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09 agosto 2016

Vida nova

Vivi sozinha durante cinco anos. Não foi fácil - ou melhor, nem sempre foi fácil - mas foi maravilhoso. Eu gosto de estar sozinha. Não me aborreço. Arranjo o que fazer. Foram tempos de muita aprendizagem, em vários sentidos. Entretanto, veio a filha mais velha e isso mudou. Deixei de ser só eu. Passámos a ser três. Depois passámos a ser quatro. Agora somos três novamente - eu e os miúdos.

Estive duas semanas de férias com eles. Muita praia e pouco mais. Entretanto o miúdo adoeceu e acabámos a fazer um périplo pelo hospital do costume. Curou-se. Acabámos as férias com uma tarde de praia de mãe e filha (e o filho nos avós, já melhor mas ainda em risco de recaídas). Foi maravilhoso.

No domingo foram para o pai. Mais duas semanas de férias, desta vez com ele e com a família do lado dele. E eu volto a estar sozinha naquela casa onde vivi cinco anos. O primeiro impacto foi duro. O silêncio. Arrumar coisas espalhadas. Fazer camas. Sorrir perante os rastos que eles deixam por todo o lado. Ontem, quando cheguei a casa, resolvi que não podia ceder ao peso da ausência deles. Estava de rastos (o calor num 4º andar sem ar condicionado massacrou-me o dia todo), mas resolvi cozinhar só para mim. Fiz um spaghetti com camarão, mexilhão e amêijoa que dará para três refeições. Sentei-me no chão da sala, um filme do Netflix a rodar, uma Cola Zero gelada e siga. O silêncio. Voltei quase nove anos atrás. Quando era só eu e às vezes era bom. Ontem foi assim. Mas as saudades... essa doem. Sei que o tempo voa e que devo aproveitar estes dias de calma para retemperar. Para arrumar coisas. Para dar novos sítios a coisas antigas. Para me reorganizar. E ao fundo, como ruído branco, sempre as saudades deles.

É uma vida nova. E vai ser bom.    

12 comentários:

  1. há semanas que andava com esta desconfiança, não perguntei, não nos conhecemos e não tenho sequer o direito de questionar mais que aquilo que leio, cada um sabe de si e cada qual escreve sobre o que quer, sabe ou faz sentir confortável, talvez até já muito se tenha escrito, não li, soube agora, sem surpresa, apenas a confirmação (que não queria ler) gosto de si, passei pelo mesmo e não sendo a primeira queria muito ser a ultima, impossível, eu sei, resta-me desejar, de coração, feliz vida nova com tudo de bom que a vida nova possa trazer

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  2. Já me tinha apercebido que estava numa nova fase da vida...a dor vai amortecendo mas haverá sempre um misto de sentimentos quando os filhos estão com o pai...saudades/liberdade ...enfim faz parte do crescimento mas que doi, doi

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  3. Que tudo corra bem. Não é fácil reiniciar depois de tantos anos, mas a vida continua e que seja sempre para melhor!

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  4. Que corra sempre tudo pelo melhor, é apenas o que interessa... Beijinho grande

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  5. Acompanho o seu blog há muito tempo Lénia... Já cheguei a comentar algumas vezes. Já passei por isso e sei de cor e salteado a mistura de sentimentos que sentes. Mas acredita, tudo se cura. E até as ausências dos pequenos no fundo aprendemos a tirar partido disto. Gosto muito da sua escrita, gosto muito do blog, espero que voltes a ser mais assídua por essas bandas. Eu vou continuar te acompanhando e torcendo para que sejas feliz.

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  6. Um grande beijinho Lénia! Muita Força ;)

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  7. Sigo o blogue (normalmente em "silêncio") já há algum tempo, e este post deixou-me com o coração bem apertadinho. Espero, do fundo do coração, que o que aí vem vem seja mesmo bom (e acredito que será). Porque, mesmo não te conhecendo pessoalmente, acho que mereces isso. Beijo grande

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  8. Muita força!
    O melhor ainda está por vir ;)
    beijinhos

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  9. Haja coragem para uma decisão tão pesada, mas temos que ser felizes e estar bem na nossa pele! Embora num contexto diferente, gostaria de ter essa determinação e avançar apesar do medo (terror) para o desconhecido. Vai correr tudo bem consigo ;)

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  10. Não fazia ideia querida. Não sei onde me perdi entre o que acompanho aqui e noutras redes, mas não tinha mesmo ideia. De qualquer forma, acredito que sabes er feliz e que tens tanta coisa boa para viver pela vida fora. Um fim traz sempre um recomeço. Beijo grande para ti

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  11. Quando li o post mais abaixo, fiquei na duvida,achei q podia ser... depois veio este, a confirmação, apesar de não te conhecer pessoalmente foste entrado aos poucos no meu dia-a-dia, fui te considerando aos poucos amiga e fiquei triste com a noticia e ainda mais descrente no casamento, és da minha geração (acho que tens menos um ano ou dois que eu), eu do meu circulo de amigos fui a única que nunca casou, mas também das que casaram só resta uma casada!

    Sê feliz, continua a escrever como só tu o sabes fazer!!! Um beijo grande minha querida e desculpa lá o meu desabafo!

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  12. Do que "conheço" de ti (desde a boneca de papel), e é muito pouco já se sabe, há algo que sempre te "vi" a fazer com uma mestria tremenda: Recomeçar! Este é mais um recomeço, e vai ser dos bons com certeza. Beijinhos. :*

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Obrigada!