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19 julho 2016

Gosto | Não gosto

Gosto...

... de praia. de sentir o sal no corpo. de cabelos soltos. de unhas compridas. de barbas bonitas. de correr. do karaté. dos amigos do karaté. das conquistas do karaté. do poder que o karaté me dá (e que não tem nada que ver com ser capaz de bater em pessoas). de cinema estranho. de comédias românticas de domingo à tarde. de cappuccinos no sofá. de pipocas salgadas. de ler. de escrever. de escrever poemas quando me apaixono. do alentejo. do calor no alentejo. e em todo o lado. de caracóis. de Somersby. de petiscos sem hora para terminar. de música que me ponha a dançar. de cantar (e canto pessimamente... e então?). de conduzir. de ser conduzida. de me perder por caminhos estranhos. de sítios antigos. de Lisboa. e de Sintra. do Porto. de viajar. de conversar. de morangoskas. de sushi. e de bifes de vaca a escorrer sangue. de thrillers. de livros com gente morta. de ver autópsias no youtube. de acordar com músicas novas no whatsapp. de me rir. das minhas melhores amigas. dos meus melhores amigos. do meu trabalho. dos meus colegas. de trabalhar na baixa de Lisboa. de tudo o que aprendi num ano de trabalho. de saber o que valho. de ajudar quem precisa, mesmo que não peçam ajuda. de sentir que valho alguma coisa para as pessoas que me rodeiam. de jogos de cultura geral. de fruta fresca. de cozinhar. de comer. de não fazer nada. do João Tordo. da escrita do João Tordo. de escrever a meias com o Manel, talento por lapidar que conheci no último curso do Tordo. de conseguir fechar os olhos e imaginar futuros luminosos, cheios de coisas boas. de tatuagens. de tudo o que sou. de viver. dos meus filhos, que são os amores da minha vida.

Não gosto...

... de incertezas. de não saber com o que posso contar. de me sentir julgada. de falhar (com as outras pessoas mas principalmente comigo). de ser tão perfeccionista. de ser mais preguiçosa do que devia. de sentir que o cansaço me rouba momentos bons. de ser pouco paciente. de pessoas intrometidas. de livros lamechas. de wannabes. de modas parolas. que tentem mandar na minha vida. de me sentir pressionada. de me sentir em dívida. dos dias em que adormeço sem um sorriso. do tempo que passa entre momentos bons. de dobrada. de feijão. de favas. de confusões. de frio (a não ser que esteja à lareira). de perguntas parvas. de não ter seguido o meu sonho de ser psicóloga criminal (e de não ter ido para a PJ). de ter perdido pessoas por causa de mal entendidos. de saber que nunca mais vou ver algumas pessoas que foram fundamentais para mim, nomeadamente o meu avô Eusébio. de chorar. de não conseguir chorar. de ter ficado um bocado fria, à conta da pancada que fui levando na vida. de perder tempo com coisas que não me fazem feliz. de nem sempre conseguir tempo para escrever. de ter de desfazer equívocos. de ter de dizer a mesma coisa cinquenta vezes. de passar a vida a lixar sapatos graças à calçada portuguesa. de injustiças. de crueldade. de miúdos mal educados. de pais mal educados. de pessoas que não tentam calçar os sapatos alheios. de música dos anos 80. de ter viajado menos do que queria. de ter de viver com dinheiro contado. de saber que um dia isto acaba. de ter medo.

(Não fazia este exercício há imenso tempo...)

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