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15 março 2016

Sobre livros

Este ano a coisa está a correr muito, muito bem. A ver (por ordem de leitura, do que acabei primeiro para o mais recente):


Já vos falei deste livro aqui.


O meu ano-de-policiais começou com este livro, que é o terceiro da série. O primeiro, "O Suspeito", está no meu top5 de policiais preferidos e só isso é garantia de qualidade. Este não desiludiu. Nada mesmo! É daqueles que se lê a correr, porque não dá para parar. Não está editado em português, o que é uma pena, porque este autor merece.


Estes dois livros são os primeiros de uma série de cinco. É a história de Patrick Melrose e... não é fácil. As personagens são quase todas detestáveis. As situações são extremas e inusitadas. Mas a escrita é fabulosa. Acontece que este é o tipo de livro que não é para toda a gente. Li-o enquanto estava a fazer o II nível do curso de escrita de romance, com o João Tordo, e tudo aquilo me ressoou cá dentro. Há ali uma série de passagens que podiam servir de bibliografia para o curso e foi por isso que me deliciei com este livro. Quando fiz o nível I do curso, o senhor João avisou que, provavelmente, dali em diante íamos começar a ler com olhos de escritor - isto é, que íamos deparar-nos com livros a que conseguiríamos ver o esqueleto. Foi o caso deste livro e foi por isso que gostei tanto dele. 


Mais um policial. Problema: a minha fasquia demasiado elevada. Outro problema: areia para os olhos do leitor. Acredito que, se não forem como eu, da turma papa-policiais, possam amar este livros. O final surpreende (bom... enfim...), a trama vai-se adensando e a rede aperta-se como é suposto nos policiais. Não é genial, mas dá para o gasto.


Os contos têm, à partida, o defeito do limite de caracteres. É comum estarmos perante boas premissas que saem ao lado porque o limite de páginas a isso obriga. Neste livro temos quatro contos sobre amor e guerra, quatro visões muito distintas da coisa. 

O primeiro conto, de Inês Lucena é, vá, fraquinho. Passa-se em Zanzibar, no final do século XIX, e envolve um soldado e uma noiva prometida. A ideia-base é boa, mas a concretização é fraca. A escrita é demasiado simplista, a forma como se dá a volta ao tema em tão poucas páginas não é a ideal (mas, de novo, temos o problema do limite de páginas). Não conhecia a autora e, honestamente, não fiquei com vontade de ler mais nada dela.

O segundo conto, de Manuel Silva Jorge, é o coração do livro. Aborda a guerra colonial e só isso já dá pano para mangas. Nota-se um trabalho de pesquisa muito aprofundado (o que, tendo em conta a dimensão do conto, até nem era expectável). A forma como o autor consegue, em tão poucas páginas, colocar tanto sumo é fabulosa. Se houvesse uma terceira edição, haveria ali umas correcções a fazer, mas nada de grave. Fiquei com muita, muita vontade de ler isto em versão romance. Ou seja, o defeito deste conto é ter umas 200 páginas a menos, na verdade. (Manel, se me estás a "ouvir", homem, escreve... Tu escreve isto como deve ser e deixa-nos ler a história!!)

Miguel Barros atira-se para uma Viena bombardeada durante a II Guerra Mundial. Em termos de escrita, é o conto que tem menos falhas mas... a volta que o autor deu ao texto, no final, retira todo o prazer que tive com esta leitura. Estava tudo a correr tão bem e de repente... puuufff... Ainda assim, gostava de ler mais coisas deste senhor.

O último conto é epistolar: um militar em missão no Afeganistão escreve cartas a várias pessoas e é através dessas cartas que nos chega a história. A fórmula não é nova, mas funciona. Também este conto teria potencial para seguir para romance, na verdade. 


Mais um livro duríssimo para a lista. Andava há muito tempo para pegar nisto, mas fui sentindo que ainda não era a altura certa. Agora foi. Já sabia ao que ia - vi o filme há tempos e aí, sim, fiquei de queixo caído. Se querem ler este livro, façam-no antes de se entregarem ao filme - MESMO!
A escrita do autor é muito gráfica: conseguimos, sem problema, ver as cenas à nossa frente. Ele puxa-nos para um Afeganistão que vai decaindo à medida que os talibãs se vão impondo, mas o foco da história é mais pessoal e menos geral. Há alturas em que levamos murros no estômago. Há outras de uma doçura extrema. Só que isto tem um problema: se, em vez do Afeganistão, a história de passasse cá (com os devidos ajustes culturais), isto não seria mais do que um fraco argumento de novela da TVI. Não duvido nada que um dos pontos fortes deste livro seja, precisamente, o Afeganistão e a guerra que destruiu o país. Mas se conseguirmos abstrair-nos disto, é uma daquelas histórias que hão-de ficar connosco para sempre. Gostei mesmo muito.

6 comentários:

  1. O ano passado li os sete dessa série do Michael Robotham, e o "Shatter" foi mesmo o meu preferido!

    Quanto aos outros, ainda não li nenhum, mas já adicionei o último à lista de livros a ler :)

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  2. Acabei de ler "a rapariga no comboio" e adorei! Um thriller a não perder!

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    1. Li no ano passado. Não amei. Não achei surpreendente... (é o problema de ler muitos policiais: é preciso uma coisa mesmo muito fora do normal para eu me sentir arrebatada!)

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    2. Fiquei com vontade de ler o suspeito, o livro de que falou! Obrigada pelas sugestões ;)

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    3. Outro que vale muito a pena: "Os Rostos do Mal", Ruth Newman.

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Obrigada!