda e de que não faz nem acontece, ide. Quando puderam dizer isso e fazer-se ouvir, preferiram não o fazer. Mas no Facebook têm mais plateia, não é...?

1 comentário:

  1. Eu concordo contigo na essência. Todas as pessoas deviam votar (eu já não fui a uma mini-viagem da faculdade para poder ir votar). Mas também acho que o voto deveria ser facilitado: o facto de só se poder votar na freguesia em que se está recenseado é limitativo. O facto de os cadernos eleitorais fecharem dois meses antes de cada eleição é ainda mais limitativo (quantas pessoas morrem, mudam de casa durante esse período?).Outra coisa: quantas pessoas não vivem cá e alimentam os números da abstenção?
    A abstenção ontem, números oficiais, foi de 49,9%, e eu arrisco dizer que foi pelo menos uns 10 a 15% abaixo disso. É urgente haver uma reforma eleitoral, que mude a forma como os cadernos são organizados e o sistema de voto. Temos um número de cidadão, porque não votar com base nisso? Em qualquer sítio do país. No estrangeiro. Voto electrónico ou o que tiver de ser.
    Eu sou membro de mesas de voto há muitos anos e digo-te que, nestas duas últimas eleições, houve muito mais pessoas a votar na nossa assembleia de voto. E isso não se reflecte nos números.

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