-->

Páginas

14 março 2016

Sobre o Campeonato

Este fim-de-semana foi o Campeonato Nacional de Karate da associação da qual o meu dojo faz parte. No sábado estiveram "em campo" as crianças até aos treze anos, ontem foi a vez dos "crescidos".

A minha filha pediu para participar no campeonato. O mestre queria que ela participasse mas mesmo antes de ela saber isso já estava a pedir para ir. Isto diz-me várias coisas: diz-me que ela gosta mesmo daquilo, que quer melhorar, que não tem medo de ser avaliada, que quer participar nas coisas, que quer estar em todas. Fiquei orgulhosinha logo ali.

Ela ia competir nas duas categorias dela: kata e gohon kumite (que é como quem diz, "coreografia" e combate). Na kata, enganou-se a meio. Esqueceu-se do que tinha de fazer a seguir, pediu ajuda e continuou. Tinha começado com uma força incrível e quebrou assim que percebeu o erro. Mas não desistiu. A seguir fez novamente a kata, tornou a enganar-se e, mais uma vez, não desistiu.

A seguir, no combate, tudo tranquilo. Ganhou o primeiro que fez e perdeu a seguir e acabou por não ganhar nada, no final. Mas adorou ter estado ali, adorou o convívio e o que aprendeu. E ela gosta mesmo daquilo... já comenta técnicas comigo e faz perguntas e é maravilhoso que tenhamos isto que é só nosso e que acaba por nos unir muito. No final, trouxe para casa uma medalha de participação e disse-me:

- Olha mãe, amanhã, se não ganhares nada, não faz mal. Trazes uma medalha como a minha e guardamo-las juntas.

Ontem fui eu. Sabia que ia competir em três categorias (acabaram por ser quatro... e ainda devia ter sido mais uma, mas eu não soube que não estava inscrita e já não fui a tempo de tratar disso): kata equipa, kata individual, jyu ippon kumite e kihon ippon kumite (que foi a tal categoria-surpresa) - isto tudo no segmento de veteranas porque ali a idade conta.

Em kata equipa alinhei com duas cinturões negros do meu dojo. Treinámos pouquíssimo, apenas o suficiente para acertar ritmos. A ideia é que façamos as três as mesmas coisas, ao mesmo tempo, assim ali marcado ao milésimo de segundo (tipo natação sincronizada). O meu medo: não estar à altura delas, obviamente. O resultado? Primeiro lugar, campeãs nacionais de Kata Equipa.

Em kata individual, um erro idiota manchou a coisa e acabei no terceiro lugar. Soube a pouco, claro. Mas paciência.

Em jyu ippon kumite, a coisa complicou-se: éramos apenas quatro a competir. Ora jyu ippon é um combate em que estamos em movimento, avisamos a técnica que vamos fazer e a outra defende como quiser. Isto é coisa que se começa a treinar em cinto vermelho e que vai por aí adiante. Ora, dos cintos vermelhos que lá estavam, só eu estava naquela categoria; as outras senhoras eram as minhas duas colegas de equipa e mais uma cinto castanho (que vai fazer agora exame para preto). Percebi imediatamente que não tinha a mínima hipótese. E foi por isto que uma das minhas amigas quis desistir: mandou riscar o nome dela da folha, que não queria fazer aquilo. E eu a remoer o assunto. Não a deixei desistir. Acabei a combater contra ela e a perder, obviamente. Ela acabou em segundo (a nossa outra amiga ficou em primeiro). Tenho tempo para competir nesta categoria e no ano que vem já não vou ser o peixe fora de água que fui agora.

A seguir, kihon ippon kumite, que é um combate em que estamos paradas, avisamos as técnicas e a coisa segue. Não sabia que estava inscrita nisto, mas lá fui eu. Se me perguntarem, prefiro fazer kata. Adoro aquilo, adoro a sensação de aperfeiçoamento que vamos tendo, adoro sentir que quanto mais faço, mais a coisa melhora. Mas sei que, em kumite, consigo impor-me porque não tremo, não vacilo e consigo abstrair-me de tudo e ser força pura. E foi o que aconteceu. Na final, contra outra cinto vermelho, uma defesa mal feita mandou-me para o segundo lugar. Podia ter sido melhor? Claro. Mas foi muito bom, considerando que estive uma data de anos parada e que voltei a treinar em Setembro.

A categoria que me faltou foi shobu kumite, que é combate completamente livre (enquanto nos outros há uma que ataca e uma que defende, à vez, aqui é conforme calha, não há avisos de técnicas nem nada. É sempre a seguir.)

Depois, momento alto do fim-de-semana: o combate de shobu kumite da categoria de veteranos. Há um senhor, o Cláudio (que treinava no meu dojo quando comecei e com quem treinei uns dois meses, numa fase em que achei que conseguia voltar à prática regular - mas não consegui), que varre aquilo todos os anos. Até ao ano passado, ele tinha ali um opositor mais ou menos à altura mas como este ano mudou de escalão... a coisa complicou-se. Aquilo já se sabe à partida como vai acabar mas mesmo assim é lindo de se ver. Porque o Cláudio é um tipo seco, alto (muito alto!), com uma flexibilidade atroz, rapidíssimo, que vive de e para o karate. Foi um combate complicado (para o outro senhor que, coitado, teve o azar de apanhar o Cláudio de frente), mas é fabuloso ver a forma como ele faz as coisas. Aprende-se um bom bocado só a ver esta gente que percebe disto fazer as coisas como deve ser!

Eu aproveitei para aprender umas coisas sobre arbitragem: passei a tarde de ontem numa das mesas, ao lado do oficial de mesa, a preencher as folhas dos resultados (e a ver os combates, obviamente... e a ver a maneira como são dados os pontos e marcadas as faltas... e a ver gelo na cara de alguns karatekas, sprays nas pernas de outros, mãos entrapadas, dores em sítios onde não era suposto... ).

Portanto, saldo: quatro medalhas para juntar à da minha filha e para guardar com muito carinho. E muita vontadinha de chegar ao campeonato do ano que vem mais bem preparada e ainda com mais garra.

1 comentário:

  1. Também por lá andei, com o meu puto mais velho.
    Começou tarde, continuam com os discursos, a parte das medalhas deixou a desejar e saí eram quase 17.

    ResponderEliminar

Obrigada!