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27 abril 2016

Soco na glote

De repente, caio.
Todos os sítios onde não fui. Tudo o que não fiz. Tudo o que não vi. Tudo o que não vivi. A vida a correr em dias iguais. Quando podes ir, ver, fazer, não vais, não vês, não fazes. A calmaria da casa a que conheces todas as paredes. O sossego do que esteve sempre ali. Uma casa. Um lar. E tudo o que não vivi. Tudo o que não vi. Todos os sítios onde não fui. E, de repente, o formigueiro, a inquietação. Ir. Ver. Fazer. Comprar bilhete, traçar percursos e ir. Sem pensar muito nisso. Um mapa ajudar-me-á. Dobrá-lo-ei e guardá-lo-ei no bolso para uma emergência. Mas é sem rede, sem almofada, sem segurança. Ir. Ver. Fazer. A vida não pode ser só isto. A vida não é só isto. Uma engrenagem oleada sem margem para o improviso. Sem o grito. Sem a gargalhada. Sem o salto para uma poça de água - sim, estava de saltos altos e saltei na mesma, quero lá saber dos sapatos. Sem o abraço no meio da rua. Sem o não saber o que vai ser o minuto a seguir. O mundo gira. Eu não saio do lugar. Não é só isto. Não pode ser só isto.

2 comentários:

  1. Ai, querida! Penso nisso às vezes. Depois, não sei como entro outra vez na conformidade do dia-a-dia. E até me sinto mal, porque temos tanto para estarmos gratas que até parece mal estarmos "insatisfeitas", mas parar é morrer e mimimi. Ao menos é sinal que não somos estagnadas! Beijinho no <3 Raka

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