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22 março 2016

Terrorismo explicado a crianças

Hoje de manhã, no carro, contei aos miúdos (mais a ela do que a ele, por uma questão de idade e entendimento) o que se estava a passar em Bruxelas. Ela foi fazendo perguntas. Eu fui respondendo. Separei o todo da parte e tentei que ela não ficasse com a cabecinha toldada pelas diferenças: nem todos os muçulmanos são terroristas; nem todos os muçulmanos são doidos alucinados que querem impor à força aquilo em que acreditam; nem todos os muçulmanos querem rebentar com o mundo ocidental. Ela perguntou-me se conheço algum muçulmano. Disse-lhe que sim, que conheço e, quando lhe contei quem era, ela lembrou-se de até ter estado em casa da pessoa e de como foram simpáticos com ela e de como ela não sentiu a mínima diferença entre estar ali e estar noutra casa qualquer.

Quero que ela perceba que o mundo às vezes é um lugar muito estranho e que há pessoas que batem as nove ao meio-dia e que nem todos aceitam a diferença. Mas também quero que ela perceba que nem toda a gente que partilha uma fé, uma crença ou uma ideologia é igual. Há católicos bons e maus, da mesma maneira que há muçulmanos bons e maus. Não quero que ela cresça com medos baseados em preconceitos, mas quero que saiba que há quem faça muito mal em nome de uma coisa que não devia ser nada além de bondade. Não quero que ela veja o mundo com lentes cor-de-rosa, mas quero que acredite nas pessoas e que parta do princípio de que são boas, até prova em contrário.

É difícil, isto de educar pessoas tentando manter um equilíbrio entre cuidado e confiança. É difícil fazê-los entender que o bem e o mal nem sempre são coisas lineares e que é preciso cuidado mas, ainda assim, este mundo é um belo sítio para viver.

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