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23 março 2016

Sobre o meu livro

Eu tenho um problema que até o senhor João Tordo, caríssimo mentor extraordinaire, fez questão de salientar aquando do nível II do curso de escrita de romance que fiz com ele há coisa de um mês: sou demasiado perfeccionista.

Nisto de escrever um livro - e assumir que estou a escrever um livro é já assim uma coisa do outro mundo, porque tenho sempre algum pudor em dizer isto, visto que não sei se aquilo que agora são páginas num ecrã de computador algum dia vão ser páginas encadernadas e vendidas algures e, para mim, um livro é isso, uma coisa física que está ao dispor de pessoas que acham que aquilo vale o seu tempo e o seu dinheiro. Bom, adiante - dizia eu que, nisto de escrever um livro, há uma armadilha poderosa na qual caí direitinha: a correcção. Nestes quatro anos (sim, isto dura há quatro anos e podia elencar aqui todas as desculpas que tenho para o facto de estar há quatro anos a escrever uma coisa que tem agora 61 páginas, mas poupo-vos os detalhes), gastei muito, muito tempo com correcções. Escrevia um capítulo num dia, demorava dois meses a revê-lo e a corrigir o que houvesse a corrigir. Escrevia mais um e lá vão mais três meses porque entretanto resolvi voltar a rever o que já tinha revisto e tornar a corrigir mais um ou outro detalhe. E assim sucessivamente. Acho que parei de fazer isto no capítulo 9, sendo que tenho 13 escritos até ao momento. Melhor que nada, não é?

Tive de me obrigar a parar com isto de andar para trás sempre que conseguia andar para a frente. No fim revejo tudo e altero tudo e mexo e que se lixe. Por agora, é olhar em frente e deixar o passado no passado e, embora este seja um passado que posso alterar, só o farei quando der a estrada por terminada. Curiosamente, ou nem por isso, tenho avançado muito mais depressa assim. Não estou preocupada com incongruências - focar-me-ei nelas depois, e conto com as minhas revisoras oficiais (olá, Vanessa; olá, Cátia; olá, Meg!) para me ajudarem na missão.

Tenho tentado manter-me fiel ao mantra ali de cima: procurar o progresso e não a perfeição. É melhor feito do que perfeito. Isto é muito contra a minha natureza, mas se calhar preciso de sair da minha zona de conforto e tentar coisas novas que gerem resultados novos, em vez de me manter focada em receitas antigas cujos resultados, bom, estão mais do que vistos. Um dia isto vai. Está quase. Já faltou mais. (E o gozo que me dá escrever aquilo, caraças?)

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